domingo, 16 de julho de 2017

Meu grupo virou pó... e agora?

Ah cara, eu não sei mais o que fazer. Meu grupo de swordplay virou pó. Por que isso acontece? O que fazer quando isso acontece? Na semana passada reunimos menos de dez pessoas para treinar (...) no nosso auge chegamos a ter 40 pessoas...

Esse fragmento faz parte de uma conversa que eu tive com um colega no chat do facebook. Ele está chateado – e com razão – afinal o grupo dele está se desfazendo a olhos vistos. E pelo que eu conversei com ele nada parece fazer efeito para que isso se reverta.

Você se sente familiar com essa situação? Já passou por isso? E o que se pode fazer numa situação como essa? Procurar um novo grupo? Buscar por paliativos (tipo videogame/ academia/ esportes de contato)? Arrumar uma namorada? Maratonar todas as temporadas de TBBT?

Ponderei bastante sobre essas questões – e até assisti dois episódios de TBBT – e a única reposta coerente que consegui encontrar foi: “sei lá”.

Uma coisa que eu percebi ao longo da minha vida, e de todos os hobbies que eu já tive, é que grupos [de qualquer coisa] costumam possuir uma espécie de “prazo de validade”. Eu estimo alguma coisa entre dois e cinco anos. E foi. Alguém se muda, casa, briga, começa a faculdade, termina o colégio, começa a namorar, começa a trabalhar, tem filhos, ou qualquer outra mudança drástica que vem com o passar dos anos. Algumas vezes não precisa nenhuma mudança drástica. A pessoa continua a mesma: não casou, não tem filhos, não trabalha, não faz porra nenhuma... Basta que ela esteja de saco cheio para treinar. Já é suficiente para parar de jogar e dar uma rasteira na motivação do resto dos jogadores.

O pior é que, na verdade, muitas vezes nem dá para saber o motivo que leva uma pessoa a deixar de frequentar os treinos. No meu grupo mesmo tinha um casal que simplesmente resolveram não treinar mais, sem dar nenhum feedback a respeito.

Ah Betão, mas quem quer de verdade dá um jeito de continuar treinando. Eu tô casada, filha pequena no colo e mudei para a puta que pariu de longe e continuo frequentando os treinos sem problemas” afirma aquela menina simpática com bata branca e vermelha, segurando uma adorável e imparável bebezinha no colo.

Sim, eu sei e concordo com você. Quem quer vai e faz. O ponto é que swordplay não é o hobbie mais atrativo do mundo. Aliás, quanto mais velho você fica, mais complicado é manter um grupo regular. As pessoas mudam, envelhecem e mudam de interesse. Nada mais natural. 
  
E finalmente o que fazer? Tem muita coisa que você pode fazer a respeito, mas antes de qualquer coisa veja se vale a pena manter suas energias no seu grupo atual. Vai ver ele já deu o que tinha que dar. Ficar insistindo é meio que incentivar um cavalo morto a continuar puxando uma carroça.

Quem sabe seja a hora de se reinventar. Você pode procurar outros grupos e se filiar a eles. Quem sabe mudar o local de treinos para ver se atrai novos jogadores? Quem sabe?


Se quiser se aprofundar sobre o assunto dá um pulo neste outro artigo que escrevi: 
http://swordplaydobetao.blogspot.com.br/2016/03/a-faculdade-e-outras-doideiras-da-vida.html  

Um comentário:

  1. valberto, sobre esse tema tenho algumas experiencias em todas as posições possíveis, para um grupo não virar pó muitas vezes requer um esforço descomunal de quem está na liderança, juntar o recrutamento de novos membros assim como manter já os atuais é quase sempre impossível, trocar local de treino e tal, bem até aqui é só reafirmação do que vc já disse, mas uma solução viável para manter um grupo vivo é a inovação, sair dos treinos dominicais e ir além, é desmotivante ver um grupo, outrora com 40 pessoas, com 10 pessoas, mas a liderança não deve desistir ou pelo menos repassar para a próxima geração, seria ótimo manter tanto novos como aquele amigos de longa data porém é impossível, o grupo vai mudar, pessoas vão entrar e sair, o que deve sempre permanecer é o amor pelo esporte. ''acreditar, pq todo trabalho duro tem volta uma hr''

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Samurai sim, santo jamais

 Sempre tive fascínio por artes marciais. Judô quando era moleque, um pouco de karatê na juventude, e, mais recentemente — antes da pandemia...