sábado, 27 de junho de 2026

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swordplay que fundei e, provavelmente, será o último.

Eu já tinha extinguido o grupo em 2023, participei do meu último EPS em 2024 e agora achei que era o momento adequado para encerrar de vez esse capítulo na minha vida.

Apesar de ser uma atividade lúdica e muito divertida, o swordplay tem problemas que vão muito além da pancada com a espada de espuma. Muitas picuinhas, muita gente querendo puxar o seu tapete, muito problema, muito julgamento e aborrecimento — tudo isso quando eu só queria algo para fazer depois que o meu grupo de RPG se desfez.

Ao encerrar esse capítulo da minha vida, eu espero finalmente encontrar paz de espírito, pelo menos nesse departamento.

É isso. Obrigado a quem ficou. Até um dia.

domingo, 22 de junho de 2025

Samurai sim, santo jamais

 Sempre tive fascínio por artes marciais. Judô quando era moleque, um pouco de karatê na juventude, e, mais recentemente — antes da pandemia — muay thai e kendô. O gosto pela coisa vem de longe. Gosto de treinar, de estudar, de entender os estilos. Gosto também da mitologia toda: o guerreiro solitário, o código de honra, a espada que corta a própria vaidade. É bonito. Inspira. Mas vamos combinar uma coisa: gostar não significa perder o senso crítico.


Porque uma coisa que me incomoda profundamente — e que me parece uma epidemia nos dojos e nos círculos de fãs — é esse endeusamento acrítico dos samurais. Falam deles como se fossem monges franciscanos com espadas, protetores dos pobres, defensores da justiça, arautos da sabedoria eterna. Só faltam dizer que curavam escorbuto com um haicai.


Na prática, os samurais eram uma casta armada a serviço dos poderosos. Ajudavam os camponeses? Sim, claro... quando pagos pra isso. Ou quando era conveniente politicamente. A idealização que se vende hoje é mais marketing do que história. Kurosawa mesmo, no filme Os Sete Samurais, já dá o tom: os heróis ajudam a aldeia, mas não por altruísmo puro — é trabalho. Trabalho com espada, mas ainda assim, trabalho.


E aí chegamos ao caso mais curioso de todos: Miyamoto Musashi. O “maior samurai de todos os tempos”, segundo dez entre dez praticantes deslumbrados. Um ícone. Um mito. Um herói.


Agora pense comigo: estamos falando de um sujeito que, aos 15 anos, resolve largar tudo pra sair pelo mundo com uma espada na cintura procurando gente pra matar. Um mochileiro do sangue. Ele não queria salvar ninguém, proteger ninguém, fundar uma escola — ele queria duelar. Duelar e matar. E matou, viu? Foram mais de 60 duelos e uma pilha de corpos no currículo. Inclusive de um adolescente, herdeiro de uma escola rival, que ele fez questão de eliminar só pra deixar claro quem mandava no rolê. Heroico, né?


Sob a ótica moderna, isso tem outro nome: psicopata funcional. Mas vá dizer isso num dojo e veja o escândalo. "Ah, você está julgando com os valores de hoje!" Sim, estou. E também com os de ontem, os de sempre: matar por vaidade nunca foi exatamente um sinal de iluminação espiritual.


O mesmo vale pra outros ídolos nacionais. Monteiro Lobato, por exemplo. Está lá, no altar da literatura infantil. Criador do Sítio, da Emília, da Tia Nastácia — personagens eternizados na TV, no teatro, na escola. E também, sim, um racista e eugenista convicto, que deixou isso escancarado em suas obras e cartas. Mas vai dizer isso em voz alta que logo aparece alguém tentando relativizar. “Ah, era outro tempo.” Era, sim. Mas isso não apaga o que está escrito.


Então não, eu não consigo colocar Musashi num pedestal. Nem ele, nem nenhum outro samurai que passou a vida afiando espada e cortando pescoço pra resolver questões de ego e status. Admirar técnica, disciplina, estratégia? Claro. Isso é outra coisa. Agora, tratar assassino itinerante como mestre espiritual... aí já é demais até pra minha paciência de budôka.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Quer saber a opinião de alguém? Pergunte.

 

Montar um projeto para jovens é, muitas vezes, como se preparar para um duelo de swordplay sem saber qual arma o adversário vai usar. Você veste a armadura, treina os golpes, organiza o campo de batalha... e, quando o jogo começa, ninguém aparece. Ou pior: aparece, mas não se envolve, não se empolga, não retorna. Infelizmente, é o que acontece com muitos projetos voltados à juventude. Mesmo os mais bem-intencionados naufragam porque falham num ponto essencial: ouvir os jovens antes de tentar falar com eles.

Essa é uma armadilha comum. Gastam-se horas elaborando propostas, escrevendo editais, pensando slogans “descolados” e materiais coloridos — mas tudo isso é inútil se o projeto não dialoga com o que realmente interessa à juventude. No caso do swordplay, por exemplo, trata-se de uma atividade que mistura movimento, fantasia, trabalho em equipe e uma certa dose de liberdade criativa. Parece perfeito, não? E, de fato, pode ser. Mas só vai funcionar se os jovens se enxergarem ali dentro. E, para isso, é preciso escutar.

Trabalho em escolas, com alunos e grêmios estudantis, há tempo suficiente para saber que jovem não quer ser plateia de palestra. Eles querem ser parte da construção. Querem espaço, escuta ativa e retorno. Quando você abre o diálogo com sinceridade — sem querer impor, sem fazer de conta que está ouvindo — os resultados aparecem. Já vi propostas ganharem vida nas mãos de adolescentes que, até a véspera, pareciam desinteressados. Basta que eles sintam que a ideia é deles também.

Por isso, se alguém quer montar um projeto de swordplay voltado para jovens — ou qualquer outra atividade — o primeiro passo não é comprar espadas de espuma. É perguntar. Reunir grupos diversos, de diferentes idades, escolas, estilos. Conversar com eles. “Vocês conhecem swordplay?”, “Esse tipo de jogo interessaria vocês?”, “O que poderia tornar isso divertido?”, “Como gostariam de participar?”. Isso vale mais do que qualquer formulário elaborado. A escuta direta é o que transforma boas intenções em ações eficazes.

Quanto mais cedo soubermos perguntar — e, principalmente, ouvir — mais cedo poderemos transformar atividades como o swordplay em pontes reais entre o universo juvenil e as oportunidades que queremos oferecer. Projetos que nascem de perguntas sinceras têm mais chance de virar espada na mão, e não só figurinha em cartaz.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

E se ninguém se importa mais?

 É incrível como a nossa percepção a respeito da vida é tão pequena e limitada. Não temos noção de quase nada. O que sabemos vem pelos meios de comunicação, pelas notícias ou por aquilo que damos a sorte de ver no dia a dia. Mas, mesmo essa brutal limitação naquilo que sabemos ou que podemos conhecer, não nos impede de tomar decisões açodadas a respeito do mundo e das coisas que nos cercam. Tomamos a primeira versão daquilo que vemos como verdade universal, dificilmente nos colocamos no lugar dos outros, e muitas vezes não entendemos que aquela pessoa que está à nossa frente pode estar passando por uma série de problemas dos quais nós não temos a menor ideia... E ainda assim, investimos uma grande quantidade de energia, tempo, recursos, e sabe Deus mais o quê, naquela visão de mundo que apenas nós temos.


Para o bem ou para o mal, eu sou um escravo da minha consciência. Faço aquilo que acho que é certo, mesmo que eu demore um pouco.


No meio de 2024, depois do EPS daquele ano, eu lembro de ter comentado em algum lugar que uma das coisas boas do evento foi o fato de que um dos tradicionais grupos do Rio de Janeiro, o DK, não estivesse presente. Às vezes, um evento é bom não pelo que ele tem, mas pelo que ele deixa de ter.


Fui interpelado pela Nati, uma das mais antigas e respeitadas membros do DK, com uma veemência assombrosa. Na época, eu tinha tido uma querela muito grande com o DK do Distrito Federal e não queria ver qualquer um dos seus membros, ou qualquer membro do DK, nem pintado de ouro. E, na minha cabeça, achava que os líderes nacionais que eu conhecia do DK, como Richard e a Natália, que à época eram casados, não apenas sabiam do acontecido, mas fizeram algum tipo de corpo mole.


O tempo foi passando, mas aquela defesa veemente que a Natália tinha feito continuava martelando na minha cabeça, como um sentido aranha que não para de apitar quando tem alguma coisa errada.


Então eu parei e pensei: será que ela ou o Richard sabiam do que estava acontecendo por aqui? Munido de uma dose cavalar de coragem, eu mandei uma mensagem para ela, querendo colocar tudo em pratos limpos.


E a resposta dela foi tão desconcertante que eu me senti até mesmo um pouco envergonhado de ter trazido esse assunto à tona. Em quatro áudios de um minuto, ela me explicou tudo que tinha acontecido na sua vida nos últimos anos: sua separação, sua mudança de vida, o sentimento de traição, como ela tinha se afastado do DK nos últimos anos e, segundo ela, não lembrava de nada do que havíamos conversado. Lembrava de um comentário que trocamos nas redes sociais alguns anos atrás, mas disse que nada daquilo era realmente importante para ela.


E agora vem o pulo do gato: uma coisa que me incomodou por tanto tempo, mas que, para ela, não tinha importância nenhuma.


Isso me deu uma epifania e me fez questionar o que é que eu ando fazendo, o que é que eu ando pensando a respeito das coisas do mundo, como se tivessem uma grandessíssima importância... quando, na verdade, talvez não tenham importância nenhuma.


Minha mãe, uma das mulheres mais sábias que eu já conheci, certa vez me apresentou uma música do Oswaldo Montenegro, chamada A Lista. Um de seus versos martelou na minha cabeça logo depois da conversa com Natália: "Quantos segredos você guardava, hoje são tão bobos, ninguém quer saber?"


Então eu tive o que, na filosofia, nós chamamos de epifania: uma espécie de grande revelação na minha vida.


Será que eu continuo dando importância a coisas que não importam para mais ninguém? Será que eu venho deixando de viver a minha vida por conta de pessoas que não importam mais? Quais serão os segredos que eu guardo que ninguém quer saber?


Munido dessa revelação, fui procurar alguém que conhecia o caso todo e, para minha surpresa, o meu bom amigo Fox, da Magnus Legion, me apresentou uma segunda metade dessa epifania. Não apenas as coisas que eu julgava ser importantes podem não ter importância nenhuma, mas também o outro lado pode ter sua própria verdade — uma verdade à qual eu nunca vou ter acesso. Pelo menos, nunca completamente de verdade. É mais ou menos como o incognoscível das coisas de Immanuel Kant. Mas aí já é filosofia demais para um texto jogado num blog como esse.


É óbvio que a vida segue, e não é porque eu estou questionando esses valores guardados que eu vou baixar a guarda e deixar que volte para minha vida pessoas que um dia me machucaram. Mas parece que, para mim, neste momento, é importante repensar aquilo que eu venho fazendo, com quem eu venho me relacionando e, finalmente, aquilo que eu estou dando importância.


E sem perder de vista que, do outro lado da equação, tem uma pessoa — todo um universo — do qual eu não tenho a menor ideia...

terça-feira, 30 de julho de 2024

A Importância da Malícia e da Cautela nas Relações Sociais no Swordplay

Na complexidade das relações humanas, é inevitável que, independentemente de quão bons sejamos e de quanto nos importemos com os outros, sempre haverá pessoas que não se importarão conosco da mesma forma. Essa realidade, por mais dura que possa parecer, é uma parte intrínseca da natureza humana e das interações sociais. Aprender a lidar com isso é essencial para preservar nossa integridade e bem-estar.

Infelizmente, com o swordplay não é diferente. Apesar de ser um esporte saudável que costuma trazer à tona o que há de melhor em nós, como senso de unidade, pertencimento e camaradagem, também pode atrair pessoas que se aproveitam dessa estrutura para se beneficiar. Não é incomum ouvir histórias correndo "à boca pequena" sobre puxadas de tapete e traições.

Para navegar nesse cenário, desenvolver malícia, no sentido de perspicácia e astúcia, é crucial. Como dizia Maquiavel: devemos ser valentes como o leão, mas espertos como a raposa. A malícia, aqui, não deve ser confundida com maldade, mas sim com a capacidade de ver além das aparências e entender as verdadeiras intenções das pessoas ao nosso redor. Muitas vezes, o que é apresentado na superfície não reflete a realidade subjacente. Portanto, ter malícia nos permite discernir entre o genuíno e o falso, protegendo-nos de possíveis decepções e manipulações.

Um exemplo clássico desse tipo de discernimento necessário é quando lidamos com pessoas ou grupos que pregam a união e a unidade, mas cujas ações revelam um desejo de controle e posse. É fundamental questionar as motivações por trás dessas mensagens. Por que alguém que fala tanto sobre união organiza suas atividades de forma isolada, sem discutir com outros? Esse comportamento pode ser um sinal de que o objetivo real é a centralização do poder, não o bem comum. Estar atento a essas discrepâncias é essencial para evitar ser manipulado ou explorado.

Outro aspecto a ser considerado é a falsa pregação da democracia e da pluralidade de vozes. Muitas vezes, indivíduos ou grupos clamam pela diversidade de opiniões, mas são os primeiros a silenciar qualquer voz dissidente. Esse tipo de hipocrisia pode ser extremamente prejudicial, pois mina os princípios fundamentais da liberdade de expressão e da verdadeira pluralidade de ideias. A democracia genuína acolhe a discordância e a crítica construtiva, ao passo que os falsos democratas buscam apenas reforçar suas próprias ideologias, eliminando qualquer oposição.

Finalmente, devemos sempre estar atentos aos amigos falsos. Esses indivíduos, que muitas vezes se apresentam como aliados e confidentes, podem ter segundas intenções. A falsidade nas amizades pode levar a traições dolorosas e à quebra de confiança, afetando profundamente nossa vida pessoal e emocional. Portanto, é prudente escolher nossos amigos com cuidado, observando suas ações ao longo do tempo e verificando se elas correspondem às suas palavras. Quantas vezes eu mesmo não fui vilipendiado por pessoas que se diziam meus amigos? Quantas vezes você, que está lendo isso, não foi vítima de uma falsa amizade?

Viver em sociedade exige uma constante vigilância e uma dose saudável de malícia para navegar pelas complexidades das interações humanas. Olhe bem as pessoas à sua volta. Preste atenção na diferença entre seus discursos e suas ações. Ser bom e importar-se com os outros são qualidades nobres, mas sem a capacidade de discernir as verdadeiras intenções e proteger-se contra manipulações e falsidades, corremos o risco de nos tornarmos vítimas de pessoas que não compartilham dos mesmos valores. A malícia, neste contexto, torna-se uma ferramenta vital para manter nossa integridade e bem-estar em um mundo repleto de intenções nem sempre claras.

terça-feira, 18 de junho de 2024

A Jornada de um Espadachim: Explorando a Diversidade das Artes Marciais

 Olá, queridos leitores!

Estou reabrindo esse blog depois de um tempo. É um renascimento.

E hoje, gostaria de compartilhar um pouco sobre a minha jornada no mundo das artes marciais e minhas reflexões sobre a diversidade e as semelhanças entre diferentes estilos de combate com espadas.

Desde cedo, espadas sempre me fascinaram. Fosse a esgrima exagerada dos filmes da antiga Sessão da Tarde dos anos 80, com clássicos como "Príncipe Valente", "O Escudo Negro de Falworth", "Zorro" com Douglas Fairbanks, "Robin Hood" com Errol Flynn, e "Os Três Mosqueteiros" com o eterno Gene Kelly, ou espadas mágicas em desenhos como "Thundercats", "He-Man", "Darkstar" e até obras de quadrinhos como "Camelot 3000". Transformava qualquer pedaço de madeira que caísse em minhas mãos numa espada invencível.

Minha jornada nas artes marciais começou a se tornar mais séria quando entrei no Instituto Niten, onde treinei sob a orientação do sensei Jorge Kishikawa. De lá, passei alguns anos na atividade recreativa de boffer swordplay e, mais recentemente, desde 2023, tenho me dedicado intensamente ao caminho da espada novamente.

Treinei também na escola Chien no Senshi, fundada pelo sensei João Martins, e sou autodidata em esgrima alemã (inspirada nos ensinamentos de Fiore dei Liberi), bem como em espada e escudo no estilo viking e medieval.

O que diferencia meu caminho é a abordagem menos ortodoxa que adoto para estudar essas artes. Não me prendo a rótulos ou formas específicas. Em vez disso, busco compreender e integrar técnicas de diferentes estilos, valorizando o aprendizado contínuo e a troca de conhecimentos entre tradições. Embora já tenha sido criticado por fugir do sistema rígido de algumas escolas, especialmente nas tradições europeias, acredito firmemente que não há limites para o que um ser humano pode aprender. Se Musashi estivesse vivo hoje, tenho certeza de que ele também buscaria dominar o escudo, a espada alemã e até mesmo o facão criolo.

Uma das coisas que mais me fascina é comparar diferentes estilos de artes marciais e observar as similaridades entre eles. Por exemplo, a postura waki-gamae no kendo é muito semelhante à postura de cauda longa ou portão de ferro na esgrima europeia. Essas comparações me instigam e me motivam a aprender cada vez mais.

No entanto, enquanto algumas posturas são semelhantes, outras técnicas diferem completamente. O trabalho de pés (footwork) é um ótimo exemplo dessas diferenças. No kendo, usamos o suri-ashi, um passo deslizante básico que proporciona estabilidade e rapidez. Na esgrima europeia, o footwork é mais variado e adaptável, focando em deslocamentos precisos e rápidos. Já na esgrima crioula, com facão e capa, utilizamos o jingado, um estilo mais fluido e rítmico, influenciado pelas danças locais.

Além das técnicas físicas, gosto de integrar filosofia em meus estudos de esgrima. Especialmente a filosofia estoica (inspirada por Marco Aurélio e Sêneca) e a pragmática (influenciada por Maquiavel). A meditação oriental, conhecida como moku-sô, também desempenha um papel importante em minha prática, ajudando a manter o foco e a clareza mental.

Minha jornada é uma busca contínua por conhecimento e entendimento das artes marciais. Ao deixar de lado as querelas entre estilos e escolas, acredito que podemos expandir nosso horizonte e nos tornar melhores praticantes e conhecedores da filosofia inerente à espada.

Espero que este texto inspire outros a seguir um caminho similar, buscando sempre aprender e crescer, sem se limitar a rótulos ou tradições específicas. Vamos juntos explorar o maravilhoso mundo da espada e suas inúmeras possibilidades!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

É possível inovar no swordplay?

 Temos uma proposta inovadora para o swordplay!

Cara, quantas vezes eu já ouvi discursos parecidos com esse? Medir a inovação no swordplay é uma tarefa desafiadora por várias razões...

Primeiro, a definição de inovação no contexto desportivo qualquer inovação válida exige resultados concretos, o que é difícil de medir quando uma “inovação” está em estágio inicial. Seja uma estratégia tática aparentemente radical ou uma melhoria incremental, como prever seu impacto futuro? É literalmente “pagar para ver”.

Segundo, o grau de inovação no desporto pode ser subjetivo. Um líder que conhece diferentes abordagens táticas e estratégias utilizadas por equipes ao redor do mundo pode considerar uma ideia não inovadora, simplesmente porque já a viu em prática em outro lugar.

Terceiro, perceber a inovação no swordplay muitas vezes requer uma mente aberta para mudanças e novas ideias. No entanto, com o tempo, sua eficácia foi comprovada, e outras equipes passaram a adotar elementos dessa abordagem tática. Em bom português brasileiro: você tem que fazer diferente de todo mundo e tem que dar certo.

Quarto, o próprio grupo pode ser o maior entusiasta de suas próprias ideias, o que pode dificultar a avaliação objetiva das estratégias e táticas. Por isso, é crucial buscar feedback dos jogadores, e das pessoas em volta para entender como as inovações estão sendo percebidas e se estão gerando os resultados esperados.

A verdadeira inovação em um time desportivo só pode ser medida ao longo do tempo, com base em resultados tangíveis e na sua aceitação e adoção pela comunidade. Um time de sucesso é aquele que combina ideias inovadoras com uma execução eficaz, talento individual e trabalho em equipe.

Apesar dos obstáculos, a inovação é primordial neste esporte, pois pode levar a técnicas e estratégias que proporcionam vantagens competitivas. Para superar esses desafios, algumas dicas podem ser úteis:

Pensar fora da caixa: Ok, parece jargão de coach de liberalóide, mas escuta um pouquinho... No swordplay, pensar de forma criativa pode levar a novas estratégias e abordagens inovadoras não apenas no campo de batalha, mas na dinâmica do grupo intrapessoal ou extra-pessoal. Além disso, buscar patrocínios ou apoios externos pode ser uma alternativa para obter recursos para treinamento e equipamentos.

Analisar riscos: Assim como em qualquer esporte, a inovação no swordplay envolve riscos. É importante ter um plano de gestão de riscos para minimizar as chances de fracasso e garantir que as novas técnicas ou táticas sejam implementadas com segurança. Normalmente deixar alguém – uma pessoa, grupo ou comissão para cuidar disso enquanto o resto do pessoal executa.

Medir os resultados: Mesmo que o retorno esperado não venha no curto prazo, mensurar e mostrar os resultados em outras áreas. Além do desempenho em combate, a inovação no swordplay pode ser avaliada pela capacidade de atrair novos praticantes e pela reputação do grupo. Mensurar esses resultados pode fornecer insights valiosos sobre o impacto das inovações.

Investir em engajamento: No swordplay, um ambiente de treinamento que valoriza o engajamento dos praticantes e promove uma cultura de colaboração pode ser fundamental para a implementação bem-sucedida de novas técnicas e estratégias.

Incentivar a comunicação: A comunicação eficaz entre os praticantes, coordenadores e líderes de equipe é essencial para garantir que as inovações sejam compreendidas e implementadas de forma eficiente. O feedback constante também pode ajudar a aprimorar as inovações ao longo do tempo.

E, como dica final: ao apresentar uma nova estratégia ou abordagem inovadora para seu time, evite usar demasiadamente a palavra "inovador". Em vez disso, destaque os diferenciais e benefícios da sua proposta, deixando que os outros reconheçam sua inovação por si mesmos.

domingo, 20 de agosto de 2023

Treinando para vencer

No mundo do swordplay, onde cada movimento é uma dança coreografada de destreza e estratégia, o treinamento físico desempenha um papel fundamental no aprimoramento das habilidades marciais de um combatente. Assim como o ferreiro forja a espada, lapidando cada detalhe para criar uma lâmina perfeita, o guerreiro do swordplay molda seu próprio corpo e mente para se tornar uma força imparável no campo de batalha.

O treinamento físico é mais do que apenas ganhar músculos e resistência. É a busca incessante pela excelência que transforma um novato curioso em um mestre habilidoso. Cada repetição de um movimento básico é como o golpe do martelo na forja, fortalecendo os músculos e os reflexos necessários para a maestria. O guerreiro do swordplay mergulha nas profundezas do treinamento, repetindo cortes, defesas e movimentos até que se tornem uma extensão natural de seu ser.

O condicionamento físico não apenas aumenta a resistência, mas também aprimora a coordenação e a agilidade. Um combatente ágil é capaz de se esquivar dos ataques inimigos com uma graça felina, enquanto a coordenação afiada permite uma execução perfeita de técnicas complexas. Cada salto, giro e desvio é aprimorado pelo treinamento meticuloso, tornando o guerreiro uma força de movimento fluido e imprevisível.

No entanto, o verdadeiro poder do treinamento físico é espelhado pelo desenvolvimento mental que ele inspira. A mente de um guerreiro bem treinado é resiliente como a lâmina de sua espada, capaz de manter a calma sob pressão e tomar decisões instantâneas. A concentração aguçada e a capacidade de ler os movimentos do adversário são habilidades que se desenvolvem através da prática contínua.

Assim como um espadachim hábil considera a harmonia entre sua lâmina e seu corpo, o guerreiro do swordplay busca equilibrar o físico com o espiritual. O treinamento físico é o alicerce sobre o qual o guerreiro constrói sua mestria, mas é o desenvolvimento da força interior, da honra e da compreensão das artes marciais que completa a jornada.

Portanto, no mundo do swordplay, o treinamento físico não é apenas uma rotina de exercícios, mas um ritual sagrado de autodescoberta e evolução. Através do suor, da perseverança e da busca incessante pela perfeição, o guerreiro transcende seus próprios limites, tornando-se uma encarnação viva da arte que pratica - uma dança dinâmica de habilidade, coragem e determinação.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Massivas e encontros

As massivas do swordplay, eventos de confrontos épicos entre grupos de combatentes, enfrentam desafios relacionados ao comportamento inadequado e à falta de fair play. Um dos principais problemas é a dificuldade em confiar na palavra de estranhos pertencentes a outros times, o que prejudica a experiência dos participantes. Além disso, a falta de moderação e de conscientização sobre condutas adequadas resulta em frustrações recorrentes.

Para solucionar essas questões, é essencial estabelecer regras claras de conduta, comunicando-as amplamente a todos os envolvidos. É importante também fomentar a responsabilidade individual, encorajando cada participante a agir com ética e respeito durante os combates. A educação contínua sobre fair play, por meio de workshops e palestras, pode reforçar a importância do respeito mútuo e da integridade física.

Monitoramento e moderação são fundamentais para garantir a aplicação das regras e intervir em casos de comportamentos inadequados. Promover o diálogo construtivo entre os grupos participantes estimula a comunicação aberta e a resolução pacífica de conflitos. Reconhecer e destacar exemplos positivos de comportamento exemplar é uma forma de incentivar a adoção de condutas adequadas por parte de todos.

É essencial reforçar os valores comuns compartilhados pelos praticantes de swordplay, como o amor pelo esporte, a camaradagem e a busca pela diversão, enfatizando a incompatibilidade desses valores com atitudes desrespeitosas.

Conscientes de que a mudança de cultura leva tempo, é fundamental persistir nas tentativas de conscientização, reforçando constantemente a importância do respeito mútuo e do fair play. Por meio da implementação dessas soluções, é possível criar um ambiente mais saudável e positivo nas massivas do swordplay, garantindo que todos os participantes desfrutem plenamente da experiência.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Despedidas

Caros amigos e membros dos Lordes de Ferro,

 

É com grande pesar que me dirijo a vocês hoje para dizer que nosso grupo chegou ao fim. Como sabemos, tudo chega a um fim, mesmo as coisas boas. Infelizmente, chegou a hora de seguir em frente e cada um seguir seu caminho.

Quero agradecer a todos vocês pela incrível jornada que tivemos juntos. Foram tempos de muitas risadas, conquistas, desafios e momentos inesquecíveis. As lembranças que fizemos juntos ficarão para sempre em nossos corações e mentes.

Entretanto, também preciso reconhecer que não se pode fazer um grupo sozinho. A relação entre as partes é fundamental para que as coisas funcionem bem. Infelizmente, não foi sempre esse o caso. Muitas vezes, senti-me sobrecarregado e incapaz de arcar com tudo sozinho, e mesmo assim, ainda recebi ingratidão de algumas pessoas.

Embora eu tenha muito orgulho do que conquistamos juntos, também preciso falar sobre algumas questões que surgiram e que contribuíram para a nossa decisão de encerrar as atividades. Ao longo do tempo em que estivemos juntos, muitos dos gastos financeiros recaíram sobre minhas costas. Eu investi muito tempo, dinheiro e energia pessoal na organização de treinos, passeios e treinos conjuntos, bem como na compra de equipamentos necessários para o funcionamento do grupo. Infelizmente, apesar desses investimentos, alguns de vocês nunca contribuíram sequer com a gasolina dos passeios aos treinos conjuntos.

Além disso, alguns membros do grupo expressaram desconfiança em relação às minhas decisões e à forma como gerenciei o grupo. Isso é algo que realmente me magoa, especialmente porque investi tanto do meu tempo e recursos pessoais para fazer o grupo funcionar da melhor forma possível.

Quero enfatizar que não estou tentando ser mesquinho ao mencionar essas questões. No entanto, é importante que elas sejam abordadas e discutidas abertamente, para que possamos entender melhor o que aconteceu e aprender com essas experiências no futuro.

Apesar disso, não quero que isso manche a nossa história. Nosso grupo, Lordes de Ferro, foi algo especial e único, e tenho orgulho de ter feito parte dele. É hora de seguir em frente e seguir nossos próprios caminhos, mas as lembranças que compartilhamos permanecerão conosco para sempre.

Gostaria de agradecer a todos vocês novamente, e espero que continuemos a nos manter em contato e a apoiar uns aos outros em nossas futuras empreitadas. Quero agradecer a todos vocês pelo tempo que passamos juntos, pelas lembranças que fizemos e pelas experiências que compartilhamos. Desejo a todos o melhor em suas futuras aventuras e que todos sejam muito felizes. Espero poder cruzar espadas novamente com vocês algum dia.

 

Muito obrigado, e até breve!


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Domine sua espada e melhore sua prática

 O domínio da espada é uma habilidade fundamental para qualquer praticante de artes marciais, e em particular para aqueles que se dedicam ao boffer swordplay, um desporto que simula combates com espadas de espuma. Ter um bom domínio da espada significa ser capaz de controlar sua arma de forma precisa e eficiente, tendo uma boa postura, movimentos fluidos e uma estratégia bem definida. Neste texto vamos apresentar algumas dicas e técnicas para melhorar o domínio da espada, para que você possa se tornar um praticante mais habilidoso e confiante.

Antes de tudo, é importante que você conheça bem sua arma, entendendo suas características, limitações e potencialidades. No caso do boffer swordplay, as espadas de espuma podem variar em tamanho, peso, rigidez e outras características. Cada arma tem suas próprias particularidades, que devem ser levadas em conta na hora de treinar e competir. Por exemplo, uma espada mais leve pode ser mais rápida e ágil, e deve oferecer menos impacto nos golpes. Já uma espada mais pesada pode ser mais lenta, mas pode ter uma defesa mais confiável, aparando golpes com segurança. É importante experimentar diferentes tipos de espadas e descobrir qual se adapta melhor ao seu estilo de luta e ao seu biótipo corporal.

A postura é um elemento fundamental do domínio da espada. Uma postura adequada ajuda a distribuir o peso do corpo de forma equilibrada, facilitando os movimentos de ataque e defesa e evitando lesões. A postura correta deve ser firme, mas não rígida, com os pés afastados na largura dos ombros, os joelhos ligeiramente flexionados, o tronco ereto e os ombros relaxados. Mantenha as mãos sempre em posição de guarda, com a espada em uma mão e o escudo ou outra arma de defesa na outra. Lembre-se de manter o olhar fixo no adversário, para antecipar seus movimentos e reagir de forma rápida e eficiente.

Existem alguns movimentos básicos que são fundamentais para o domínio da espada. Entre eles estão o corte, a estocada, o bloqueio e o desvio. Cada um desses movimentos deve ser praticado de forma isolada, para que você possa aprimorar sua técnica e adquirir confiança na hora de executá-los durante um combate. O corte é um movimento de ataque, em que a espada é movida de cima para baixo ou para os lados, visando a perna, o braço ou o tronco do adversário. A estocada é um movimento de ataque direto, em que a espada é apontada na direção do adversário, visando seu abdômen ou o peito. O bloqueio é um movimento defensivo, em que a espada é usada para desviar um ataque do adversário. Já o desvio é um movimento de defesa mais avançado, em que a espada é usada para desviar um ataque e ao mesmo tempo contra-atacar.

Outra dica importante é se concentrar em sua postura e respiração enquanto manuseia a espada. Uma postura correta ajuda a melhorar o controle da arma, enquanto uma respiração adequada ajuda a manter a calma e o foco durante o combate.

A prática com um parceiro é fundamental para melhorar o domínio da espada, pois permite simular um combate real e ajuda a desenvolver habilidades como velocidade, precisão e estratégia. É importante encontrar um parceiro de treino que esteja disposto a praticar regularmente e que possua um nível semelhante ao seu.

Durante o treino com um parceiro, é importante estabelecer regras claras para evitar acidentes. Use equipamentos de proteção adequados, como capacete, protetor bucal, luvas e colete de proteção. Além disso, comece com movimentos lentos e simples e, gradualmente, vá aumentando a velocidade e a complexidade dos movimentos.

Assistir a vídeos de espadas pode ser uma excelente forma de aprender novas técnicas e aprimorar seu domínio da arma. Há muitos vídeos disponíveis online que mostram desde técnicas básicas até movimentos avançados e combates simulados.

Ao assistir a esses vídeos, preste atenção nos detalhes dos movimentos, na postura dos praticantes e na forma como eles se movem em relação ao seu oponente. Tente replicar esses movimentos em seus treinos e adapte-os de acordo com seu estilo e preferências.

Já comentamos antes, mas praticar com diferentes tipos de espadas pode ajudar a melhorar o domínio da arma, pois cada tipo tem suas próprias características e desafios. Ao praticar com diferentes tipos de espadas, preste atenção nas diferenças em relação ao peso, ao balanço e à forma como a espada se move. Isso pode ajudar a desenvolver uma compreensão mais completa da arma e a melhorar seu domínio em diferentes situações de combate.

O domínio da espada é uma habilidade essencial para quem pratica esportes de combate e artes marciais. Para aprimorá-lo, é importante treinar regularmente, concentrar-se na postura e na respiração, praticar com um parceiro, assistir a vídeos de espadas e experimentar diferentes tipos de espadas.

Além disso, é importante lembrar que o domínio da espada é uma jornada constante e que exige dedicação, paciência e perseverança. Com a prática adequada e a orientação correta, é possível desenvolver um domínio excepcional da arma e se tornar um praticante habilidoso e respeitado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Os benefícios sociais da prática do swordplay

Além de ser uma prática esportiva divertida, o swordplay vem funcionando como uma prática integrativa social com muitas qualidades e inúmeros benefícios tanto para indivíduos que praticam quanto para a comunidade que circunda a prática como um todo. Aqui estão alguns dos principais benefícios:


Saúde física e mental: É consenso científico que a atividade física regular pode melhorar a saúde física e mental, reduzindo o risco de doenças como hipertensão, obesidade e depressão.


Conexão social: As atividades desportivas comunitárias oferecem uma oportunidade para as pessoas se conectarem e se relacionarem com outras pessoas da comunidade, construindo relacionamentos positivos e fortalecendo laços sociais. Essas grupos normalmente "furam as bolhas” criadas artificialmente pelos algoritmos das redes sociais, permitindo uma troca de experiências mais autêntica e verdadeira. 


Inclusão social: Atividades esportivas comunitárias podem ajudar a promover a inclusão social de grupos marginalizados, oferecendo-lhes uma oportunidade de participar de atividades físicas e sociais. Além disso, por seu número limitado de participantes muitos grupos oferecem uma estrutura com laços de amizade que se assemelha a uma grande família, oferecendo locais seguros onde cada membro pode agir de acordo com a sua natureza. 


Liderança e habilidades de trabalho em equipe: As atividades propostas pelos grupos de swordplay podem desenvolver habilidades de liderança e trabalho em equipe, ajudando os indivíduos a desenvolver habilidades valiosas para a vida.


Melhoria da saúde: Ao promover atividades físicas regulares, as atividades desenvolvidas pelo swordplay podem contribuir para uma comunidade mais saudável, ajudando a reduzir o risco de doenças e promovendo um estilo de vida mais ativo. Não é incomum que o swordplay seja a primeira atividade física prazerosa de algumas pessoas, abrindo as portas para outras formas de movimentação do corpo.  


Fomento do espírito comunitário: As atividades do swordplay podem ajudar a fomentar o espírito comunitário, promovendo a união e a colaboração entre os membros da comunidade.


Cuidado com o bem público: Como a grande maioria dos grupos no Brasil treinam em parques urbanos e praças nas cidades, é comum que os próprios membros se envolvam ativamente na conservação e melhora desses espaços. 


A prática do swordplay pode fortalecer laços de amizade existentes ao fornecer uma oportunidade para as pessoas compartilharem uma atividade comum, trabalharem juntas em um mesmo objetivo e desfrutarem de momentos de camaradagem e interação social. Além disso, a competição saudável e o espírito de equipe também podem ajudar a fortalecer os laços de amizade.


Em resumo, a prática esportiva comunitária pode oferecer muitos benefícios para as pessoas e para a comunidade. Venha descobrir como ela pode afetar a sua vida: Venha treinar com algum dos inúmeros grupos do Brasil.


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Jugger Brasileiríssimo no EBSB 2022!

 

O que é o Jugger, que vai ser jogado no EBSB 2022?

O Jugger é um esporte criado em meados da década de 90 na Alemanha, baseado no filme "The Salute of the Jugger" (também chamado "The Blood of Heroes"). No filme, que se passa em um cenário pós-apocalíptico, o único entretenimento das pessoas é um esporte sangrento chamado de Jugger, onde dois times de cinco jogadores armados disputam a posse de um crânio de cachorro, sendo o vencedor o que primeiro conseguir cravar o tal crânio na estaca do oponente.

Basicamente o esporte é isso: dois times de cinco jogadores armados (com armas acolchoadas) disputando a posse de (uma réplica de) um crânio de cachorro, sendo o vencedor aquele que conseguir cravar o tal crânio por mais vezes na estaca do oponente.

Os primeiros registros do jogo no Brasil datam de 2011, em Sorocaba – SP, quando o pessoal fez o primeiro jogo em solo brasileiro. O primeiro torneio brasileiro teve palco em 2013 no Parque Vila Lobos, São Paulo – SP. Apesar de não ser muito conhecido no Brasil (muita gente confunde com o troll ball), o jugger conta com associações fortes pelo mundo afora como a Australian Jugger League (Austrália), Competitive Underground Jugger League (EUA), Die Jugger (Alemanha), Jugger Ireland (Reino Unido), Jugger Nederland (Holanda), Jugger Sverige (Suécia), Liga Valenciana de Jugger (Espanha) entre outros.

E o que vai ser jogado no EBSB é o mesmo do resto do mundo?

A resposta é não. Queremos uma coisa mais voltada para o nosso jeito de jogar Swordplay e por isso fizemos algumas modificações nas regras. Mas se você nunca jogou Jugger não precisa se preocupar... Vai ter quem explique as regras no dia do evento. Abaixo seguem as principais regras.

Jugger -  Versão Swordcate

Cada time é composto por seis jogadores. Um corredor e cinco protetores. Ganha aquele time que fizer mais gols dentro do tempo regulamentar. No original europeu esse gol é feito encaixando uma réplica de cabeça de cachorro numa estaca. Não gostamos da ideia de usar uma réplica de cabeça de cachorro (que mau gosto, eca!). Por isso usamos uma bandeira que tem que ser encaixada dentro de um tijolo de seis furos.

Os protetores são os únicos jogadores que podem usar armas, mas não podem tocar na bandeira, de forma alguma. Cada time de protetores se organiza com o arsenal que deseja usar. São permitidos arcos, flechas, lanças, combinações de arma com escudo, dual, armas de arremesso... não faz diferença. Flechas e armas de arremesso só podem ser recuperadas depois que se marca um gol e que a bandeira volta ao centro do campo.

O segundo tipo de jogador é o corredor. Ele é o único que pode carregar a bandeira, mas não pode portar/usar nenhum tipo de arma. Ele também é o único jogador que pode agarrar o outro corredor e tomar a bandeira dele “na mão grande”. Mas esse “tomar do outro” tem que ser com jeitinho, para não machucar. Pô, fiquem de boa, aqui não é futebol americano nem muito menos rúgbi.

O tempo na partida é muito importante. Tudo gira em torno dele. Cada jogo é feito com dois tempos de 100 pedradas (cada pedrada dura 1,5 segundos), algo em torno de 2 minutos e meio. Não se preocupem que no dia vai ter caixas de som bombando esse “tam-tam-tam...” sem fim.  As pedradas não param de soar durante toda a partida, exceto em dois momentos onde ele tem uma pausa (parando o tempo de jogo da mesma forma): No caso de uma falta grave ou quando um dos times marca gol, no tempo que leva trazer a bandeira ao centro do campo.

Continuando... cada jogador tem apenas 1 pontinho de vida. Bateu, tombou. No caso de golpes ao mesmo tempo conta como válido aquele que acertou primeiro. Ao ser atingido um jogador se ajoelha imediatamente e põe sua arma para trás. Se for um corredor ele tem por obrigação soltar a bandeira. Cada jogador “caído” deve então prestar atenção nas pedradas. Depois de contar dez pedradas ele está de volta ao jogo.  Jogadores derrubados não falam. Dead man tell no tale, tá ligado?

Você pode manter um jogador adversário caído no chão. Basta manter sua arma sobre o ombro dele. Uma vez a arma retirada o jogador pode levantar depois de contar simplesmente “um-dois”. Ele não precisa levantar para desferir nenhum golpe. Depois de levantar sua arma a primeira vez você pode manter o cara no chão, mas dessa vez ele pode agir imediatamente depois de você tirar a arma do ombro dele. 

A partida começa com os dois times atrás da linha do gol. Um dos árbitros coloca a bandeira no centro do campo e soa um apito. Os dois grupos estão livres para correr atrás da bandeira e marcar seus pontos.

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Você é mesmo Honrado?

Honra, proveniente do latim honor, indica a própria dignidade de uma pessoa, que vive com honestidade e probidade, pautando seu modo de vida nos ditames da moral. É o princípio que leva alguém a ter uma conduta virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade. Honrado é predicado que nasce de julgamento determinante do caráter de uma pessoa: se ou não a pessoa reflete honestidade, respeito, integridade ou justiça.

Portanto, para nós, honra é quando agimos de forma correta, dentro dos ditames da sociedade e dentro daquilo que espera que nós façamos. Se eu contrato um produto ou serviço por um valor previamente acertado, recebo o tal produto ou serviço, é esperado de minha parte que eu haja com honradez e que efetue o pagamento combinado. E daí que vem a expressão "honrar seus compromissos".

No mundo de relações líquidas que vivemos hoje, falar de honra parece ser como falar de fantasia em meio a uma dura realidade. Até porque a história humana está recheada de eventos em que fatos deploráveis foram feitos em nome de uma suposta honra pessoal. Como podemos falar de honra no mundo moderno em que vivemos?

Para entender essa relação precisamos entender a diferença daquilo que é e daquilo que parece ser. Aquilo que é, simplesmente é. É a assunpção da verdade. Em outras palavras é atitude. Aquilo que parece ser normalmente apenas parece ser, mas não é. O que parece ser é na verdade apenas isso, aparência ou até postura. Um homem que se veste de forma elegante, fala manso e educado parece ser um cidadão de bem. Essa é a sua postura, mas só vamos saber se ele é um cidadão de bem mesmo quando avaliamos aquilo que ele faz, as suas atitudes. Um pastor que brada contra o pecado tem postura, um padre como o Júlio Lanceloti tem atitude.

E por que é que eu estou falando tanto de honra até aqui? Porque existem dezenas de grupos de Swordplay no Brasil afora que usam a palavra “honra” como parte de seus slogans ou motes pessoais, mas quando você vai observar a atitude dessas pessoas elas têm pouco ou nada de honra.

Ao longo desses sete anos que eu jogo Swordplay eu já pude ver muitas atitudes desonrosas, de pessoas que arrotavam honra para cima e para baixo. No EPS deste ano aconteceram fatos que me foram narrados por uma pessoa cuja honra é ilibada e eu acredito piamente em suas palavras.

Ele me contou que viu, enquanto estava em linha junto com seus comandados, um de seus jogadores foi atingido na cabeça por uma lança. Todos nós aqui sabemos quais são as penalidades previstas dentro das regras do EPS para esse tipo de conduta, mas o jogador que atingiu esse rapaz na cabeça não se moveu para sair da linha. Confrontado com o que tinha feito ele deu de ombros e disse simplesmente: “qual é o problema, vai chorar?”

No outro momento do mesmo dia, um rapaz acertou com uma flechada o peito de um adversário da mesma equipe que tinha dado problema mais cedo. Neste caso a pessoa atingida não apenas não saiu do campo como preferiu ameaçar o arqueiro dizendo que "se você atirar outra flecha em mim, eu vou até aí quebrar a sua cara".

Isso sem falar dos eternos highlanders e mimizentos que não aceitam perder em hipótese alguma. Nunca vou me esquecer do EPS de 2017 quando eu ouvi de uma pessoa deste mesmíssimo grupo a seguinte frase: "não foram eles que ganharam essa rodada, foi a gente que perdeu".

As pessoas precisam entender que honra não é apenas uma palavra bonita para ser solta aos quatro ventos quando você grita o grito de guerra do seu time. Honra é uma atitude que tem que ser exercitada todos os dias, juntamente com outras virtudes como a temperança, o respeito, a integridade, o altruísmo, a integridade, a justiça... Você não pode, ou melhor, não deveria poder, pagar de honrado na internet quando no momento de pura irreflexão você descumpre tudo o que tinha sido acertado previamente por conta apenas de suspeitas e boatos. Ou seja por conta das fantasias e caraminholas da sua cabeça você deixou de honrar com a sua palavra.

Propositadamente eu não vou dizer que grupo, ou a que grupos, pertencem as pessoas que usam a palavra honra em seus motes e slogans, mas que na verdade não agem de forma honrada no campo de batalha ou na vida cotidiana. Mas vou deixar até aqui como uma reflexão. Será que eu pareço ser uma pessoa honrada ou eu sou realmente uma pessoa honrada?

Para resumir, podemos dizer que a honra é um triunfo do altruísmo versus o egoísmo. Pensar mais na comunidade e menos em você. Não seria mais confortável para o indivíduo abandonar suas dívidas em vez de pagá-las? E deixar os indefesos se virarem, em vez de ajudá-los? Mas imagine só como o mundo seria hostil se todos agissem dessa maneira.

As pessoas precisam ter muito cuidado ao agir em defesa da honra, porque é comum confundir as nossas crenças pessoais com a moral verdadeiramente nobre. Devemos ter uma alta dose de humildade nessa hora. Talvez a melhor maneira de agir honradamente é se perguntando: “Como eu gostaria de ser tratado se estivesse no lugar dessa pessoa?” A resposta sempre será “com compaixão”. Então se esforce para desenvolver a empatia. E seja honrado de verdade.

domingo, 3 de julho de 2022

O desafio do Irmão Corvo.

 

E um dia o corvo falou para o urso:

- Poderoso Urso, penso que seu desafio não é muito complicado não. Aliás, ele é até fácil.

- Como assim Corvo?

- Veja bem... o rei da arena ganha os poderes do urso. Mata com um golpe, tem o tempo a seu favor e tem pontos de vida cheios. Desafio seria o contrário. Se o rei da arena fosse fraco e todas as vantagens fossem para o competidor. Fraco como um corvo... e assim a sua astúcia e habilidade prevaleceriam.

- Suas palavras têm o eco da razão, Corvo. Vamos tentar.

 

E assim fizemos. O desafio do irmão corvo é um desafio de arena. O corvo entra na arena com apenas um ponto de vida. Mas os seus oponentes entram na arena com três pontos de vida. O corvo tem que vencer seu oponente sem levar nenhum dano. Em caso de golpes simultâneos o golpe do corvo conta como primeiro golpe. A cada golpe bem-sucedido a luta é para
da e o oponente atingido diz onde o golpe pegou. O corvo tem que derrotar todos os membros da arena, numa única sequência, sem ser derrotado nenhuma vez.

Experimentem na casa de vocês e nos digam como foi!

 

domingo, 19 de junho de 2022

Características e Peculiaridades

 Características e peculiaridades

 

Uma das coisas que eu mais gosto a respeito dos grupos de swordplay do Brasil é a pluralidade de ideias, conceitos, equipamentos e estilos. Dentro da mesma cidade, dois grupos podem ser tão diametralmente opostos que a única coisa que eles têm em comum é que eles jogam espadinhas.

Vai ver é por isso que eu acho que é muito complicado fazer qualquer tipo de padronização da prática. Cada grupo tem sua própria visão sobre o assunto das espadinhas. E cada visão é extremamente válida porque serve, pelo menos em tese, a pelo menos aquele grupo em questão.

Daí, pensando nisso eu resolvi trazer algumas peculiaridades dos grupos do Brasil à fora. Por uma questão de puro bom senso eu não vou dar nomes aos bois. Vou apenas colocar, de forma bem genérica, a região do Brasil que eles se encontram. Acompanhe e veja se o seu grupo ou algum grupo que você conhece aparece na nossa listinha.

Tem um grupo no centro-oeste brasileiro que tem uma estrutura hierarquizada muito forte. Além de pagar para poder frequentar os treinos (nada barato - cerca de R$50,00 por mês, ou R$12,50 por treino) você ainda tem que acatar a decisão do líder do grupo que escolhe com que arma você vai lutar. Azar seu se você gostar do equipamento escolhido ou não.

Na mesma região tem um grupo que cria apelidos para os membros. A pessoa não pode escolher o seu apelido e nem mesmo trocar de apelido. Se você não gosta do apelido é melhor aceitar ou “a porta da rua é a serventia da casa”.

Um grupo do sul do Brasil só permite que você treine com armas e equipamentos feitos pelos ferreiros e artesãos do grupo. Espadas, tabardos e escudos devem ser encomendados aos ferreiros e artesãos do grupo. Você não pode usar equipamento não sancionado (leia-se vendido) pelo grupo. Uma espada de cano PVC coberta com isotubo e espaguete de piscina (modelo magnus legio), de 90 cm sai por R$75,00 e um tabardo pode chegar facilmente a R$125,00. Se você quer fazer seus próprios equipamentos ou sabe costurar bem, fique longe.

Um grupo situado no nordeste brasileiro exige uma idade mínima de 21 anos para que a pessoa possa pleitear uma vaga de treino. Pleitear, sim senhor. O postulante a membro deve assistir pelo menos 4 treinos (de platéia, sentadinho) e passar por uma entrevista de intenções com o líder do grupo. Depois disso, ele passa de 1 a 2 anos em estágio probatório antes de ser efetivado como membro. Ao fim do estágio probatório ele pode ser ou não efetivado como membro e pode ser descartado em qualquer momento do processo, sem grandes explicações. Eu já vi bancas de concurso público mais simples de passar do que isso.

Um grupo do sudoeste tem um sistema de punições físicas para os membros que cometem infrações no treino. Um golpe em área proibida (cabeça, pescoço, genitais, etc.) pode gerar de 5 a 25 flexões de braço por acerto. Mesmo que tenha sido acidental. Discutir com a direção garante uma punição de 50 sapinhos. Dependendo do seu estabano ou rebeldia você vai sair de lá monstrão.

Noutro grupo do sudoeste existe uma regra de tolerância de tempo e assiduidade. Se você não vai treinar, deve avisar com antecedência aos Administradores do grupo. Treinos faltosos não justificados geram punição que podem chegar até mesmo a expulsão do membro. Existe também uma tolerância de 30 minutos depois do começo do treino. Pessoas que estouram essa tolerância podem ser punidas com restrição de equipamento ou mesmo com a expulsão do grupo caso a frequência de atrasos seja elevada. Coloque o despertador bem mais cedo no dia do treino.

Sinceramente? Não gosto dessas coisas muito complicadas ou metidas à besta. Regras muito chatas ou caras apenas fazem com que as pessoas se afastem desses grupos na minha opinião. E você e seu grupo? Tem alguma peculiaridade que gostaria de ver aqui? 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Traidor/Assassino

 

Traidor

 


Traidor é um jogo/ modalidade de swordplay. Os jogadores são divididos em dois times, com um rei cada um. Com os times em fila, de costas uns para os outros. O juiz do jogo escolhe, aleatoriamente, um jogador de cada time como um traidor.

Esse traidor vai agir como um jogador normal, mas, dado um determinado aviso ele deve tentar matar o rei do seu lado. Ou pelo menos tentar. A partida é encerrada quando um dos reis é eliminado, seja pelo assassino ou por membros do outro time.

Ao final da partida os jogadores traidores s apresentam.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Relato de treino - 06 de fevereiro de 2022

Neste domingo, mesmo sob o risco de chuva intensa, fizemos mais um treino. Começamos com o tempo super fechado, mas depois o tempo abriu e o sol brilhou forte, como se estivesse abençoando nosso desafio. Começamos o treino com os jogadores que chegaram pontualmente na hora.

Após o aquecimento partimos para a segunda parte da dinâmica dos “dez golpes de Grey”, uma sequencia de dez golpes básicos que usamos com espada no swordplay. Criado por Sir Will of Gray e disponibilizada no seu finado canal de swordplay em 2008 é uma sequencia ritmada de cortes muito bons de serem treinados. Fizemos sequencias do 1 ao 6 com seus respectivos conra-golpes. 


Depois disso passamos por uma lista de boas dinâmicas: free for all, rei da montanha, pega-bandeira à moda dos lordes e finalmente arena. Foi a primeira vez em muitos anos que eu participei do Rei da Montanha como jogador e até ganhei um round. 

06 pessoas participaram do treino.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Relato de Treino - 16/01/2022

 

Neste domingo, após semanas de chuva sem parar, tivemos um dia especialmente quente. O sol estava à pino, mas mesmo assim não nos fizemos de rogado e começamos o treino com os jogadores que chegaram pontualmente na hora.

Após o aquecimento partimos para a dinâmica dos “dez golpes de Grey”, uma sequencia de dez golpes básicos que usamos com espada no swordplay. Criado por Sir Will of Gray e disponibilizada no seu finado canal de swordplay em 2008 é uma sequencia ritmada de cortes muito bons de serem treinados. Fizemos sequencias do 1 ao 4. Depois de tanto tempo parados é uma boa forma de desenferrujar.

Depois disso passamos para a dinâmica concorridíssima de Jogos Vorazes. Divertida e cheia de estratégia.

Seguimos com pausas para hidratação. Treinar de máscara dá muito trabalho e cansa pra burro. Seguimos com free for all e depois passamos a disputa de 4x4. 

Encerramos com arena.

09 pessoas participaram do treino.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Continue semeando

As coisas que eu aprendi ao longo de toda minha vida foi que o conhecimento pode vir de qualquer lugar. E o conhecimento é bastante útil nas nossas vidas. Só existe um tipo de conhecimento que não vai te ajudar, é aquele que você não tem. Às vezes, entretanto, você tem o conhecimento, mas não sabe como usar. esse texto é sobre como usar. 


Dessa forma, quando nós mantemos os nossos olhos e ouvidos atentos para as oportunidades de aprendizado que a vida tem para oferecer, podemos adquirir tesouros inestimáveis. 


Se você me conhece sabe que eu tenho um grupo de Swordplay. O meu grupo, assim como muitos outros grupos do Brasil inteiro, passou um longo período sem poder treinar por conta da epidemia do coronavírus. Só muito recentemente conseguimos fazer dois treinos de teste e mesmo assim, mantendo todas as normas sanitárias de distanciamento social. Garanto para você que treinar de máscara não é a melhor coisa do mundo, mas é bem melhor do que não treinar. 


Ontem eu estava revendo os arquivos de imagens para fazer a postagem de convite no Instagram quando me deparei com uma foto onde o grupo contava com mais ou menos 40 pessoas. Num lugar como Distrito Federal, especialmente uma cidade periférica como é o caso da cidade do Gama, reunir 40 pessoas para um treino de Swordplay é um fato digno de nota. É muito mais do que grupos famosos no Rio de Janeiro e São Paulo conseguem fazer. E por um momento eu fiquei preso à nostalgia do passado, pensando como era bom quando o grupo era daquele tamanho. 


Remoendo essa sensação e lembrei de uma parábola da Bíblia que foi dita para mim durante um treinamento numa das muitas escolas que eu trabalhei. Com Certeza você já ouviu falar da parábola do semeador. E é justamente sobre esta parábola, os efeitos que teve sobre mim naquele momento de nostalgia, que eu quero falar com vocês hoje.


Mas antes de começar a parábola propriamente dita é preciso que você atente para dois fatos muito importantes. O primeiro deles é que se tratava de um semeador muito ambicioso. Se você ler o texto com atenção vai perceber que a atitude dele era atitude de uma pessoa ambiciosa, mas não no sentido mesquinho de ambição e sim no sentido de nos empurrar para frente, de fazer com que busquemos o nosso melhor. E o segundo ponto que eu quero colocar antes de começar a parábola é que a semente que ele tinha era de excelentíssima qualidade. 


Diz a parábola: 

“O semeador saiu a semear. Quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram-na”. 


Quando colocamos a parábola em perspectiva percebemos que o cara que toca o treino, ou o cara que fundou o grupo, ou ainda o cara que é o líder do clã, é o Semeador. Enquanto ele semeava, uma parte de suas sementes caiu à beira do caminho e vieram as aves e tiraram a barriga da miséria. 

Entenda que alguns dos caras simplesmente não vão aparecer. Não vão dar nem mesmo uma justificativa pelo WhatsApp. E o que que aconteceu com eles? Bem, se você quer a minha opinião como líder de Clã, eu digo para você que os pássaros os pegaram. 

Imagine o caso de uma jogadora. Ela sabe que os treinos estão de volta e, ela sabe quando e onde os treinos vão acontecer. Mas dá 2:30 da tarde e a menina não aparece. Onde ela está? Os pássaros a pegaram. 


Antigamente eu ligaria para a jogaria e perguntaria o que aconteceu, Como se tivesse algum poder para atrair a jogadora de volta aos treinos. Só que isso é uma ilusão. Eu não posso fazer isso. Só ela tem esse poder.


Continua a parábola: 

“Outra parte caiu nos lugares pedregosos, onde não havia muita terra; logo nasceu, porque a terra não era profunda e tendo saído o sol, queimou-se; e porque não tinha raiz, secou-se”.


Esse é um dos maiores mistérios que permeiam o swordplay. Tem pessoas que você bate o olho na primeira vez que aparece no treino e diz: poxa esse sujeito não vai vir na semana que vem. Só que para sua surpresa, esse cara continua voltando semana após semana e antes mesmo que você perceba ele já é um membro valoroso do seu Clã. Da mesma forma tem aquelas pessoas que começam a treinar com a gente, muito empolgadas e dedicadas que depois simplesmente somem. O que é que aconteceu com elas? Podemos dizer com certeza que caíram em solo pedregoso e como não criaram raízes, o sol as queimou. Pode ser que aqui o sol seja qualquer coisa: um emprego que não dá folga aos domingos, algum compromisso familiar que cai exatamente no dia do treino, ou é a estreia do homem-aranha, ou qualquer outra coisa. Já vi gente faltar ao treino por causa do campeonato de lol! Essas pessoas simplesmente não criaram raízes com a gente. E assim como eu fazia com as pessoas que eram capturadas pelos pássaros, eu também tentava fazer com que essas pessoas criassem raízes. Fato é que isso não depende de mim. 


Continua a parábola: 

“Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram”.


Não consigo pensar em Espinhos mais perigosos e sufocantes do que uma família crítica. Às vezes você tá muito empolgado para treinar, mas a sua mãe vem com aquele papinho de que você já está muito grande para bater espadinha na praça com os amigos. Talvez o pessoal da sua casa faça graça com você porque você tem um hobby um pouco diferente. Seja lá qual for o motivo, no dia do treino você não está lá. E se alguém perguntar o que foi que aconteceu com você, eu vou dizer que os espinhos cresceram e te sufocaram. 


Mas então a parábola termina: “Outra caiu na boa terra e dava fruto, havendo grãos que rendiam cem, outros sessenta, outros trinta por um”.


E o que que eu quero dizer com essa análise de parábola no meio de um blog que fala de swordplay? Eu quero dizer que você administrador do seu Clã deve continuar semeando. Deve continuar convidando amigos e conhecidos para conhecer e treinar swordplay com você. Deve continuar treinando forte e com consistência. Alguns vão ser comidos pelos pássaros, outros vão ser queimados pelo sol e outros vão ser sufocadas pelos Espinhos, mas alguns deles vão cair em Boa Terra e vão dar frutos. 


E é justamente atrás desse pessoal que eu estou. Que você deveria estar. Ter saudade dos bons tempos com 40 pessoas no treino é muito bacana e sedutor. Mas o lance é que eu não posso dar atenção para esses quarenta que não vieram. Seja lá por conta dos pássaros ou por conta dos Espinhos ou por conta do Sol. Eu tenho que dar atenção para quem está lá comigo, crescendo e frutificando. 


Eu não sei se o que eu escrevi até aqui faz realmente muito sentido. Mas eu gostaria de que você que está lendo até agora, entendesse que basta continuar o seu bom trabalho e cedo ou tarde as pessoas vão chegar, vão treinar, vão ficar e vão ajudar você a construir o reino dos teus sonhos. 

 

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...