segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Swordplay das Gringas!

Swordplay nos Estados Unidos: um jeito diferente de jogar.


O João Pedro Marques Rodrigues, membro da Draikaner – SP, está passando uma temporada nos Estados Unidos e resolveu procurar um grupo por lá. Ele encontrou um chapter do Aratari, do grupo Dagorhir, sediado na Virgínia do Norte. Então ele resolveu fazer um vídeo bem amador (nas palavras dele mesmo) apresentando as principais diferenças do swordplay de lá para o swordplay daqui. Dá uma bicada no vídeo. Ficou bom.

LINK: https://www.youtube.com/watch?v=psQV_IeIZOc

Uai Betão! Se você já mostrou o vídeo do cara, você vai falar do que? – pergunta uma menina simpática enfiada numa armadura samurai completa de eva azul.

O que eu quero fazer é uma rápida dissertação sobre as diferenças. Uma boa dose de achismo e alguns conceitos de segurança super proteção.

Como todo mundo sabe o swordplay brasileiro é uma derivação do swordplay americano. Este por sua vez surgiu na década de 1970. Nos primeiros anos do swordplay no Brasil as pessoas seguiram as regras americanas. Muitos jogadores antigos (cavaleiros dinossauros) lembram-se disso. Mas com o passar do tempo os jogadores brasileiros foram adaptando essas regras para as nossas necessidades. Hoje as regras brasileiras pouco lembram as regras americanas.

Uma das principais diferenças é que no Dagorhir o golpe válido é o que acerta primeiro, vindo do movimento do braço. É fácil perceber nos vídeos certo excesso de força, enquanto que em outros temos literalmente uma seção de “porradaria” grátis. Golpes na cabeça, rosto, nuca, seios, genitais não geram advertência. Isso acaba selecionando uma variedade de jogadores altos, fortes e corpulentos. Afinal, exige-se massa muscular para bater com o boffer com muita velocidade e força. A chance de alguém se machucar usando esse tipo de regras é muito grande. Favorece especialmente jogadores grandes e corpulentos. É difícil ver um magrinho ou um baixote jogando nesses vídeos gringos.

Técnicas dos manuais Johannes Liechtenauer (esgrima alemã), Flos Duellatorum de Fiore dei Liberi (esgrima italiana), Paulus Hector Mair, Joachim Meyer e Salvador Fabris passam longe dos campos Dagorhir. “Eles parecem mais interessados em bater com a espada como se ela fosse um porrete do que cortar como se ela tivesse lâmina de verdade” comentou comigo uma vez o antigo rei da Aliança de Belfort Juan Sebastian.    

Outro ponto é como eles lidam com as regras de desmembramento. Um golpe no braço inutiliza o braço que deve ser posto para trás na hora. Um golpe na perna faz com que você seja obrigado a lutar de joelhos ou com um joelho no chão. Em outros vídeos (recomendo o https://www.youtube.com/watch?v=EIcqcZjIRIg, no youtube) é possível ver o pessoal se jogando no chão, batendo os joelhos com tudo! Um pesadelo para mim, que tenho os joelhos bugados.

Tem muita gente que diz que o boffer swordplay praticando no Brasil é um faz-de-conta e que nos Estados Unidos tudo é muito “mais melhor”. Acredito que o que eu estou vendo aqui é a boa e velha síndrome de vira-lata, como diria Nelson Rodrigues. Nosso boffer swordplay é muito mais colorido e bonito do que o americano. Existe uma grande diversidade de estilos e construção de armas, roupas e armaduras. Muito mais gente estuda os manuais e os adapta do que lá. Além de haver uma grande preocupação com o bem-estar do outro. Preocupar-se com o outro nada mais é do que uma medida de ética. E daí que você não precisa bater com força? E daí que é proibido meter o boffer com tudo na cabeça do coleguinha?

Eu sempre acreditei que o Brasil era meio que os "borgs" de Jornada nas Estrelas. Pegamos o que os outros países têm de melhor, adaptamos para nossa Cultura e nossa realidade, e acabamos fazendo isso melhor que os criadores originais. Foi assim com o sistema bancário, cirurgia plástica, futebol... 

Sendo assim com o boffer swordplay, nós adaptamos aos equipamentos que utilizamos, montamos um sistema de combate mais bem dinâmico e seguro para os participantes aonde brutamontes, mulheres e pessoas mais fracas têm as mesmas chances de vencer.

Claro, há quem prefira o combate mais duro. A experiência do combate jamais vai ser mais completa se você elimina um dos principais alvos: a cabeça. Como que pode requerer mais habilidade se a atividade é mais restritiva? Muitos aspectos da arte marcial são facilitados, deixa de ser combate vira brincadeira. Mas para esses jogadores já existe uma modalidade: Softcombat é o nome da modalidade que estão procurando.

O ideal mesmo é perceber que nesta grande árvore que é o swordplay tem espaço para tudo e para todos. Você não é melhor do que eu por gostar de uma modalidade diferente da minha e com certeza eu não tenho direito de dizer que você é um chorão por não querer se machucar. Mas é certo que temos de fazer três coisas:
1 - deixar da síndrome de vira-latas; 
2 - dar nome certo àquilo que praticamos; 
3 - respeitar o jeito de jogar do outro. 



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Dez dicas para melhor sua performance como jogador de swordplay em 2018

1 - CONTROLE VISUAL
Mantenha os olhos constantemente no campo de batalha e não deixe que os acontecimentos externos (fora do combate) interfiram na sua concentração. Nos intervalos entre uma partida e outra procure manter o foco no que você está jogando e na sua posição no campo de batalha.

2 – PRATIQUE OUTRAS ATIVIDADES FÍSICAS
Condicionamento físico não vence batalhas sozinho, mas um guerreiro cansado não luta com a mesma capacidade de alguém que está descansado. Desenvolva a resiliência praticando outros esportes. Vôlei, basquete, futebol, artes marciais, academia de ginástica, natação e até mesmo caminhada. Qualquer atividade física extra vai te fazer melhor. Experimente andar dois quilômetros por dia e no final de três meses veja como seu jogo melhorou.

3 – AUTO-CONHECIMENTO
Conheça a si mesmo e aprenda a reconhecer seus pontos fortes e fracos. Procure fortalecer os pontos fracos e refinar seus pontos positivos. O conhecimento do próprio corpo, sob pressão, é um ótimo aliado.

4 - RESPIRAÇÃO
Solte o ar no momento do golpe. Respirar profunda e pausadamente entre os ataques e defesas ajuda a relaxar e baixar a freqüência cardíaca, poupando energia e diminuindo o desgaste.

5 - LINGUAGEM CORPORAL
Procure passar uma imagem vencedora para o seu adversário. Não perca seus duelos por antecipação. Procure entrar em combate confiante da sua vitória. Mantenha um comportamento otimista. Afinal de contas, se você perder, poderá aprender muito com isso. O jogo só termina no último golpe, nunca antes.

6 - LIDAR COM ERROS
Errar é um direito de todo jogador, portanto não deixe que o erro, por mais infantil que seja, influencie nos próximos jogos. Não deixe transparecer para o adversário o quanto aquele erro te incomodou.

7 - PALAVRAS NEGATIVAS
Não faça uso de expressões ou palavras negativas, que diminuam você ou seus golpes, abaixem sua moral sua ou de seus colegas ou influencie na sua capacidade de lutar sempre, até o fim. Dizer coisas como “eu sou um lixo”, “eita time ruim” ou “eu sou um merda, meu irmão”, são excelentes armas para o seu adversário usar contra você. Não deixe que ele saiba disso.

8 - ATITUDES POSITIVAS
Tenha sempre atitude de um vencedor. Traga para si, as situações adversas como; torcida, adversários, sol, vento, piso, chuva, etc. O que parece ruim ou incômodo para você pode estar sendo bem mais para o seu adversário. Como diz o ditado: ¨Vento que venta aqui, venta lá também¨

9 - ALEGRIA E PRAZER
Tenha sempre um grande prazer em jogar. Pois esta possibilidade é uma dádiva divina que nunca deve ser menosprezada. Em um mundo de tantas impossibilidades, poder praticar um esporte é o sonho de muitos, mas realização de poucos. Lembre-se disso a todo instante.

10 - PERSISTÊNCIA E AUTOCONFIANÇA
Um campeão é alguém que persistiu um pouco mais e teve um pouco mais de autoconfiança. Pense nisso.

Bons jogos e até a próximo texto!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Reflexões para 2018

O ano de 2017 se encerra em poucos dias. Esta é a última postagem do ano. Queria fazer uma retrospectiva do ano que passou, mas depois de ler alguns textos sobre a mudança dos estados mentais, resolvi fazer diferente. Ao invés de apenas fazer uma retrospectiva do que passou, tentarei elencar aquilo que eu aprendo neste ano.

A lição mais importante que eu pus em prática este ano foi a seguinte: “aquele que não sai para caçar acaba dormindo com fome; é preciso se arriscar para alcançar o mais e o melhor”. 2017 começou com o reino de Eldhestar lutando para sobreviver. Nascido das cinzas dos cavaleiros da virtude o reino estava se desfazendo. Mesmo com todo o empenho dos membros ele veio a ter seu fim. Os fatores foram muitos, mas o principal deles foi que a galera meio que “despilhou” de treinar. Então eu tinha duas opções: ficar a mercê de um grupo morto-vivo ou fazer um grupo novo. Reunido com alguns colegas (Manassés, Gabriel Melo e Hugo Catarino) formamos os Lordes de Ferro, com sede no Gama. Grupo que venho administrando desde agosto de 2017.

A segunda lição que aprendi versa sob liderança. “O bom líder é forjado diretamente na forja da adversidade e moldado com o martelo da vida e a bigorna da experiência”. A verdade é que eu nunca quis ser líder de um grupo. Acontece que se eu não fizesse isso, provavelmente hoje não teria onde treinar.   Além de aceitar o desafio de começar e treinar um grupo do zero eu me dispus a fazer uma liderança participativa e afirmativa, onde todos têm vez e voz dentro do clã. Tenho errado um pouco e acertado outro tanto. Mas o importante é que eu venho evoluindo junto com o grupo.

A terceira lição foi a seguinte: “nenhum de nós é mais forte que todos juntos. E não existe todos nós se um de nós está faltando”. Sei que vai soar como um clichê, daqueles bem piegas como “a união faz a força”, mas é bem isso mesmo. Eu não teria conseguido nada de não fosse o grupo maravilhoso que eu tenho. Eles não apenas compraram a ideia do grupo, mas se dedicaram de sobremaneira. Não tenho como deixar de agradecer.

A última lição que eu quero compartilhar com vocês é a seguinte: você não precisa esperar o ano novo para mudar a sua vida. Mude agora.

Estamos oficialmente de recesso. Nos veremos de novo em 2018. 




domingo, 17 de dezembro de 2017

Imprevistos (shit!) acontecem (e a importância de estar preparado para eles)

Hoje foi o último domingo de sol do ano de 2017. Clima meio nubladinho, perfeito para ir até o local de treino e passar algumas horas trocando golpes com seus colegas de reino. Mas acabou não rolando. Onde eu estava quando o ultimo domingo de sol do ano dava as caras? Estava preso no meu quarto, over medicado, me retorcendo de dor. E sem eu, não tem treino.

Ok, eu não quero parecer um babaca. Desses meninos bestas que se não forem não tem jogo de futebol porque a bola é dele. Mas acontece é que se eu não for para dar o treino, ou pelo menos para levar o equipamento da galera (todas as armas do reino ou a sua grande maioria são obra da minha forja), não tem treino. Acho que apenas três ou quatro membros do reino (3 ou 4 num universo de 20 membros mais ou menos frequentes) tem seu próprio material. E não, não dá para reunir de dez a quinze pessoas para lutar de só temos três espadas disponíveis.

Bom, você pode dizer que imprevistos, como ficar doente, acontecem. E que não tem nada que você possa fazer quanto a isso a não ser lamentar e ser um pouco compreensivo. Mas eu penso que não. Se a grande maioria dos membros já tivesse seu equipamento próprio, o fato de eu estar doente ou incapacitado de aparecer não atrapalharia os treinos.

“Ah Betão, qual é?” – interpela o rapaz de cabelos backpower e camiseta tanquinho – “Eu moro na pata que partiu! Tu imaginas como é complicado ficar andando para cima e para baixo com uma espada de espuma, num ônibus?”. Claro que eu entendo. Eu já fui para um treino de ônibus (combo ônibus + van) com saco de espadas e escudo. Mas entendo perfeitamente o seu ponto. Não é todo mundo que pode sair por aí carregando um arsenal na rua.

Outra opção seria que tivesse alguém, ou algumas pessoas responsáveis em levar parte do arsenal para os treinos. O problema é que isso maximiza as chances de alguma coisa dar errado. Imagina se eu divido o arsenal em espadas longas (Spartacus), Arming swords e espadas curtas (Bardo), escudos (Gato), Lanças (Diva) e nesse da, exatamente, o Bardo não vem.  

E como resolver esse problema? A curto prazo não tem. O ideal é que cada um fizesse sua arma de confiança e a levasse aos treinos. Ok, seu que carregar uma espada na van é complicada, mas se ela estiver numa sacolinha, fica até de boas.



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Cuidando do seu bem mais valioso

Olá amigos. Desculpem a demora em escrever, mas muita coisa aconteceu desde a última vez que eu abri este blog para falar a respeito de Swordplay e coisas assim.

Eu tenho liderado um pequeno, mas promissor, grupo de swordplay aqui no Gama. Começamos os treinos em agosto deste ano e hoje já contamos com 10-15 pessoas por treino. Os Lordes de Ferro. Já temos até um canal no youtube e uma página no face. Dá um google por nós.

E como líder eu tenho percebido que as minhas responsabilidades vão bem mais longe do que coordenar os treinos e manter o equipamento em bom estado. Os meus jogadores acreditam na proposta que eu apresento. Eles acreditam no nosso grupo. E justamente por acreditarem no nosso grupo é que e descobri a coisa mais importante que um grupo de swordplay pode ter. Seus membros.

Muito recentemente eu estava contatando alguns jogadores “turistas” e tive o seguinte diálogo com um deles:

Jogador: Depois de umas coisas que rolaram, perdi um pouco do interesse em umas coisas q eu fazia. Mas sinto falta se vocês...
Eu: Como assim?
Jogador: Antes eu adorava treinar agora é só falta de vocês, mas a cama ou alguma coisa puxa pra ficar dentro de casa, né?
Eu: Eu entendo bem a sua posição. Tem dias que eu também não quero sair de casa para treinar. Mas é só me pôr em movimento que a sensação some por completo. Não pode deixar a preguiça é impedir de você de se divertir com seus amigos. Eu estou esperando por você no próximo treino, sem falta.
Jogador: Farei meu máximo pra ir pra vocês me darem muita porrada, porque tô sem treinar a muito tempo.
Eu: Não se preocupe. Você vai ver como é bom treinar com um monte de gente. Deu 14 pessoas no treino de domingo. Muita gente para dar porrada.
Jogador: Sim, tá aumentando muito. Tô vendo eles irem treinar no calorzão, na chuva... Sua equipe é ótima ^^.
Eu: Nossa equipe. Eu não teria conseguido sem você. Nós não somos um todo quando está faltando alguém.
Jogador: Vai estar completo domingo, e eu vou estar aí batendo nas costas dos outros e correndo...

Quando você cuida bem de seus membros, os seus membros cuidam do seu grupo.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Sabotador

Então você finalmente criou vergonha na cara e resolveu montar o seu grupo de swordplay. Foram semanas de pesquisa na internet, olhando fóruns e grupos do facebook, navegando em vídeos do youtube, até que finalmente você forjou a sua primeira espada. Ok, não ficou essas coisas todas, mas você continuou firme. Reuniu meia dúzia de colegas que se interessaram quando você mostrou aquele vídeo com os melhores momentos do EPS 2015 e começaram a treinar.
No começo parecia aquela novela do SBT: “Éramos Seis”. Mas com persistência e trabalho duro o grupo começou a crescer. Os amigos chamaram amigos, que chamaram outros amigos e quando você viu, já tinha gente o bastante para fazer um dia inteiro de 5x5. Vocês montaram tabardos personalizados, determinaram símbolos, patentes e de repente já eram um clã, reconhecido na região.
Então começaram a surgir as “figurinhas carimbadas” que povoam a flora e fauna de todos os grupos de swordplay: os turistas (que aparecem de vez em nunca), os highlanders (que nunca morrem), os sentidos (que todo golpe pega forte), os ninjas (que ficam invisíveis até a hora de dar o golpe), as meninas alegres (que mais conversam do que jogam), os otakus (que correm como Narutos retardados no campo de batalha) e os Sabotadores... o pior tipo de criatura que pode cair no seu treino.

Um Sabotador no ninho
Os Sabotadores são um tipo especial de parasita. Eles vêm aos treinos, mas estão preocupados apenas com a sua própria diversão. Eles não ajudam em nada, não contribuem em nada. Mas antes fosse apenas isso. Além de não ajudar, a Sabotador em questão faz discurso contra a liderança, minando as boas ações do líder do clã e criando atritos desnecessários dentro do grupo.
Ele é sempre uma voz dissonante, excessivamente critica destrutiva, apontando apenas as falhas e desmerecendo todo o trabalho realizado até então. Além disso ele forma “panelinhas”, aumentando ainda mais a desunião do grupo. Muitas vezes ele também planta a semente da discórdia entre os membros, espalhando mentiras e fofoquinhas. Você sabe de quem estou falando: o famoso “leva e traz”.
Vejo a Sabotador como o pior tipo de jogador que existe. Porque tudo que ele faz tem por objetivo destruir ou desestabilizar o grupo. E depois de meses (ou mesmo anos!) atrapalhando o bom andamento do grupo, ele simplesmente abandona o clã – que ele mesmo nunca ajudou, mas atrapalhou para caramba. Mas ao sair ele não diz que saiu porque não estava satisfeito com o andamento das coisas: ele sai apontando o dedo para todas as direções, jogando a culpa nos outros membros. A culpa do fracasso nunca é dele. Ele é sempre a vítima. É sempre ele que está sendo perseguido pela liderança, ou maltratado pelos colegas.

Hora de arrancar o ninho das cobras pela raiz
Quando eu ainda trenava nos cavaleiros da virtude pude identificar algumas dessas pessoas. Algumas delas foram tão tóxicas que trouxeram prejuízos indeléveis ao grupo. Prejuízos esses que, fatalmente, levaram o grupo a seu prematuro fim.
Numa dessas ocasiões (relatada com detalhes na postagem “Diz que me disse dói mais que golpe dado em países baixos”, do dia 13 de agosto de 2016) um menino chamou seu pai ao treino para tirar satisfações comigo por uma coisa que eu nunca tinha dito!
Em outra ocasião, quando nós discutíamos a respeito do nosso tabardo, eu afirmei que não me sentia à vontade para usar uma cruz, porque desrespeitava o meu credo. Daí um cara disse mais ou menos assim: “pois eu acho que está na hora de você buscar outro grupo”. Cara, aquilo magoou bastante. E quase que eu fiz isso mesmo.

E por que as pessoas fazem isso?
Porque sabotadores são pessoas que não desejam o crescimento de ninguém e colocam a si mesmas em primeiro lugar, sempre. A psicóloga Dra. Beatriz Nayara define o sabotador como uma pessoa emocionalmente incompetente. "Por mais calculista que seja, o sabotador é um desajustado, que vai arcar um dia com o seu próprio blefe. Talvez a forma mais usual de eles atuarem seja usando de fofocas e mentiras. Mas a quem convencem com essas fofocas e mentiras? Primeiramente eles mesmos e depois qualquer incauto que caia em sua lábia”, completa.

E como identificar esse tipo de parasita?
Os sabotadores dificilmente fazem elogios; demonstram que nada do que os outros fazem é bom o suficiente; quando você mostra sua arma nova, dizem que ela não está bem “teipada”; não querem que você lute além do necessário. “Para que correr se a chegada final de todos é a morte?” dizem alguns deles. A cada passo para frente que o grupo dá, eles tentam dar dois passos para trás.
Inclusive, por incrível que pareça , existem líderes de clãs que também são sabotadores (mesmo que sejam assim de forma inconsciente). Existem líderes de clã que são inseguros e, por isso, acabam sabotando, conscientemente ou não, os próprios colegas de treino. Quando um membro do treino tenta fazer algo para melhorar, esse tipo de líder passa a mão na cabeça dele, dando a entender que ele não consegue fazer sozinho, ou pior, desencoraja a pessoa imediatamente.
Existem sabotadores que agem de forma muito sutil, quase imperceptível. Na frente do alvo, parecem bons amigos. Pelas costas, a lógica se inverte. São colegas que se fazem de amigos, nunca falam mal pela frente, mas, quando são questionados, logo apontam o dedo. Além disso, não dão o crédito devido às pessoas. Desconfie das pessoas que parecem saber de todas as fofocas que estão rolando ou que falam mal dos líderes pelas costas.
Infelizmente não existe uma forma 100% segura de se lidar com esse tipo de gente. O ideal é sempre deixar as coisas transparentes, e conscientizar os membros do seu grupo contra esse tipo de criatura. Reuniões pós-treino, para colocar tudo em pratos limpos, onde todo mundo tem o direito de falar e de ser ouvido costuma dar bons resultados. Mas o papel principal é feito por você que está lendo isso. Não seja um leve e traz. Não deixe que falem pelas costas do seu grupo ou do seu líder. Uma coisa é uma crítica construtiva e outra é a crítica apenas pela crítica. Aprenda a separar as duas, aceitando a primeira e rechaçando a segunda imediatamente.
Era isso. Vamos ver no que dá. 

domingo, 26 de novembro de 2017

Conquista desbloqueada!

Uma das coisas mais legais que os consoles da nova geração trouxe para os jogadores são as chamadas achievements (conquistas). São objetivos definidos fora dos parâmetros de um jogo. Diferente dos sistemas de missões ou fases, que geralmente definem os objetivos de um jogo eletrônico e afetam a jogabilidade diretamente, o sistema de conquistas funciona fora dos limites do ambiente de jogo. Cumprir as condições de uma conquista é chamado de desbloqueá-la.

As conquistas são incluídas nos jogos para estender a longevidade de um título e proporcionar aos jogadores um ímpeto para não só completar o jogo, mas encontrar todos os seus segredos. Elas são, efetivamente, desafios arbitrários definidos pelos desenvolvedores para serem cumpridos pelo jogador. Essas conquistas podem coincidir com os objetivos principais do próprio jogo, como completar uma fase, com objetivos secundários, como encontrar power-ups ou fases secretas, ou ainda podem ser independentes dos objetivos principais e secundários do jogo, como jogar um determinado tempo, assistir a um vídeo, derrotar determinado número de NPCs ou completar uma fase antes de certo tempo. Algumas conquistas podem levar a outras: muitos jogos possuem uma conquista que requer que o jogador consiga todas as outras conquistas.

E o que isso tem a ver com o swordplay? Bem, um dos grupos mais legais aqui de Brasília, a Ordem de Alamut, criou um interessantíssimo sistema de XP e conquistas para agitar as coisas entre seus membros. Um dos documentos a que eu tive acesso tinha mais de 100 conquistas diferentes que vão desde coisas simples como aparecer no treino, até derrotar mais de 15 oponentes pelas costas numa batalha campal.

Eu adaptei alguns deles para o meu grupo e vou colocar alguns dos mais interessantes (segundo a minha humilde opinião) aqui.

1. Ferreiro – Deve ser capaz de fazer no mínimo seis armas diferentes.
(...)
5. Aprendiz de Curandeiro – Deve entregar um relatório três métodos de primeiros socorros e demostrar no treino.
(...)
11. Mestre Espadachim – Deve ter domínio sobre qualquer categoria de Espada. Conhecer suas posturas, ataques, defesas, contra-ataques, medidas de cada espada, como se forja etc.
(...)
17. Imperceptível – O membro deve participar de todos os combates em grupo do dia apenas com adagas devendo matar pelo menos 15 membros pelas costas. Não contará usos de adagas de arremesso ou magia.
(...)
20. Voraz – Sobreviver 15 vezes na modalidade jogos vorazes.
(...)
24. Colecionador de armas: Possuir um arsenal completo. (Duas adagas, duas espadas curtas ou médias, uma espada longa, dois machados, uma lança, um escudo, arco, 6x flechas, uma arma de arremesso, um mangual, Clava, Broquel).
(...)
31. Mestre de Reparos – Aquele que reformar 20 armas do grupo.

E como funciona? Você vai até um dos líderes do grupo e avisa que vai tentar buscar uma das conquistas. Se você conseguir a conquista ela se tornará um título para você. Algo como: Eu apresento Lorde Fulano, Mestre Espadachim, o Imperceptível, o Voraz, o mestre dos reparos.  
Experimente no seu grupo e conte como foi!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Como montar seu grupo de swordplay?

Um guia compacto. 

Uma das perguntas mais comuns que você encontra quando circula pelos fóruns da internet é essa. Como montar um grupo de swordplay? O que é preciso? Como começar?
Bem, eu separei a minha experiência de vida, misturada com a experiência de outros grupos e coloco aqui a resposta.

1 – Arrume um lugar para treinar
O primeiro passo é arrumar um local para treinar. Ele deve ser público, visível e seu uso deve ser livre. Quem sabe um campinho de grama do lado da pista de caminhada, uma área verde no centro da cidade, uma praça, um parque público...
Antes de começar a treinar verifique se o lugar tem alguma contraindicação.  

2 – Arrume interessados
Não dá para treinar sozinho. Por isso reúna-se com outros interessados em tocar a sua ideia para frente. Pode ser um colega de escola, um bróder da faculdade, um amigo que curte coisas nerds... pouco importa. Reúna-se com esse pessoal e comece a treinar.
2.1 – Se você não sabe lutar aproveite os tutoriais da internet. Tem muita coisa boa por lá e você pode aprender para caramba.

3 – Crie um nome bacana e um símbolo para o seu grupo. Vale em inglês, pode ser em alemão, pode ser em árabe, pode ser até numa língua que não existe, como o dialeto dos elfos de Tolkien, mas crie um nome. O nome pode transparecer seriedade como a ordem de Alamut ou ser comédia como os defensores da cachoeira de Makka-ku, pode ser histórico ou de fantasia. Tanto faz, desde que reflita quem são vocês.
3.1 – Batas ou tabardos são opcionais, mas existem bons tutoriais de como fazer o seu sem gastar muito e sem ter afinidade com agulhas e linhas.

4 – Arrume equipamento. Produza algumas peças de armas – no começo não precisam ser muitas. Espadas, machados, escudos, lanças, adagas, enfim o que você puder fazer. Tutoriais na internet  não faltam para ajudar você a fazer seu arsenal.

5 – Treine. Sério. Vá lá e treine toda semana, nos mesmos horários. Isso passa a mensagem que vocês são sérios e ajudam as pessoas interessadas a buscarem o treino de vocês. Mesmo que o treino seja você e um colega, esforce-se para estar lá sempre que for marcado.

6 – Faça divulgação. Divulgue seu grupo com cartazes, chamadas na internet, eventos de anime e coisas do gênero. Deixe cartazes e banners nas universidades, colégios e cursos da região. Convide amigos, e peça que amigos convidem mais amigos.


7 – Tenha paciência. Não é da noite para o dia que você vai ter um grupo de 40 pessoas correndo para todo lado no seu campo de batalha. O segredo é persistência. 

Serviço:
Tabardos a preços baixos: 
http://www.swordplay.com.br/2016/06/29/tutorial-tabard-basico/
https://www.youtube.com/watch?v=wGU4AEqA4fw&t=9s
https://www.youtube.com/watch?v=OwHsJVzMNBI&t=29s

Espadas e coisas do gênero:
Sabre: 
https://www.youtube.com/watch?v=X6NcGO8jU7M&t=
Espada e escudos: 
https://www.youtube.com/watch?v=COTG8INu0wg
https://www.youtube.com/watch?v=nY0s0fA7CBA&t=
https://www.youtube.com/watch?v=vTOMnnH_ojg&t=
https://www.youtube.com/watch?v=X06VuKNOVYU
https://www.youtube.com/watch?v=B9ixHvXuCWE&t=2s
Machado:
https://www.youtube.com/watch?v=1fZC_o-DXKo

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Excesso de Competitividade no swordplay - Vídeo

Essa semana o texto é um vídeo, estreando o nosso canal do youtube.

https://www.youtube.com/watch?v=dDTH8eHEmMA


Confere lá.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Lá e de volta outra vez.

Estava passeando pelas comunidades de swordplay do facebook quando me deparei com uma postagem assaz intrigante.

Dúvida: como eu faço pra voltar para um grupo que eu fui expulso a 10 mil anos atrás?

Num primeiro momento achei que se tratava de algum tipo de brincadeira ou zoeira, já que ela tinha sido postada na Liga Nacional de Swordplay (Freepost), um lugar conhecido pela quantidade absurda de abobrinhas relacionadas ao swordplay. Mas depois, lendo a postagem em questão, percebi que se tratava de um assunto muito sério.

A primeira pergunta que se pode fazer diante de uma postagem dessas é “o que diabos você fez para merecer uma expulsão?”, em primeiro lugar. Consultei alguns amigos de outros grupos que foram categóricos em afirmar que a expulsão é uma punição reservada para infrações muito graves. Graves mesmo. “Não temos uma quantidade muito grande de membros” firmou um colega de São Paulo “Por isso fazemos o possível para contornar as situações adversas que aparecem nos treinos. Muitas vezes uma boa conversa e alguns dias de molho resolvem o problema. Expulsão apenas em último caso”.

Entretanto nem todos os grupos são assim. Em alguns casos as expulsões são arbitrárias. Existem “diferenças criativas irreconciliáveis” entre a liderança do clã e a pessoa que foi expulsa. Em algumas situações tem a ver com implicância ou com o jeito de ser da pessoa que foi expulsa. Enquanto pesquisava para este artigo esbarrei com uma pessoa que foi expulsa porque estava namorando com a ex-namorada do líder do grupo.

Nestes casos existe pouco o que pode ser feito. De forma pragmática existem dois caminhos possíveis. O primeiro deles é esperar a poeira assentar e depois de algum tempo buscar a redenção. Essa é a opção de agir como pessoas maduras e conversar com as lideranças se desculpando, dizendo como mudou e prometendo que não voltará a cometer os mesmos erros.

Outro caminho, igualmente pragmático é seguir em frente. Pode ser que você considere que sua expulsão foi injusta e que não vale à pena voltar para o grupo antigo. Simplesmente busque abrigo em outro grupo. Se não houver um grupo disponível você ainda tem a opção de fazer o seu mesmo. A internet está cheia de bons textos e vídeos sobre como você pode começar.

Mas existem casos em que a expulsão não pode ser reversível. Estes raríssimos casos não são um simples problema de comportamento, ou atitude. Existem casos em que o que está em jogo é o caráter e, por conseguinte, a segurança dos envolvidos. Pessoas que falam mal de seus grupos, semeiam a desunião e jogam membro contra membro devem sim ser expulsos. Pessoas assim são tóxicas e nocivas e não importa para que grupo se desloquem, continuarão a trazer experiências ruins pata todos à sua volta.


No fim tudo uma expulsão é sempre um pouco traumática. Para o bem ou para o mal é uma mudança sólida e muitas vezes necessária. 

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...