quarta-feira, 14 de março de 2018

Dia internacional das mulheres


Uma data para ser...
É, eu sei que já passou. Foi dia 08. Mas eu queria escrever uma coisa diferente. Eu queria fugir do clichê. Nada de rosas. E levei mais tempo do que eu pretendia para traçar essas linhas sobre uma data que representa tanto em minha vida.

Para começo de conversa eu não queria uma postagem dando os parabéns às mulheres pelo seu dia. Porque eu sei que enquanto precisarmos de um dia internacional das mulheres não temos muito o que comemorar. Esse é um dia de lutas. É um dia para lembrar de todas as mulheres que ao longo da história bateram o pé e mantiveram firmes suas posições e convicções. Seja como uma rainha guerreira como Maeve de Connacht, seja como uma guerreira santa como Joana D’arc, seja como pilotas guerreiras como Yevdokia Bershanskaya, seja como as guerreiras da fantasia como Guinnevere ou a princesa Lea Organa, ou mesmo como qualquer mulher que colocar os olhos nesta postagem.

E para garantir que não sejam apenas as palavras de um “homem cis” eu convidei quatro mulheres que eu admiro para que escrevessem como elas vêm a prática do swordplay. Vou me dar apenas o direito de reorganizar algumas falas e fazer um pequeno trabalho de edição. E vamos a elas. Porque dia da mulher é dia de luta.

As mulheres-guerreiras falam (e se bobear, elas batem forte!)
A primeira entrevistada (e a última a entregar seu texto) foi a Neire, do Star Warriors. Ela fala dos desafios de ser swordplayer: “Há algumas coisas desafiadoras para uma praticante de Swordplay como eu...primeiro o fato de ter iniciado a prática sendo um pouco mais velha que os demais praticantes, após os trinta anos. Geralmente eles são mais novos e com um pouco mais de tempo para aprofundar-se. Claro que não utilizo isso como desculpa e procuro render o máximo que posso”.

Da mais madura para a mais inexperiente do meu seleto bando de contribuintes, eu chamo a fala de Amanda Gabrielle, que também atende pelo apelido de Vanny: “A época medieval e seus combates sempre foram algo que despertou curiosidade em mim. Então gosto muito de lutar dentro deste universo, tanto por sentir que de alguma forma eu estou participando e aprendendo mais sobre uma época que eu gosto muito, quanto por questões pessoais, tais como trabalhar minha coordenação motora e socialização”.

A mais qualificada de todas as entrevistadas já treina a alguns anos. Mas é sua fala que traz peso a esta publicação: “Praticar swordplay para mim é como sair desse universo atual, é como misturar fantasia com um pouco de realidade, quando estou lutando minha imaginação cria todo um cenário medieval com emoção e glória. Lutando aprendi a ter coragem e garra, mas também humildade e honestidade, me tornei uma pessoa mais determinada até na vida”. (Rebeca “Becka” Gabriela).

A menor de todas (altura) elas é a jovem Amanda Vieira: “Desde a primeira vez que eu participei do Swordplay eu fiquei simplesmente encantada. Apesar dos treinos serem bem cansativos, cada segundo em campo valia a pena. Não se tratava apenas de treinamento, era uma comunidade onde as pessoas se importavam umas com as outras”.

E os golpes saem derrubando desafios
“Conheci o Swordplay há alguns anos em eventos que visitei, porém, nunca havia cogitado praticá-lo, embora tivesse contato com esgrima tempos atrás.  Até que conheci o Luís Nascimento em um encontro do Conselho Jedi São Paulo e com isso tive a oportunidade de aliar duas coisas pela qual me interesso: Swordplay e Star Wars. Participar desse grupo é uma experiência rica  e desafiadora...nada conhecia sobre Saberplay”. (Neire).

“Entretanto, devido ao fato de eu ser mulher, algumas vezes eu pude sentir tratamento diferenciado. (...) Enquanto meus colegas se vêm como oponentes em um perigoso campo de batalha, eu ainda sou vista como alguém brincando com uma espada de mentira. Não os culpo por causa disso, eles nem sequer devem enxergar isso como um problema”. (Titânia)

Cuidado com as menininhas empunhando espadas de mentira. Elas lutam como aves de rapina. A prática com elas me ensinou a não subestimar ninguém. 
“Como uma garota sempre me disseram que eu deveria ser delicada e frágil, que meninas devem fazer “coisas de meninas”, mas no swordplay eu sinto que posso ser como eu quiser, vi que até mesmo uma garota com braços fracos pode lutar bem”. (Becka).

A cada desafio vencido, um novo se abre
“Apesar de ser vista como alguém frágil, eu ainda consigo me divertir muito. Apesar de me verem mais como um alvo do que como um adversário, eu ainda adoro correr pelo campo. Todos esses obstáculos que tenho que lidar, tornam ainda mais doce a sensação de quando eu finalmente dou um golpe mortal em alguém”. (Titânia)

“Em experiência eu sou iniciante, eu ainda não lutei ou conheci algum outro grupo, mas é uma questão de tempo, já sei o básico e a cada treino tenho aprendido mais coisas novas, não só sobre técnicas de batalha, mas também técnicas que posso usar em minha própria vida pessoal”. (Vanny)

“O meu desafio reside em tendo de analisar artes como Ai-Do, Kendô, tipos diferenciados de Esgrima, de maneira que possamos realizá-las com eficácia. Isso faz do meu aprendizado algo riquíssimo, despertando cada vez mais a minha curiosidade como praticante à respeito das mais variadas técnicas. É um mundo fabuloso, sem dúvida”. (Neire).



sábado, 3 de março de 2018

Capacidade física?

Conversando com um grande amigo meu, chegamos numa discussão interessante. As pessoas que têm um condicionamento Atlético naturalmente são melhores jogadores de swordplay do que os jogadores comuns? 

Em outras palavras: aquele pessoal mais Atlético do clã tem vantagem real sobre aquele pessoal sedentário? 

Apesar de ser uma pergunta cuja resposta seja bastante óbvia, eu resolvi fazer algumas comparações entre outros esportes razoavelmente semelhantes ao swordplay dentro desta mesma perspectiva. Aqueles que têm preparação física melhor jogam melhor do que aqueles que não tem? 

Procurei um professor de educação física e coloquei o problema diante dele. A resposta dele foi bastante enfática: existem dois fatores que você deve se preocupar inicialmente. Capacidade física e memória muscular. 

Eu tenho certeza que você já ouviu em algum lugar a expressão "é como andar de bicicleta, a gente nunca esquece". Essa expressão está ligado diretamente a uma sabedoria Popular a respeito da nossa memória muscular. E o que viria a ser a memória muscular? É a capacidade que o nosso corpo tem de memorizar alguns determinados movimentos e executá-los de uma maneira rápida e precisa sem que o cérebro preciso estar observando e controlando cada passo do movimento. 

Uma maneira fácil de você entender memória muscular é fazer o seguinte exercício. Sente-se numa cadeira e depois levante-se. 
Agora procure descrever mentalmente todos os passos que o seu corpo precisa fazer para executar o movimento de se levantar da cadeira e se sentar na cadeira novamente. Você vai perceber que o simples movimento de se sentar ou de se levantar de uma cadeira é na verdade mais complexo do que gostamos de pensar. E com os esportes e a mesma coisa. 

A memória muscular de um jogador de futebol é que permite que ele consiga visualizar o gol à sua frente, receber a bola de um cruzamento e chutar no ângulo. Se ele não tem essa memória muscular ele perderia um bom tempo recebendo a bola e depois tentando chutar a bola para frente. Nesse meio tempo o pessoal da Defesa do outro time já o teria desarmado. 

E com swordplay É a mesmíssima coisa. A memória muscular permite que você consiga bloquear o ataque que está vindo na sua direção sem pensar muito a respeito. Deixe que seu corpo faça o trabalho. 

Já a capacidade atlética indica o quão rápido, ou com quanta agilidade, ou ainda com quanta força o seu corpo consegue se mover. Ele também determina Quanto tempo você consegue manter o corpo em movimento dentro de determinadas condições. Uma pessoa sedentária fica sem fôlego depois de um pique de 100 metros; já uma pessoa atlética tem muito mais facilidade de percorrer os mesmos 100 metros e não apresentar nenhum tipo de desgaste físico. 

Então se pegarmos duas pessoas com o mesmo tempo de treino é possível dizer que a pessoa que tem porte Atlético terá uma vantagem substancial sobre a outra já que ele tem ainda mais facilidade de criar memória muscular para todos os golpes que aprendeu durante seu treinamento. A pessoa sedentária poderia até mesmo igualar-se em habilidade nos primeiros momentos da luta, mas com o passar do tempo o cansaço bateria muito mais forte nela e ela fatalmente perderia velocidade e tempo de resposta. 

Claro que o ideal seria que todas as pessoas que praticam swordplay não fossem sedentárias. Até por uma questão de saúde delas mesmas. Mas sabemos que isso não acontece. Para muitas pessoas o dia do treino é o único dia da semana em que você tem a oportunidade de exercitar o corpo. E convenhamos: um dia na semana é melhor do que nenhum dia na semana, embora não seja tão efetivo quanto fazer atividade física todos os dias. 

Se você acha que está perdendo espaço no seu grupo por causa de alguém que está com o desenvolvimento físico melhor que o seu basta que você repense o seu próprio desenvolvimento físico. 

"Mas Betão e quando existe uma diferença de habilidade entre os dois jogadores? Por exemplo um novato extremamente Atlético enfrentando um veterano sedentário" Pergunta a moça de cabelos curtos usando uma orelhinhas de gato. 

Bem minhs amiga, neste caso eu sou enfático em colocar todas as minhas fichas no veterano. Justamente porque o corpo dele já conhece a memória muscular dos golpes, enquanto que o novato vai confiar muito mais na sua habilidade crua. Com passar do tempo fatalmente O Novato se tornará mais habilidoso do que o veterano. Mas é sempre bom ter em mente que nem tudo é habilidade de combate quando se fala de um grupo de swordplay. 

Bom galerinha era isso que eu tinha para falar para vocês hoje. Se vocês tiverem alguma sugestão de pauta aqui para o Blog basta me dar um toque. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Treinando com os lordes de ferro

Recentemente eu coloquei mais um vídeo no canal dos lordes de ferro e fiz questão de compartilhar com os principais grupos de swordplay dentro do Facebook. 

Quando estava preparando a postagem lembrei de colocar um pequeno aviso antes do vídeo: "pode ser que não tenha lá muita técnica, mas sobra companheirismo, amizade, respeito e diversão". 

Entretanto esta frase ficou martelando dentro da minha cabeça. Porque eu precisava dizer isso antes do vídeo começar? Seria para justificar a falta de técnica em esgrima, tanto minha como dos meus colegas? Seria para fugir das críticas que provavelmente viriam a respeito da postura e da maneira como golpeamos? 

Está bem longe disso. Depois de raciocinar um pouco eu percebi que não era um aviso a fim de fugir de críticas, mas que era um outro tipo de aviso. Um aviso de que aqui estamos mais preocupados em nos divertimos do que em fazer as coisas da maneira "historicamente correta". 

Claro, você não precisa me levar a mal, ou tomar a ferro e fogo tudo o que eu digo. Eu não estou dizendo que jogar de uma maneira que busque mais a diversão do que a historicidade está correta ou o contrário. Meu grupo não é pior ou melhor do que o seu porque a gente coloca a diversão em primeiro lugar. Tem espaço para todo tipo de grupo porque existe por aí todo tipo de gente. 

Mas eu penso que este é realmente o diferencial do nosso grupo. Ninguém é forçosamente melhor do que ninguém e todo mundo se diverte. Nós nos divertimos com o cara que treina espada Samurai e corre com as mãos para trás como se fosse o Naruto, nos divertimos com a menina que usa o mangual com a corrente mais comprida que eu já vi (de verdade parece um helicóptero de uma hélice só), nos divertimos quando alguém cria uma regra de magia que ninguém quer usar, nos divertimos quando alguém traz um colega pela primeira vez ao treino e ele promete voltar na semana seguinte ( e volta!). 

De certa maneira eu acho que esse vídeo acabou abrindo uma chave dentro da minha cabeça e me fez perceber o quanto eu sou sortudo. Eu tenho um grupo que não apenas se diverte junto mas que é companheiro e amigo. Ter companheiros e amigos no mundo de hoje é quase um tesouro. 

Então eu não sei qual é o objetivo do seu grupo de swordplay. Pode ser que vocês queiram emular com fidelidade histórica a maneira de lutar dos Cavaleiros teutônicos do século 12 lutavam, pode ser que vocês queiram fazer um clã Viking do qual Lagherta teria orgulho, ou pode ser simplesmente que vocês queiram fazer espada de macarrão de piscina e ficar se batendo por aí. Eu realmente não sei. Mas eu sei qual é o objetivo do meu grupo. 

Aqui queremos um lugar Nerd só nosso. Talvez você acha estranho eu dizer isso, uma vez que hoje em dia o termo nerd está amplamente disseminado como uma coisa quase que da moda. Mas eu sou do tempo em que ser um nerd estava longe de ser um elogio. A gente se sentia muito solitário naquele tempo, justamente porque não tinha ninguém para conversar. Hoje e é muito tranquilo você encontrar um colega e discutir a respeito do último filme dos Vingadores ou marcar de ir todo mundo junto para assistir o filme do Pantera Negra. 

Mas antigamente era bem diferente. Era difícil você encontrar alguém que lesse os mesmos quadrinhos que você. Era muito complicado encontrar pessoas que tem o mesmo gosto por seriados de TV que você tinha. E quando você encontrava, pouco importava se o cara era alto, magro, gordo, baixo, preto, branco, azul ou amarelo. Ele agora era seu colega. 

É mais ou menos isso que eu sinto quando treino com os Lordes de Ferro. Somos um grupo de swordplay, numa cidade pequena e tacanha, dentro do Distrito Federal. O simples fato de qualquer um de nós gostar de swordplay já é o bastante para que sejamos quase irmãos. 

No fim das contas eu acho que esse texto é muito mais uma expressão de gratidão do que qualquer outra coisa. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Swordplay das Gringas!

Swordplay nos Estados Unidos: um jeito diferente de jogar.


O João Pedro Marques Rodrigues, membro da Draikaner – SP, está passando uma temporada nos Estados Unidos e resolveu procurar um grupo por lá. Ele encontrou um chapter do Aratari, do grupo Dagorhir, sediado na Virgínia do Norte. Então ele resolveu fazer um vídeo bem amador (nas palavras dele mesmo) apresentando as principais diferenças do swordplay de lá para o swordplay daqui. Dá uma bicada no vídeo. Ficou bom.

LINK: https://www.youtube.com/watch?v=psQV_IeIZOc

Uai Betão! Se você já mostrou o vídeo do cara, você vai falar do que? – pergunta uma menina simpática enfiada numa armadura samurai completa de eva azul.

O que eu quero fazer é uma rápida dissertação sobre as diferenças. Uma boa dose de achismo e alguns conceitos de segurança super proteção.

Como todo mundo sabe o swordplay brasileiro é uma derivação do swordplay americano. Este por sua vez surgiu na década de 1970. Nos primeiros anos do swordplay no Brasil as pessoas seguiram as regras americanas. Muitos jogadores antigos (cavaleiros dinossauros) lembram-se disso. Mas com o passar do tempo os jogadores brasileiros foram adaptando essas regras para as nossas necessidades. Hoje as regras brasileiras pouco lembram as regras americanas.

Uma das principais diferenças é que no Dagorhir o golpe válido é o que acerta primeiro, vindo do movimento do braço. É fácil perceber nos vídeos certo excesso de força, enquanto que em outros temos literalmente uma seção de “porradaria” grátis. Golpes na cabeça, rosto, nuca, seios, genitais não geram advertência. Isso acaba selecionando uma variedade de jogadores altos, fortes e corpulentos. Afinal, exige-se massa muscular para bater com o boffer com muita velocidade e força. A chance de alguém se machucar usando esse tipo de regras é muito grande. Favorece especialmente jogadores grandes e corpulentos. É difícil ver um magrinho ou um baixote jogando nesses vídeos gringos.

Técnicas dos manuais Johannes Liechtenauer (esgrima alemã), Flos Duellatorum de Fiore dei Liberi (esgrima italiana), Paulus Hector Mair, Joachim Meyer e Salvador Fabris passam longe dos campos Dagorhir. “Eles parecem mais interessados em bater com a espada como se ela fosse um porrete do que cortar como se ela tivesse lâmina de verdade” comentou comigo uma vez o antigo rei da Aliança de Belfort Juan Sebastian.    

Outro ponto é como eles lidam com as regras de desmembramento. Um golpe no braço inutiliza o braço que deve ser posto para trás na hora. Um golpe na perna faz com que você seja obrigado a lutar de joelhos ou com um joelho no chão. Em outros vídeos (recomendo o https://www.youtube.com/watch?v=EIcqcZjIRIg, no youtube) é possível ver o pessoal se jogando no chão, batendo os joelhos com tudo! Um pesadelo para mim, que tenho os joelhos bugados.

Tem muita gente que diz que o boffer swordplay praticando no Brasil é um faz-de-conta e que nos Estados Unidos tudo é muito “mais melhor”. Acredito que o que eu estou vendo aqui é a boa e velha síndrome de vira-lata, como diria Nelson Rodrigues. Nosso boffer swordplay é muito mais colorido e bonito do que o americano. Existe uma grande diversidade de estilos e construção de armas, roupas e armaduras. Muito mais gente estuda os manuais e os adapta do que lá. Além de haver uma grande preocupação com o bem-estar do outro. Preocupar-se com o outro nada mais é do que uma medida de ética. E daí que você não precisa bater com força? E daí que é proibido meter o boffer com tudo na cabeça do coleguinha?

Eu sempre acreditei que o Brasil era meio que os "borgs" de Jornada nas Estrelas. Pegamos o que os outros países têm de melhor, adaptamos para nossa Cultura e nossa realidade, e acabamos fazendo isso melhor que os criadores originais. Foi assim com o sistema bancário, cirurgia plástica, futebol... 

Sendo assim com o boffer swordplay, nós adaptamos aos equipamentos que utilizamos, montamos um sistema de combate mais bem dinâmico e seguro para os participantes aonde brutamontes, mulheres e pessoas mais fracas têm as mesmas chances de vencer.

Claro, há quem prefira o combate mais duro. A experiência do combate jamais vai ser mais completa se você elimina um dos principais alvos: a cabeça. Como que pode requerer mais habilidade se a atividade é mais restritiva? Muitos aspectos da arte marcial são facilitados, deixa de ser combate vira brincadeira. Mas para esses jogadores já existe uma modalidade: Softcombat é o nome da modalidade que estão procurando.

O ideal mesmo é perceber que nesta grande árvore que é o swordplay tem espaço para tudo e para todos. Você não é melhor do que eu por gostar de uma modalidade diferente da minha e com certeza eu não tenho direito de dizer que você é um chorão por não querer se machucar. Mas é certo que temos de fazer três coisas:
1 - deixar da síndrome de vira-latas; 
2 - dar nome certo àquilo que praticamos; 
3 - respeitar o jeito de jogar do outro. 



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Dez dicas para melhor sua performance como jogador de swordplay em 2018

1 - CONTROLE VISUAL
Mantenha os olhos constantemente no campo de batalha e não deixe que os acontecimentos externos (fora do combate) interfiram na sua concentração. Nos intervalos entre uma partida e outra procure manter o foco no que você está jogando e na sua posição no campo de batalha.

2 – PRATIQUE OUTRAS ATIVIDADES FÍSICAS
Condicionamento físico não vence batalhas sozinho, mas um guerreiro cansado não luta com a mesma capacidade de alguém que está descansado. Desenvolva a resiliência praticando outros esportes. Vôlei, basquete, futebol, artes marciais, academia de ginástica, natação e até mesmo caminhada. Qualquer atividade física extra vai te fazer melhor. Experimente andar dois quilômetros por dia e no final de três meses veja como seu jogo melhorou.

3 – AUTO-CONHECIMENTO
Conheça a si mesmo e aprenda a reconhecer seus pontos fortes e fracos. Procure fortalecer os pontos fracos e refinar seus pontos positivos. O conhecimento do próprio corpo, sob pressão, é um ótimo aliado.

4 - RESPIRAÇÃO
Solte o ar no momento do golpe. Respirar profunda e pausadamente entre os ataques e defesas ajuda a relaxar e baixar a freqüência cardíaca, poupando energia e diminuindo o desgaste.

5 - LINGUAGEM CORPORAL
Procure passar uma imagem vencedora para o seu adversário. Não perca seus duelos por antecipação. Procure entrar em combate confiante da sua vitória. Mantenha um comportamento otimista. Afinal de contas, se você perder, poderá aprender muito com isso. O jogo só termina no último golpe, nunca antes.

6 - LIDAR COM ERROS
Errar é um direito de todo jogador, portanto não deixe que o erro, por mais infantil que seja, influencie nos próximos jogos. Não deixe transparecer para o adversário o quanto aquele erro te incomodou.

7 - PALAVRAS NEGATIVAS
Não faça uso de expressões ou palavras negativas, que diminuam você ou seus golpes, abaixem sua moral sua ou de seus colegas ou influencie na sua capacidade de lutar sempre, até o fim. Dizer coisas como “eu sou um lixo”, “eita time ruim” ou “eu sou um merda, meu irmão”, são excelentes armas para o seu adversário usar contra você. Não deixe que ele saiba disso.

8 - ATITUDES POSITIVAS
Tenha sempre atitude de um vencedor. Traga para si, as situações adversas como; torcida, adversários, sol, vento, piso, chuva, etc. O que parece ruim ou incômodo para você pode estar sendo bem mais para o seu adversário. Como diz o ditado: ¨Vento que venta aqui, venta lá também¨

9 - ALEGRIA E PRAZER
Tenha sempre um grande prazer em jogar. Pois esta possibilidade é uma dádiva divina que nunca deve ser menosprezada. Em um mundo de tantas impossibilidades, poder praticar um esporte é o sonho de muitos, mas realização de poucos. Lembre-se disso a todo instante.

10 - PERSISTÊNCIA E AUTOCONFIANÇA
Um campeão é alguém que persistiu um pouco mais e teve um pouco mais de autoconfiança. Pense nisso.

Bons jogos e até a próximo texto!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Reflexões para 2018

O ano de 2017 se encerra em poucos dias. Esta é a última postagem do ano. Queria fazer uma retrospectiva do ano que passou, mas depois de ler alguns textos sobre a mudança dos estados mentais, resolvi fazer diferente. Ao invés de apenas fazer uma retrospectiva do que passou, tentarei elencar aquilo que eu aprendo neste ano.

A lição mais importante que eu pus em prática este ano foi a seguinte: “aquele que não sai para caçar acaba dormindo com fome; é preciso se arriscar para alcançar o mais e o melhor”. 2017 começou com o reino de Eldhestar lutando para sobreviver. Nascido das cinzas dos cavaleiros da virtude o reino estava se desfazendo. Mesmo com todo o empenho dos membros ele veio a ter seu fim. Os fatores foram muitos, mas o principal deles foi que a galera meio que “despilhou” de treinar. Então eu tinha duas opções: ficar a mercê de um grupo morto-vivo ou fazer um grupo novo. Reunido com alguns colegas (Manassés, Gabriel Melo e Hugo Catarino) formamos os Lordes de Ferro, com sede no Gama. Grupo que venho administrando desde agosto de 2017.

A segunda lição que aprendi versa sob liderança. “O bom líder é forjado diretamente na forja da adversidade e moldado com o martelo da vida e a bigorna da experiência”. A verdade é que eu nunca quis ser líder de um grupo. Acontece que se eu não fizesse isso, provavelmente hoje não teria onde treinar.   Além de aceitar o desafio de começar e treinar um grupo do zero eu me dispus a fazer uma liderança participativa e afirmativa, onde todos têm vez e voz dentro do clã. Tenho errado um pouco e acertado outro tanto. Mas o importante é que eu venho evoluindo junto com o grupo.

A terceira lição foi a seguinte: “nenhum de nós é mais forte que todos juntos. E não existe todos nós se um de nós está faltando”. Sei que vai soar como um clichê, daqueles bem piegas como “a união faz a força”, mas é bem isso mesmo. Eu não teria conseguido nada de não fosse o grupo maravilhoso que eu tenho. Eles não apenas compraram a ideia do grupo, mas se dedicaram de sobremaneira. Não tenho como deixar de agradecer.

A última lição que eu quero compartilhar com vocês é a seguinte: você não precisa esperar o ano novo para mudar a sua vida. Mude agora.

Estamos oficialmente de recesso. Nos veremos de novo em 2018. 




domingo, 17 de dezembro de 2017

Imprevistos (shit!) acontecem (e a importância de estar preparado para eles)

Hoje foi o último domingo de sol do ano de 2017. Clima meio nubladinho, perfeito para ir até o local de treino e passar algumas horas trocando golpes com seus colegas de reino. Mas acabou não rolando. Onde eu estava quando o ultimo domingo de sol do ano dava as caras? Estava preso no meu quarto, over medicado, me retorcendo de dor. E sem eu, não tem treino.

Ok, eu não quero parecer um babaca. Desses meninos bestas que se não forem não tem jogo de futebol porque a bola é dele. Mas acontece é que se eu não for para dar o treino, ou pelo menos para levar o equipamento da galera (todas as armas do reino ou a sua grande maioria são obra da minha forja), não tem treino. Acho que apenas três ou quatro membros do reino (3 ou 4 num universo de 20 membros mais ou menos frequentes) tem seu próprio material. E não, não dá para reunir de dez a quinze pessoas para lutar de só temos três espadas disponíveis.

Bom, você pode dizer que imprevistos, como ficar doente, acontecem. E que não tem nada que você possa fazer quanto a isso a não ser lamentar e ser um pouco compreensivo. Mas eu penso que não. Se a grande maioria dos membros já tivesse seu equipamento próprio, o fato de eu estar doente ou incapacitado de aparecer não atrapalharia os treinos.

“Ah Betão, qual é?” – interpela o rapaz de cabelos backpower e camiseta tanquinho – “Eu moro na pata que partiu! Tu imaginas como é complicado ficar andando para cima e para baixo com uma espada de espuma, num ônibus?”. Claro que eu entendo. Eu já fui para um treino de ônibus (combo ônibus + van) com saco de espadas e escudo. Mas entendo perfeitamente o seu ponto. Não é todo mundo que pode sair por aí carregando um arsenal na rua.

Outra opção seria que tivesse alguém, ou algumas pessoas responsáveis em levar parte do arsenal para os treinos. O problema é que isso maximiza as chances de alguma coisa dar errado. Imagina se eu divido o arsenal em espadas longas (Spartacus), Arming swords e espadas curtas (Bardo), escudos (Gato), Lanças (Diva) e nesse da, exatamente, o Bardo não vem.  

E como resolver esse problema? A curto prazo não tem. O ideal é que cada um fizesse sua arma de confiança e a levasse aos treinos. Ok, seu que carregar uma espada na van é complicada, mas se ela estiver numa sacolinha, fica até de boas.



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Cuidando do seu bem mais valioso

Olá amigos. Desculpem a demora em escrever, mas muita coisa aconteceu desde a última vez que eu abri este blog para falar a respeito de Swordplay e coisas assim.

Eu tenho liderado um pequeno, mas promissor, grupo de swordplay aqui no Gama. Começamos os treinos em agosto deste ano e hoje já contamos com 10-15 pessoas por treino. Os Lordes de Ferro. Já temos até um canal no youtube e uma página no face. Dá um google por nós.

E como líder eu tenho percebido que as minhas responsabilidades vão bem mais longe do que coordenar os treinos e manter o equipamento em bom estado. Os meus jogadores acreditam na proposta que eu apresento. Eles acreditam no nosso grupo. E justamente por acreditarem no nosso grupo é que e descobri a coisa mais importante que um grupo de swordplay pode ter. Seus membros.

Muito recentemente eu estava contatando alguns jogadores “turistas” e tive o seguinte diálogo com um deles:

Jogador: Depois de umas coisas que rolaram, perdi um pouco do interesse em umas coisas q eu fazia. Mas sinto falta se vocês...
Eu: Como assim?
Jogador: Antes eu adorava treinar agora é só falta de vocês, mas a cama ou alguma coisa puxa pra ficar dentro de casa, né?
Eu: Eu entendo bem a sua posição. Tem dias que eu também não quero sair de casa para treinar. Mas é só me pôr em movimento que a sensação some por completo. Não pode deixar a preguiça é impedir de você de se divertir com seus amigos. Eu estou esperando por você no próximo treino, sem falta.
Jogador: Farei meu máximo pra ir pra vocês me darem muita porrada, porque tô sem treinar a muito tempo.
Eu: Não se preocupe. Você vai ver como é bom treinar com um monte de gente. Deu 14 pessoas no treino de domingo. Muita gente para dar porrada.
Jogador: Sim, tá aumentando muito. Tô vendo eles irem treinar no calorzão, na chuva... Sua equipe é ótima ^^.
Eu: Nossa equipe. Eu não teria conseguido sem você. Nós não somos um todo quando está faltando alguém.
Jogador: Vai estar completo domingo, e eu vou estar aí batendo nas costas dos outros e correndo...

Quando você cuida bem de seus membros, os seus membros cuidam do seu grupo.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Sabotador

Então você finalmente criou vergonha na cara e resolveu montar o seu grupo de swordplay. Foram semanas de pesquisa na internet, olhando fóruns e grupos do facebook, navegando em vídeos do youtube, até que finalmente você forjou a sua primeira espada. Ok, não ficou essas coisas todas, mas você continuou firme. Reuniu meia dúzia de colegas que se interessaram quando você mostrou aquele vídeo com os melhores momentos do EPS 2015 e começaram a treinar.
No começo parecia aquela novela do SBT: “Éramos Seis”. Mas com persistência e trabalho duro o grupo começou a crescer. Os amigos chamaram amigos, que chamaram outros amigos e quando você viu, já tinha gente o bastante para fazer um dia inteiro de 5x5. Vocês montaram tabardos personalizados, determinaram símbolos, patentes e de repente já eram um clã, reconhecido na região.
Então começaram a surgir as “figurinhas carimbadas” que povoam a flora e fauna de todos os grupos de swordplay: os turistas (que aparecem de vez em nunca), os highlanders (que nunca morrem), os sentidos (que todo golpe pega forte), os ninjas (que ficam invisíveis até a hora de dar o golpe), as meninas alegres (que mais conversam do que jogam), os otakus (que correm como Narutos retardados no campo de batalha) e os Sabotadores... o pior tipo de criatura que pode cair no seu treino.

Um Sabotador no ninho
Os Sabotadores são um tipo especial de parasita. Eles vêm aos treinos, mas estão preocupados apenas com a sua própria diversão. Eles não ajudam em nada, não contribuem em nada. Mas antes fosse apenas isso. Além de não ajudar, a Sabotador em questão faz discurso contra a liderança, minando as boas ações do líder do clã e criando atritos desnecessários dentro do grupo.
Ele é sempre uma voz dissonante, excessivamente critica destrutiva, apontando apenas as falhas e desmerecendo todo o trabalho realizado até então. Além disso ele forma “panelinhas”, aumentando ainda mais a desunião do grupo. Muitas vezes ele também planta a semente da discórdia entre os membros, espalhando mentiras e fofoquinhas. Você sabe de quem estou falando: o famoso “leva e traz”.
Vejo a Sabotador como o pior tipo de jogador que existe. Porque tudo que ele faz tem por objetivo destruir ou desestabilizar o grupo. E depois de meses (ou mesmo anos!) atrapalhando o bom andamento do grupo, ele simplesmente abandona o clã – que ele mesmo nunca ajudou, mas atrapalhou para caramba. Mas ao sair ele não diz que saiu porque não estava satisfeito com o andamento das coisas: ele sai apontando o dedo para todas as direções, jogando a culpa nos outros membros. A culpa do fracasso nunca é dele. Ele é sempre a vítima. É sempre ele que está sendo perseguido pela liderança, ou maltratado pelos colegas.

Hora de arrancar o ninho das cobras pela raiz
Quando eu ainda trenava nos cavaleiros da virtude pude identificar algumas dessas pessoas. Algumas delas foram tão tóxicas que trouxeram prejuízos indeléveis ao grupo. Prejuízos esses que, fatalmente, levaram o grupo a seu prematuro fim.
Numa dessas ocasiões (relatada com detalhes na postagem “Diz que me disse dói mais que golpe dado em países baixos”, do dia 13 de agosto de 2016) um menino chamou seu pai ao treino para tirar satisfações comigo por uma coisa que eu nunca tinha dito!
Em outra ocasião, quando nós discutíamos a respeito do nosso tabardo, eu afirmei que não me sentia à vontade para usar uma cruz, porque desrespeitava o meu credo. Daí um cara disse mais ou menos assim: “pois eu acho que está na hora de você buscar outro grupo”. Cara, aquilo magoou bastante. E quase que eu fiz isso mesmo.

E por que as pessoas fazem isso?
Porque sabotadores são pessoas que não desejam o crescimento de ninguém e colocam a si mesmas em primeiro lugar, sempre. A psicóloga Dra. Beatriz Nayara define o sabotador como uma pessoa emocionalmente incompetente. "Por mais calculista que seja, o sabotador é um desajustado, que vai arcar um dia com o seu próprio blefe. Talvez a forma mais usual de eles atuarem seja usando de fofocas e mentiras. Mas a quem convencem com essas fofocas e mentiras? Primeiramente eles mesmos e depois qualquer incauto que caia em sua lábia”, completa.

E como identificar esse tipo de parasita?
Os sabotadores dificilmente fazem elogios; demonstram que nada do que os outros fazem é bom o suficiente; quando você mostra sua arma nova, dizem que ela não está bem “teipada”; não querem que você lute além do necessário. “Para que correr se a chegada final de todos é a morte?” dizem alguns deles. A cada passo para frente que o grupo dá, eles tentam dar dois passos para trás.
Inclusive, por incrível que pareça , existem líderes de clãs que também são sabotadores (mesmo que sejam assim de forma inconsciente). Existem líderes de clã que são inseguros e, por isso, acabam sabotando, conscientemente ou não, os próprios colegas de treino. Quando um membro do treino tenta fazer algo para melhorar, esse tipo de líder passa a mão na cabeça dele, dando a entender que ele não consegue fazer sozinho, ou pior, desencoraja a pessoa imediatamente.
Existem sabotadores que agem de forma muito sutil, quase imperceptível. Na frente do alvo, parecem bons amigos. Pelas costas, a lógica se inverte. São colegas que se fazem de amigos, nunca falam mal pela frente, mas, quando são questionados, logo apontam o dedo. Além disso, não dão o crédito devido às pessoas. Desconfie das pessoas que parecem saber de todas as fofocas que estão rolando ou que falam mal dos líderes pelas costas.
Infelizmente não existe uma forma 100% segura de se lidar com esse tipo de gente. O ideal é sempre deixar as coisas transparentes, e conscientizar os membros do seu grupo contra esse tipo de criatura. Reuniões pós-treino, para colocar tudo em pratos limpos, onde todo mundo tem o direito de falar e de ser ouvido costuma dar bons resultados. Mas o papel principal é feito por você que está lendo isso. Não seja um leve e traz. Não deixe que falem pelas costas do seu grupo ou do seu líder. Uma coisa é uma crítica construtiva e outra é a crítica apenas pela crítica. Aprenda a separar as duas, aceitando a primeira e rechaçando a segunda imediatamente.
Era isso. Vamos ver no que dá. 

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