terça-feira, 8 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
Esforço e graduação.
Certa vez perguntaram para Ronda Rousey qual era o seu herói
favorito. Sem titubear a ex-campeã respondeu que gostava muito de Dragon Ball, especialmente
Goku e Vegeta. O fã emendou em seguida: por que não o super homem? Daí ela
respondeu com uma simplicidade que se perde na tradução: porque o super homem
não fez esforço nenhum para ganhar seus poderes. E se você pensar bem essa é
uma das grandes coisas da vida: crescer a partir do teu próprio esforço. Outra
das coisas mais legais do mundo é quando te reconhecem pelo teu esforço e pelo teu
desenvolvimento pessoal.
E daí? Daí que nos grupos de swordplay essa dinâmica também existe.
E graças a deus, não existe super homem jogando. Se você quer ser “alguém” vai
ter de ser pelo teu desenvolvimento pessoal. Vai ter de suar o tabardo e levar
muita espadinha no peito. E quando eu falo isso não é apenas por conta da tua
habilidade com a tua arma de preferência. Nos grupos sérios, como a Beufort, a
Folkisgate, a Magnus Legio, o Império Kyodai (só para citar alguns) não basta
que você tenha uma boa perícia com a espada. Exige-se também um comprometimento
que vai muito mais do que ir frequentemente aos treinos. Tem a ver muito mais
com outras capacidades como companheirismo, liderança, honra, senso de justiça,
coragem, honestidade e outros predicados igualmente indispensáveis.
Por isso, se houver alguma graduação no seu grupo e você não
passar para um cargo mais elevado não fique com raivinha do pessoal de patente
mais elevada. Aproveite este momento para olhar para dentro de você e vigiar
suas atitudes. Estou lutando limpo? Estou aceitando os golpes? Estou lutando em
igualdade de condições com pessoas com menos habilidade do que eu? Eu cumpro
com o que prometi? Será que eu bato com muita força? Será que sou highlander?
Será que fico cantando golpes? Será que não tenho me esforçado o bastante?
Vale a pena olhar para si mesmo e se conhecer melhor.
Aproveite para aprender com seus erros. E por favor, não desconte nos outros
quando você não consegue crescer.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Você não é obrigado.
Torneio são eventos sociais na acepção do termo. Muito mais
que um momento de disputas e competição é o momento de confraternizar, de conhecer,
de aprimorar, de se autodescobrir. Durante o I Torneio de Verão dos Cavaleiros
da Virtude eu tive o prazer de conhecer muitas pessoas bacanas. Mas
especialmente eu tive também o prazer de rever alguns colegas de treino que não
davam as caras fazia um bom tempo. Entre
as desculpas usuais “é a crise”, “estou na faculdade”, “estou sem grana” uma
delas chamou muito a minha atenção: “Ah cara, eu estava me sentindo sufocado. Esse
negócio de vir aos treinos todo sábado trava a agenda. Às vezes eu queria sair
com a namorada, passar tempo com a família, ir ao cinema e não podia porque tinha
essa obrigação com os treinos”.
Bom, deixa eu dizer para vocês, 1d6 leitores, o mesmo que eu
disse para o nobre colega: você não é obrigado. Swordplay é um hobby. Um
passatempo. Alguma coisa que você faz porque gosta e porque tem tempo livre e
porque está a fim de ir. São muitos “E” e muitos “SE” para preencher antes de você
fazer o aquecimento e trocar golpes com um coleguinha. Você não é obrigado a
vir em todos os treinos. Você não é
obrigado mesmo. Sério. Acredite em mim.
Quando eu comecei no Swrodplay avisei logo de cara que se
algum jogo de RPG ou evento literário, ou cinema, ou qualquer outra coisa
caísse no sábado eu não ia pensar duas vezes em deixar as espadas guardadas no
armário da sala. As pessoas tendem a exagerar nos seus hobbies e na importância
que eles assumem em suas vidas. Mas é como a minha mãe costuma dizer, com muita
sabedoria: “primeiro a obrigação, depois a devoção”. Pra mim Swordplay é apenas
um passatempo. Divertido, mas não passa disso.
Por isso eu convido a todos os amigos que estão afastados dos
treinos por se sentirem obrigados a vir, que não se sintam assim: venham quando
quiserem. Não se sintam envergonhados de passar tempo fora e depois voltar. Todo
mundo se “enferruja” de vez em quando. Não é nada para se sentir mal.
No mais, um último conselho: se você tem algum hobby que
está afetando negativamente a sua vida, se afaste dele. Saber lutar bem com a
espada e o escudo é bacana, mas não vale o preço de ficar reprovado ou brigar
com as pessoas que amamos.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Resultados do primeiro torneio de Verão dos Cavaleiros da Virtude
E o torneio terminou... e foi um sucesso.
Olá amigos,
Faz algumas semanas que eu venho noticiando e convidando a
todos para o primeiro torneio de verão dos Cavaleiros da Virtude. O torneio é
um dos quatro torneios que a Aliança de Beufort pretende lançar ao longo de
2016 e foi o “evento teste”. Ele foi totalmente organizado com os recursos dos
Cavaleiros, que investiram bastante tempo e esforço nele. E o resultado? Não
poderia ter sido melhor. Tivemos uma tarde muito agradável, com mais de 36
lutadores em busca da poderosa espada do verão, a Sumarbrander, em homenagem ao
lançamento do livro Magnus Chase e a espada do Verão, de Rick Riordan. Alias o
prêmio para o primeiro lugar foi uma réplica para swordplay desta mesma espada.
O torneio começou com o típico atraso tupiniquim, tanto por
parte de alguns contentores que chegaram atrasados como por conta da
organização. Mas depois que as chaves de duelo ficaram prontas foi só curtição
e alegria. Uma das inovações que usamos no torneio foi de ter dois juízes por
luta e duas câmeras filmando simultaneamente. Isso ajudou pacas a tirar dúvidas
sobre aquele famoso “pegou/não pegou”. Afinal, swordplay não é futebol: podemos
e devemos fazer bom uso da tecnologia para garantir a vitória do mais
habilidoso.
E falando em habilidade... cara o nível do torneio estava
altíssimo. Dava para ver isso pelos combates absurdamente rápidos. Alguns
duraram menos de três segundos e o mais longo durou cerca de dois minutos. Para efeitos de comparação de estrutura
usamos o mesmo esquema do campeonato de artes marciais de Dragon Ball. Chave
simples, eliminatória, com uma pequena diferença: um “free for all” de adagas
designou oito contentores para uma repescagem.
No final do Torneio, Lucão da ordem dos assassinos foi o
grande campeão, levando a espada para casa como um troféu. O segundo lugar
ficou com Frank Cavalcante dos cavaleiros de Ibelin.
Além dos 36 lutadores teve um sem número se pessoas que
deram as caras apenas para curtir o momento e torcer para o seu lutador favorito.
A estrutura até que não estava nada mal para um primeiro torneio: tinha uma
barraca de comidinhas com pudim, mousse, bolo, cachorro quente, refri, e outras
guloseimas por preços muito convidativos. Entre uma luta e outra os contentores
se revessavam enchendo a pança. Eu mesmo aproveitei pacas quando, no fim do
torneio, os mousses de limão tiveram seus preços reduzidos à metade. Comi até
quase ficar azedo.
Mas a melhor parte de todo o torneio foi a camaradagem
envolvendo os diversos grupos. Não importava de que clã ou grupo você era. Tudo
que as pessoas queriam era confraternizar, se divertir, curtir uma tarde de
sábado com o seu hobby e outros praticantes. E foi isso que aconteceu.
Bem, se você não deu as caras neste torneio saiba que perdeu
uma boa dose de diversão. E se você veio, tenho certeza que vai querer estar
conosco no segundo torneio deste ano. Aguardem novidades!
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Refazer é mais complicado que sair do zero.
Desde que comecei com esse lance de swordplay eu tenho
aprendido muita coisa sobre a mecânica da forja de espadas. Com canais como o
Magnus Legio ou o Belator ou mesmo com outros canais alternativos aprende-se os
rudimentos da forja. É edificante ver que você pode construir armas do nada,
usando apenas o material e a técnica certa.
Mas é a experiência do dia a dia que nos ensina a reaproveitar
material. Aquela espada longa que quebrou vira uma proeminente adaga; a
alabarda vira um machado tomahawk; o escudo grande vira um broquel. Fazer novos
itens com peças sobressalentes é uma boa forma de alimentar a criatividade, poupar
custos e manter o forjador afiado. O brasileiro é naturalmente um gambiarreiro
natural.
Mas quando o assunto é refazer, ou seja, restaurar parece
que a coisa muda de figura. Como é complicado restaurar aquela espada que se
quebrou bem no meio. Como é difícil recuperar aquela guarda feita com todo
cuidado por um ferreiro que nem esta mais por aqui. É bem mais fácil (e muitas
vezes mais seguro) rapinar aquele material e fazer outra.
Recentemente eu
troquei a lateral de uma das minhas primeiras forjas. Uma espada tipo viking,
de uma mão. Meses de combates tenham deixado a estrutura mais dura do que
deveria e eu precisava trocar o acolchoamento para manter a espada macia e
segura. Mas como deu trabalho fazer todos aqueles cortes em volta da lâmina
principal. Foram dois dias de muito trabalho. E o resultado? Bom, não posso
dizer que ficou como eu queria, mas a espada está de volta ao trabalho.
Cada vez mais eu respeito quem é capaz de fazer uma boa
restauração.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Magia no Swordplay
Antes de começar aqui quero dizer algumas coisas. Você não é
obrigado a gostar da ideia de adicionar de magia e swordplay no mesmo
evento/treino. É uma coisa absolutamente opcional. Usa quem quer; quem não
quer, não usa. Então, se você faz parte do grupo de pessoas que não curte a
ideia de juntar essas duas coisas, simplesmente ignore esta postagem. Por favor,
eu estou implorando para o seu bom senso: não preciso de ninguém aqui bancando
o fanzóide com mentalidade de dez anos de idade tentando me dizer o que é ou o
que deixa de ser swordplay ou como eu devo jogar ou deixar de jogar essa
bagaça. Estamos entendidos? Ok.
Se você ficou até aqui deve ter ao menos uma mente mais
aberta ou curiosidade o bastante para ver como é que lidamos com o assunto,
certo? Beleza, não vou deixar você esperando.
Como você deve saber existem algumas “classes” dentro do
swordplay e dependem, normalmente, da arma que você usa. Então temos a infantaria
leve (espadas, maças, machados, dual, broquéis...), os escudeiros (combinação
espada e escudo), os lanceiros (Lança? Dã...), os arqueiros (arco e flecha e
bestas) e os “Odd Jobs” (armas exóticas como o chicote de cravos, a
kusarigama...). Aqui colocamos uma nova classe combatente: o usuário de magia, ou
simplesmente Arcano.
Sob muitos aspectos o Arcano se parece muito com o Arqueiro.
Ele “dispara” suas magias nos outros, mas sem o auxílio de uma arma específica.
As suas magias são representadas por fitas e bolinhas de meia coloridas. Assim
como os arqueiros, os arcanos podem ficar “sem munição”.
Mas os arcanos não disparam flechas ou setas. Eles disparam
magias, ou como eu gosto de pensar, eles disparam “saquinhos de efeitos
especiais”. Pense no Arcano como um jogador coringa que pode alterar as
mecânicas do campo de batalha, dentro de um sistema de regras bem determinado. Ele
pode ressuscitar colegas, recuperar pontos de vida ou membros perdidos (no caso
de partidas que exijam o modo carniceiro), aumentar o dano das armas normais,
deixar alguém mais “difícil” de matar... coisas desse tipo.
A presença de um arcano em campo modifica e muito a dinâmica
do swordplay comum, adicionando novas formas de estratégia, combate ou mesmo formações.
Para representar a magia os arcanos usam cores. São chamadas
de as cores da magia. Sendo assim qualquer pessoa familiarizada com as regras
pode identificar imediatamente o que o arcano fez ou o que está fazendo apenas
a cor do material que ele está manipulando.
Vermelho – dano direto. Funciona como um boffer. Onde atinge
causa dano como uma espada. É o ataque básico do arcano. Cada arcano pode ter
no máximo seis bolinhas de meia, cobertos com tecido vermelho. As regras de
boffer se aplicam integralmente: as bolinhas podem ser “rebatidas” com uma
arma, bloqueadas com um escudo e se pegam nas famosas “zonas proibidas” causam
prejuízo para quem lançou.
Azul – encantamento. Muda o funcionamento de armas e
armaduras. Modifica a mecânica de um item. É representado por um lenço longo
(pelo menos 30cm) de cor azul que deve ser amarrado na peça. Uma espada
encantada deve ter esse lenço amarrado nela pelo Arcano (ninguém mais pode
fazer isso e só pode feito em combate).
Amarelo – cura e ressurreição. Recupera pontos de vida ou
mesmo traz de volta ao combate pessoas que já foram derrotados. É representado
por uma pulseira de elástico da cor amarela. Uma pessoa só pode receber os
efeitos da magia de cura uma única vez.
Exemplos de magia:
Raio de fogo – Bolinha de tecido arremessável, macia. Pode ser
barrada por escudos e defletida por armas (pode ser rebatida). Causa dano de
acordo com o lugar que atinge. Máximo de 6 por Arcano.
Cura – Fita elástica da cor amarela. Quem for curado por ela tem que usar a fita
até o fim do combate. Máximo de 4 fitas.
Arma mágica – Lenço comprido azul amarrado na arma. A arma
fica encantada e mata com apenas um golpe certeiro, seja no braço ou na perna.
O encantamento dura até o fim do combate. Máximo de 2 lenços.
Vida extra – Lenço comprido azul amarrado na cabeça. A
pessoa ganha um ponto de vida extra, até o máximo de 3 pontos de vida.
OBS: O usuário de magia não pode:
Usar armadura;
Usar escudo;
A arma do usuário de magia tem que ter no máximo 70cm de
comprimento total e não pode ser dual.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Você copiou/roubou as minhas cores!
“só pra avisar, eu ainda tenho
algumas batas pra repassar, aproveitando que copiaram minhas cores, passando em
brasilia tento vender”. Foi com essa frase, copiada ipsi literis da uma
postagem no facebook, que começou uma das tretas mais “vergonha alheia” que eu
já v no swordplay. No começo pensei que se tratava apenas de uma brincadeira, mas
depois percebi que pelo menos uma das pessoas envolvidas acha (ou acredita
realmente) que foi ele que inventou o tabardo de duas cores. No caso específico
as cores preta e amarela, ou seja, as cores que usamos em nosso pequeno reino. Sério...
é isso mesmo, produção?
Vamos por alguns argumentos à
mesa, shall we?
Tabardo (substantivo masculino,
relativo à vestimenta). 1. Nos séculos XIII e XIV, espécie de capote com capuz
abotoado e mangas. 2. No século XV, casaco folgado, com grande capuz e mangas,
que os homens usavam sobre uma espécie de colete e as mulheres, sobre um
corpete. John Stow escreveu em 1598, para o dicionário Oxford, "Agora,
essas Tabardos são usados apenas pelo Heraults, e são chamados de ‘Coates de
Armes’ em serviço." ("Now these Tabardes are onely worne by the
Heraults, and bee called their coates of Armes in service").
As cores e os arranjos de cores
como conhecemos hoje vêm também do século XV e identificavam as “casas” ou a
ordem que cada portador da peça pertencia. Thomas Hawley, oficial de armas do
Colégio de Armas de Londres, em 1557, durante o reinado de Henrique VII, ficou
imortalizado em pintura usando um tabardo azul e vermelho com imagens em
dourado. Algumas das bandeiras mais
antigas da Irlanda e da Bretanha (por volta de 1600-1700) usavam as combinações
de vermelho e preto, e amarelo e preto. Os chefes de Tir Eogan usaram as amarelo
e preto por muito tempo em suas bandeiras. Maryland (EUA) usa na sua bandeira a
combinação amarelo e preto, além de uma cruz vermelha vazada num fundo branco.
Tendo explanado isso fica claro
que ninguém pode se dizer “dono” ou criador de combinação de cores para um
Tabardo, bandeira, emblema ou lenço de assoar nariz a não ser que seja capaz de
provar que tem pelo menos 415 anos de idade e seja nascido onde hoje temos a
Irlanda ou o norte da Inglaterra. Se não for esse o seu caso, por favor, deixe
de passar vergonha alheia.
No mundo do swordplay, onde vivemos de beber de fontes históricas, se dizer dono ou criador de alguma coisa é o primeiro passo para você se tornar o rei de todos os bacabas e bundões do mundo – e olha que não são poucos: nem os bundões, nem os babacas e nem os que querem o posto de rei.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Torneio à vista!
Nosso primeiro torneio galera! O I Torneio de Verão dos Cavaleiros da Virtude. Nas próximas postagens eu vou colocar mais detalhes, como regras, premiação e modalidade!
Fiquem no aguardo!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Os cinco pilares do swordplay
Aviso: Ok, eu não quero e nem vou
bancar o dono da verdade aqui. Essa postagem é puramente opinativa. É a minha
opinião sobre o assunto e mais nada. Se você gostar, ok. Se não gostar, bem,
existem outros lugares onde você pode ir.
Uma das coisas que eu mais gosto
quando o assunto são artes marcais é a filosofia envolvida. Se você já praticou
alguma arte marcial num dojo sério sabe do que é que eu estou falando. São
muito mais que lições de vida, como as que vemos em filmes como Kung Fu Panda
ou Samurai X. Em alguns casos envolvem maneiras diferentes de encarar a vida,
buscando um estilo de vida mais, como dizer, “elevado”...
Vai ver é por isso que não me
agradam de verdade as Artes Marciais Mistas (MMA) que temos inundando os meios
de comunicação atualmente, justamente porque não existe uma filosofia
envolvida. A “filosofia do MMA” (se é que podemos chamar assim) resume-se a
ganhar do outro, não importa o que aconteça. Eu realmente não gosto disso. Vai contra
tudo o que eu aprendi sobre esporte, onde o importante é competir e não vencer.
Então, com base no que eu sei
sobre filosofia, cavalaria, bushidô e história do pensamento eu elenquei cinco
pilares que eu mesmo considero indispensáveis para a boa prática do swordplay.
São eles:
Honra
Respeito
Controle
Disciplina
Coragem
A Honra é um pilar de
comportamento do ser humano que age baseado em valores bondosos, como a
honestidade, dignidade, valentia e outras características que são consideradas
socialmente virtuosas. É também o princípio que leva alguém a ter uma conduta digna
e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade. Eu derivei este
conceito de uma das virtudes do bushido, o Meiyo. O verdadeiro guerreiro só tem
um juiz de sua honra, e este juiz é ele mesmo. As escolhas que você faz e como
você trabalha para obtê-las são um reflexo de quem você realmente é. Você não
pode se esconder de si mesmo. Dizemos muitas vezes o que os outros querem que
digamos, vemos o que os outros querem que vejamos. Ouvimos o que os outros
querem que ouçamos. O valor da nossa dignidade pessoal está implícito na
palavra honra.
No swordplay esse pilar
implica-se basicamente em duas oportunidades: a honestidade e o cuidado.
Honestidade para admitir que recebeu aquele golpe e não tornar-se um highlander
e cuidado para agir de modo a não machucar os outros. Afinal, treinamos boffer
swordPLAY e não boffer swordFIGHT.
O Respeito é oriundo do latim “respectus”
que é um sentimento positivo e significa ação ou efeito de respeitar, apreço,
consideração, deferência. Na sua origem em latim, a palavra respeito
significava “olhar outra vez”. Assim, algo que merece um segundo olhar é algo
digno de respeito. Por esse motivo,
respeito também pode ser uma forma de veneração, de prestar culto ou fazer uma
homenagem a alguém, como indica a expressão "apresentar os seus
respeitos". Ter respeito por alguém também pode implicar um comportamento
de submissão e temor.
Ele também tem inspiração noutra
virtude do bushido, o Rei. O verdadeiro guerreiro não tem nenhuma razão para
ser cruel. Não há necessidade de provar a sua força. Um verdadeiro guerreiro é
cortês até mesmo para com os seus inimigos. Se não fosse assim, ele não seria
melhor do que qualquer animal. Um lutador de verdade é respeitado não só por sua
coragem, mas também pela forma como eles tratam os outros. O respeito impede
que uma pessoa tenha atitudes reprováveis em relação à outra.
No swordplay o respeito se
estende à todos: do rei ao mais novo recruta. Um bom guerreiro trata com
respeito a todos, agindo com a parcimônia necessária em todos os casos.
Controle também vem do latim. São
duas palavras: “contra” e “rotulus”, que indicam ato ou efeito de controlar-se.
Neste caso também gosto de usar o termo autocontrole. Nas artes marciais este
pilar indica a nossa capacidade de dominar um determinado aspecto da técnica,
ou a técnica em si. Ter controle, entretanto, vai muito mais do que dominar uma
técnica ou estilo de luta. Ele está diretamente ligado a controlar também a nós
mesmos. Evitar nos exceder ou que sejamos displicentes naquilo que fazemos. A medida
do autocontrole também é a medida do autoconhecimento.
No swordplay ter controle é saber
o que fazer e como fazer. É não usar força excessiva, é manter a calma quando
atingido por algum golpe mais sofrido. É ser “cool”.
Disciplina do latim “discipulus”:
“aquele que aprende”, e do verbo “discere”, que significa aprender. Para o
filósofo pragmático americano Jim Rohn a disciplina é a ponte entre metas e
realizações. Este talvez seja o pilar, o hábito, a virtude que buscamos com
quem convivemos, tanto a nível profissional, como pessoal. Percebemos grande
dificuldade das pessoas em seguir algum propósito, isto tem haver com
disciplina ou falta dela. Sem disciplina, o indivíduo pode ser submetido a
metas, objetivos, cobranças... pode até ser treinado e de nada adiantará. Do
esporte vêm os casos mais escancarados onde a falta da disciplina implica
diretamente no desempenho indesejável, tanto pessoal, como profissional.
A disciplina, assim como o
controle, também tem uma face voltada diretamente ao ser humano. Assim, a
autodisciplina pode ser considerada um tipo de treinamento específico, criando-se
novos hábitos de pensamento, ação e linguagem para o auto-aperfeiçoamento e
para ajudar a obter suas metas. A autodisciplina pode também ser alcançada
através de pequenas tarefas específicas. Encare a autodisciplina como um
esforço positivo e não como negativo (de deixar para lá).
No swordplay a disciplina está em
se conhecer as regras e saber aplica-las; a dedicar-se ao que tem que ser feito
sem deixar para “depois”. Em se conhecer e se aprimorar a cada treino.
Coragem vem do latim “coraticum” e é a capacidade de agir apesar do medo, do temor e da intimidação. Deve-se notar que coragem não significa a ausência do medo, e sim a ação apesar deste. Muitas vezes é tida também como virtude, como é o caso do bushido, onde ela se encerra em Yuu: um samurai deve ter coragem. Viver é arriscado e perigoso e esconder-se como uma tartaruga que se esconde em sua concha não é a maneira mais adequada de viver. Devemos aprender a viver a vida ao máximo, intensamente. Substitua o medo pelo respeito e cautela. A coragem não é cega, ela é inteligente e forte. O guerreiro bravo motiva-se a ir mais além. Enfrenta os desafios com confiança e não se preocupa com o pior. O medo pode ser constante, mas o impulso o leva adiante. Coragem é a confiança que o homem tem em momentos de temor ou situações difíceis, é o que o faz viver lutando e enfrentando os problemas e as barreiras que colocam medo, é a força positiva para combater momentos tenebrosos da vida.
No swordplay implica em “ir para
cima”, “cair dentro”, não importa quem é o outro cara. Sim, você vai ser
respeitoso ao lutar com o melhor dos lanceiros, mas isso não vai impedir você de
dar os eu melhor.
No fim das contas, você tem que
coragem para enfrentar o seu oponente em batalha; tem que ter disciplina e controle
para enfrenta-lo de forma digna; e agir com respeito e honra, seja qual for o
resultado da luta.
É isso. Obrigado para quem leu
tudo isso.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Quem é o dono da técnica?
Técnica. Do grego “téchne”, significava
arte, ou ofício. É o procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm, como
objetivo, obter um determinado resultado, seja no campo da ciência, da
tecnologia, das artes ou em outra atividade qualquer. Trocando em miúdos,
técnica é tipo uma “receita de bolo” que você segue para conseguir alguma
coisa, algum resultado. Óbvio que a definição do termo “técnica” vai bem além
disso, mas para o que eu quero discutir aqui essa ideia central serve muito
bem.
Todo mundo que pratica swordplay
já tentou, pelo menos uma vez, fazer a sua própria espada. Não só no Brasil,
como em todo mundo as pessoas desenvolvem “receitas” de como fazer suas armas
favoritas, dando mais cor e forma ao desporto: machados de duas cabeças,
réplicas de armas vistas em filmes e animes, armas orientais, onde o limite é
apenas o que a pessoa é capaz de construir. Tutoriais existem aos montes pela
internet e não me deixam mentir. Alguns deles tão antigos quanto a atividade
desportiva em si. Variações dentro dos modelos, formas, objetivos e
necessidades que se aplicam a cada grupo ou clã. É muito comum, inclusive, que
se dê nome às técnicas mais famosas. É normal ouvir coisas como “esta espada
foi feita pelo método bellator” ou “esse machado foi feito baseado no estilo da
magnus legio”. E não existe nada de errado nisso.
Mas será que existe alguém que
possa dizer-se “dono/dona” de uma determinada técnica? Será que num mundo com 7
bilhões de pessoas, você é único “floquinho de neve” que desenvolveu aquele
modo de fazer adagas, ou aquele jeito de fortificar as bases de um machado?
Desculpe filho/filha, mas a resposta é não.
Existem XXXX itens a serem
observados. O primeiro deles é que existe nos seres humanos uma coisa chamada “evolução
paralela”: pessoas submetidas a problemas semelhantes e com recursos
semelhantes tendem a descobrir respostas parecidas para seus problemas. Você é
capaz de dizer qual o país ou cultura do mundo desenvolveu a lança? Ou
espada? A clava? Você não pode porque
são criações que existem em todas as culturas do mundo. Desde os Ianômanis do norte
do Brasil, passando pelos Otomanos do século XV, até os gregos de VII aC.
A segunda coisa a ser observada é
que muito do que é criado no swordplay vem da interação com os outros. É muito
difícil fazer swordplay sozinho. Não dá para dizer onde começou a sua ideia e
onde terminou a dica do outro. Quem pensou me usar macarrão de piscina pela
primeira vez? Quem decidiu fazer guarda de EVA siliconado? Quem decidiu
experimentar a fibra de vidro ou o famoso (e mítico) PI pela primeira vez? Ninguém
sabe, mas provavelmente não foi qualquer um capaz de ler essas palavras.
Então o meu conselho é: vamos
parar de ser cuzões e deixar de reivindicar para nós mesmos a “invenção da roda”.
Se você criou algo bem legal mesmo para o desporto o legal é compartilhar com
os outros. Manter a fórmula secreta só para você faz de você um babaca. E de
babacas, convenhamos, o mundo está cheio.
É isso gentes. Bom fim de ano para todos e longa
vida ao swordplay.
Serviço:
Magnus Legio - https://www.youtube.com/channel/UCWMzWUZuU0FdULLjX8wJNTQ
Dacmarcinakis - https://www.youtube.com/channel/UCYvjVswU6CzMRCyoENE0jVQ
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