segunda-feira, 21 de março de 2016

Swordplay como atração de eventos de games/animes

Sugestão do leitor Gabriel Luz


Os eventos de anime são um fenômeno razoavelmente recente. Uma clara evolução dos grandes eventos de RPG dos anos 90, começaram a ganhar força nos primeiros anos da década de 2000, com a explosão de animes no Brasil. Nesta época animes como Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X, Yuyu Hakusho, Samurai Warriors, Dragon Ball entre outros fazia muito sucesso e sua base de fãs acabou por se revelar extremamente rentável.

Ao contrário de fãs de RPG, que são conhecidos por sua “pão-durice” fãs de anime e séries de TV não se sentem constrangidos em gastar vistosas somas de dinheiro apenas para ter perto deles uma lembrança ou memorabília de seus ídolos.

Mais recentemente, com a popularização das séries de ação na TV e com o aval de séries de comédia como “How I met your mother” e “The big bang theory” os eventos de anime acabaram por se tornar verdadeiras “disneylândias nerds”: campeonatos de jogos em rede, palestras e shows com cosplayers e youtubers, oficinas de desenho, escultura, cardgame, demonstração de artes marciais, salas de dança, airsoft, comidas típicas, barraquinhas vendendo de tudo um pouco. E é neste ambiente de diversão e bons negócios que o swordplay faz a sua participação.

De certa forma a entrada de swordplay nestes eventos é mais do que natural: é bem vinda. Quem nunca brincou de “lutinha” quando criança ou não desejou estar no lugar de algum guerreiro famoso? É a sua chance de ser um ninja, um guerreiro viking ou mesmo um cavaleiro de armadura brilhante, mesmo que o que você esteja segunda na sua mão seja apenas um pedaço de cano PVC coberto por espuma e fita silvertape. É também uma forma relativamente fácil de capitalizar o potencial do grupo: com o lucro obtido no evento pode-se mandar reformar as armas do reino, por exemplo, ou investir num novo tipo de bata.

A aproximação entre os dois nichos é uma situação ganha-ganha: ao mesmo tempo que agrega mais valor ao evento e o deixa mais diversificado e atrativo (é mais uma coisa para ver/participar) ajuda a divulgar a prática do swordplay para outras pessoas que não são diretamente o seu público alvo. Quantos fãs de Samurai X ou Berserker não se tornaram swordplayers apenas porque puderam experimentar um pouco da prática num evento de anime? O ganho para o swrodplay é ainda maior, porque ele pode entrar em contato com cosplayers e com eles aprender a fazer novas peças de armaduras ou adereços. Tem tudo para ser um casamento longo e feliz.

Mas, claro, alguns cuidados devem ser adotadas para que este casamento não termine num divórcio sangrento. A primeira delas é que a equipe de swordplay que vai comandar o evento deve ser responsável, comprometida e muito madura. Nada pior do que colocar para cuidar do evento um pessoal que está mais preocupado em curtir o evento (já que entraram de graça) do que atender os visitantes. Esses guerreiros devem ser um misto de apresentadores, recepcionistas e vendedores. A pessoa que vai ao stand deve ser bem tratada e receber toda atenção possível. Deve ser tratada com cortesia e respeito. Ela deve se sentir bem vinda como se aquele ambiente também fosse parte do seu habitat natural. A segunda delas é que não devem ser apenas gentis: devem ser firmes. Fãs de anime/séries em geral não têm noção do que estão fazendo quando pegam numa espada pela primeira vez: se você, membro do stand, não for firme com as regras e bem didático nas explicações você pode acabar tendo que lidar com armas quebradas, narizes partidos e olhos atingidos. E ninguém quer isso, não é mesmo? 

A meu ver é uma situação bacana: todos tendem a ganhar com ela. 

domingo, 20 de março de 2016

O que você quer quando vai ao treino?

Ok, eu entendo perfeitamente que esta parece ser uma pergunta óbvia. Mas a minha pouca experiência com swordplay me avisa que a resposta é bem menos óbvia do que parece. E para fazer uma introdução adequada à questão dou-me o direito de parafrasear Aristóteles. O bom grego dizia que a felicidade é o maior objetivo da vida. É o que nos une como seres humanos. Mas o que é felicidade? Para uns é ser rico; para outros é ter saúde; para tantos outros é ainda estar cercado de amigos ou familiares queridos... Praticamente cada ser humano tema  sua própria receita do que é felicidade, mas todo ser humano busca ser feliz. O que nos une como raça, nos separa como indivíduos.

“Certo, filósofo” comenta aquela menina de bata verde e cabelos loiros encaracolados “e o que isso tem a ver com bater espadinha?”. Tudo. Se você trocar “ser feliz” por “ir ao treino” vai entender o que eu quero. Todo mundo quer ir ao treino porque essa prática nos faz felizes. Mas o que é a felicidade para cada um nos diferencia.

Tem aquele cara que, como eu, vai para treinar. Descarregar o estresse da semana e me divertir com amigos. Outros querem apenas desenvolver novas habilidades. Outros querem competir, no melhor estilo pokemon de ser. Encontrar com os amigos fora do mundo virtual – o famoso olho no olho – é também um dos motivos que eu consigo pensar. Aliás, com vistas a este último, tem pessoas no meu grupo que não treinam, mas comparecem a quase todos os treinos apenas para “bater papo” com o pessoal que está treinando.

E qual é o problema? Nenhum. Desde que haja equilíbrio e que no final todo mundo ache a sua felicidade. O problema é quando os grupos acabam se desagregando por conta das diferentes vertentes e modos de se alcançar a felicidade. Imagina que você chega pilhado para treinar, cheio de energia, e o seu colega de treino só quer saber de ficar sentado na sombra da árvore conversando sobre assuntos pessoais.  É como jogar água fervendo no seu chope gelado! O contrário é bem verdadeiro. Sabe aquele dia que a “bad bateu forte”? Justamente nesse dia que tudo o que você precisa é um papo amigo com pessoas da sua confiança e estima, chega aquele cara chato querendo combater. Dá vontade de mandar tudo àquele lugar.

Eu entendo as posições envolvidas, mas tenho que advogar em nome da prática de swordplay. Se você não está a fim de treinar, não vá ou pelo menos não leve o seu equipamento. “Ah, mas no treino passado tinha uma galera sentada conversando. Se esse pessoal não viesse treinar teríamos quantas pessoas treinando? Dez no máximo.”, comenta aquele rapaz com um lenço vermelho amarrado no braço. Daí é que eu discordo de você, colega: se eles vão treinar e não treinam é como se eles não estivessem lá. Estão lá para bater papo, mas não para treinar.


Como resolver isso? Sinceramente não sei. Se você souber de alguma forma de resolver essa sensação, esse gosto de “treino ruim”, por favor comente abaixo. Estou mesmo querendo experimentar alguma coisa. 

terça-feira, 15 de março de 2016

OTAKUS sonhadores extremamente empolgados e suas espadas maravilhosas

Uma das coisas que eu percebi desde que comecei a frequentar fóruns e comunidades de forjadores de espada para a prática do swordplay é que parece existir uma “má vontade” em comum com os fãs de anime, os famigerados otakus.

Algumas das reclamações gerais giram em torno da maneira como os otakus se comportam. Pedidos como “Me ensina forja que eu quero fazer a Zangetsu” ou “Quero fazer as espadas do Kirito” ou usar armas desproporcionalmente grandes como a Buster Sword do Cloud (FF7) estão entre os pedidos que costumam enervar os forjadores. Além disso, muitos deles “voam” pelo campo de batalha, gritando nomes de golpes de anime, correndo como se fossem ninjas do Naruto (você sabe, com as mãos para trás). 

Outro dos pontos ressaltados é que os otakus não querem “começar do começo”, aprendendo a lidar com os equipamentos básicos e sim começando direto de suas armas exóticas que mais parecem adereços de carro alegórico do que espadas.

A grande pergunta que se faz a partir de tais reclamações e alegações é: e daí?

Sério... Que mal tem em um novato ou novata começar a treinar com uma espada desproporcionalmente grande? Ou vinda de um anime? Ou um par de adagas super crescidas que parecem ter saído do League of Legends?

“Ah, mas as espadas de fantasia não funcionam no mundo real” poderá argumentar aquele rapaz de cabelos encaracolados e óculos remendados. E ainda completará: “eu vi um vídeo do Skallagrim que fala sobre isso”. Eu concordo com você. No mundo real o guerreiro que usasse uma Buster Sword duraria pouco ou quase nada no campo de batalha. Uma Buster Sword pesaria algo em torno de 80 pounds (cerca de 36kg)! No tempo que você levaria para levantar a espada e preparar para golpear você seria acertado uma dúzia de vezes por alguém usando uma espada longa. Sendo que um ou dois golpes bem colocados por uma espada longa seria o bastante para matar você. E mais: quanto você acha que pesa uma espada longa, cuja lâmina alcança 90cm? Levíssimos 770 gramas – menos de 1 quilo!


Mas para a nossa sorte (ou azar, depende do ponto de vista) temos o boffer swordplay e não o HEMA (Historical European Martial Arts). Minha arma não precisa trespassar a armadura do opoente e nem acertá-lo em cheio para acabar com ele. Força física não é sequer um pré-requisito para empunhar uma espada feita de cano PVC, coberta com espaguete de piscina. Basta um toquinho da outra arma no meu peito (seja essa outra arma uma lança, um machado ou mesmo uma faquinha de pão) para que se vá mais cedo para a zona de respawn. Daí uma espada grande ou espalhafatosa pode ser usada sem problemas. Você pode até mesmo criar seu próprio estilo de luta, colocando à prova os estilos marciais dos tempos dos cavaleiros medievais. 

Em outras palavras: você está liberado para correr feito um adorável retardado com uma oversized boffer sword pelo campo de batalha. Ninguém pode te julgar!

sexta-feira, 11 de março de 2016

A faculdade (e outras doideiras da vida adulta) .

Parece até que foi ontem que você estava passando pelo parque e viu aquele pessoal fantasiado batendo espadinhas. Ou foi na televisão, aquela reportagem com o pessoal no parque da cidade? Ou foi aquele vídeo que aquele seu colega mais velho estava vendo no celular, na escola? Nem dá para lembrar direito... Contrariando todas as expectativas você foi até lá e se apaixonou pelo esporte. Antes que você pudesse perceber já tinha seu próprio tabardo, já tinha feito sua arma pessoal e já era um dos melhores guerreiros do seu clã. E quanta coisa bacana você viveu desde que começou a treinar: os amigos que fez, aquela menina da lança que até hoje não dá bola para você (mas você continua gamadão nela), aquela manobra épica que você aplicou (só deus sabe como!) e as pancadas que levou. Puxa parece que faz uma eternidade.

Nesse meio tempo você cresceu. O ensino médio ficou para trás. É um efeito natural da vida. Acontece com todo mundo. Você está crescendo: faculdade, emprego, relacionamentos mais sérios, baladas, primeiro carro, morar sozinho, bancar a própria vida... de repente você se vê sem tempo. Os professores da faculdade têm certeza que você só estuda a matéria deles, os chefes são muito piores que o mais exigente dos professores que você teve no colégio, e como é diferente bancar a balada com a sua própria grana. Parece que a vida adulta está batendo no horizonte e quando você vê está cada vez mais complicado curtir seus hobbies antigos: quem tem tempo para ver a segunda temporada de Jéssica Jones quando aquele professor esquerdista de cheiro estranho exigiu a leitura e o fichamento de um livro (um livro!)? Quem pode se dar ao luxo de uma maratona de lolzinho quando a prova de Cálculo I (oh, o terror!) se aproxima velozmente no horizonte? De repente as responsabilidades são tantas que quase não sobra tempo para ser você!

Bom, mas são os ossos do ofício. Todo mundo passa por isso. Todo mundo, cedo ou tarde, tem que assumir seu fardo na sociedade: arrumar seu lugar ao sol, construir uma vida, buscar uma carreira, edificar sonhos... a boa notícia é que com um pouco de organização e planejamento você pode ter tudo. Pode se sair bem na faculdade, ter um relacionamento estável e saudável e conseguir sobreviver ao seu emprego sem querer matar o seu chefe e ainda assim ter tempo para fazer aquilo que você gosta: bater espadinhas com os coleguinhas no parque da cidade.

O segredo aqui é colocar seu tempo em ordem e não misturar suas prioridades. Sim, o seu escudo precisa de reparos, é verdade. A sua espada também precisa de uns remendos perto da guarda. Mas tudo isso pode – e vai esperar. Você tem outras prioridades na frente: textos para ler, trabalhos para fazer, aulas para assistir, coisas para entregar, novos conhecimentos para adquirir... é como dizia a minha mãe: primeiro a obrigação, depois a devoção.

Não se preocupe. Você ainda vai poder assistir Jéssica Jones, jogar lol e treinar espadinhas. Mas tudo há seu tempo: ao invés de ver todos os episódios da menina mais forte da Marvel comics veja apena sum por semana; ao invés de doze horas de lolzinho experimente ficar duas horas, no máximo. E é claro, o seu clã/reino/guilda de artífices vai ter que entender que você não vai mais poder se dedicar do jeito que fazia antes. Você vai deixar de ser um “profissional” para ser um “casual”. Delegue funções, pegue mais leve, procure se encaixar em sua nova realidade. E se tiver que faltar a qualquer evento de farra por conta de suas obrigações, falte sem medo e sem dó no coração. Não vale à pena ir ao treino e deixar de estudar para a prova de Cálculo I (oh, o terror!) ou deixar de fazer alguma obrigação do seu trabalho. Quantas vezes eu mesmo não deixei de ir aos treinos, com dor no coração, por causa de alguma obrigação profissional ou social? Mas é a vida que temos e é a vida que vamos viver.


O segredo da história toda é equilibrar tudo na balança da vida. Eu sei que você consegue. 


quarta-feira, 9 de março de 2016

No swordplay o sexo importa?

Essa é uma pergunta que veio depois que eu divulguei a postagem anterior sobre o dia internacional da mulher. A discussão que surgiu disso nos grupos do facebook foram peculiares, para dizer o mínimo. Daí, como um bom professor, resolvi eu mesmo conduzir alguma pesquisa e quem sabe lançar alguma luz sobre o assunto.

Antes que eu me esqueça, essa é uma opinião pessoal, baseada em fatos científicos e observação empírica. Não quer dizer que seja regra universal e, sim, eu sei que no seu caso é diferente. Eu posso viver com isso. Basta postar sua opinião nos comentários.

Vamos começar traçando as diferenças dos dois objetos em pesquisa: homens e mulheres. Usamos como base a divertidíssima obra: “Por que os homens mentem e as mulheres choram” do casal de pesquisadores Alan e Barbara Pease.

Homens tendem a ser mais corpulentos, ágeis, fortes e resistentes que as mulheres. Isso graças a testosterona, que corre solta em seus corpos. Sua reação e orientação espacial remontam dos tempos de nossos ancestrais pré-históricos, onde a capacidade de correr, passar muito tempo em movimento, ou ficar em silêncio por muitos períodos de tempo eram indispensáveis para a sobrevivência e para o sucesso da caça. Outra habilidade tida como masculina é a capacidade de mirar em alvos distantes. Homens são, via de regra, indisciplinados e lentos para aprender.

Mulheres tendem a ser menos fortes que os homens. Elas também são menos ágeis e não possuem tanta resistência física. Mas elas possuem uma visão periférica invejável e prestam atenção em detalhes que homem nenhum consegue ao menos notar. Elas podem dizer se você está mentindo apenas observando a sua linguagem corporal. Da mesma forma, podem dizer se você está blefando com a sua finta. Enganar uma mulher não é para qualquer um. Outra de suas características positivas é que elas possuem uma invejável destreza manual. A mulher é mais habilitada para dialogar e tem um vocabulário muito maior que o do homem. Mulheres aprendem com mais facilidade e focam em mais de um assunto ao mesmo tempo.

Colocados os pesos na mesa, vamos ver o que é realmente útil no swordplay.

Como o swordplay é um esporte de contato, habilidades como correr, resistência física e boa mira parecem saltar aos olhos. Nestes pontos os homens levam vantagem. Mas nem só de porrada vive a troncação de espadas de espuma: habilidades de liderança, visão de campo de batalha e boa capacidade de comunicação fazem das meninas líderes naturais em campo de guerra. Outro ponto a se ressaltar é que swordplayers não são jedis – eles não precisam e – não devem “usar a força”. Qualquer toquinho e você já vai estar a meio caminho da zona de respawn, seja por conta de um machado de duas mãos enorme, ou pela ação de uma adaga do tamanho de uma inocente régua escolar. Meninos levam vantagem em armas mais “brutais” como a espada longa e as combinações com escudo e as meninas ganham vantagem usando a lança (com todas as suas variações), espadas leves de uma mão, combinações de armas exóticas e broquéis e adagas (especialmente adagas).

Consultamos a opinião do sensei Jorge Kishikawa, pentacampeão brasileiro de kendô (consecutivo por 2 vezes), invicto em quase 80 embates, vice-campeão mundial em 1985, em Paris e 3º colocado no mundial em 1977, em Tokyo. É também o primeiro 7ºDan (grau) Kyoshi do Brasil a ser aprovado com unanimidade por uma banca de mestres japoneses. Acho que o currículo dele já serve como fundamentação para o que vem a seguir.

Segundo Kishikawa-sensei: “Quando leciono às mulheres o Caminho da Espada, procuro fazer com que a parte física não implique em desvantagem no combate. Isso não é tão difícil. As mulheres não utilizam a força bruta para vencer. De longe, elas possuem a melhor postura e a melhor pegada na espada, itens importantes para se começar corretamente. Ao longo do tempo, adquirem menos vícios que os homens, o que me poupa tempo e saliva durante a aula. Homens precisam aprender com as mulheres a ser mais “femininos” e menos brutamontes.” (Shinhagakure, pág. 137).

E no final, quem leva vantagem? Parafraseando Salladin: nenhum deles... e todos eles! Homens e mulheres são diferentes e suas vantagens e desvantagens não apenas se equilibram como se completam. Uma escudeira pode organizar uma linha de escudos tão impenetrável quanto uma barreira de aço enquanto um lanceiro pode dar a mobilidade que a linha de lanças precisa para flanquear com ousadia e coragem. Procurar qual dos dois é melhor é tão tolo quando tentar separar leite e café misturados num copo.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Esforço e graduação.

Certa vez perguntaram para Ronda Rousey qual era o seu herói favorito. Sem titubear a ex-campeã respondeu que gostava muito de Dragon Ball, especialmente Goku e Vegeta. O fã emendou em seguida: por que não o super homem? Daí ela respondeu com uma simplicidade que se perde na tradução: porque o super homem não fez esforço nenhum para ganhar seus poderes. E se você pensar bem essa é uma das grandes coisas da vida: crescer a partir do teu próprio esforço. Outra das coisas mais legais do mundo é quando te reconhecem pelo teu esforço e pelo teu desenvolvimento pessoal.

E daí? Daí que nos grupos de swordplay essa dinâmica também existe. E graças a deus, não existe super homem jogando. Se você quer ser “alguém” vai ter de ser pelo teu desenvolvimento pessoal. Vai ter de suar o tabardo e levar muita espadinha no peito. E quando eu falo isso não é apenas por conta da tua habilidade com a tua arma de preferência. Nos grupos sérios, como a Beufort, a Folkisgate, a Magnus Legio, o Império Kyodai (só para citar alguns) não basta que você tenha uma boa perícia com a espada. Exige-se também um comprometimento que vai muito mais do que ir frequentemente aos treinos. Tem a ver muito mais com outras capacidades como companheirismo, liderança, honra, senso de justiça, coragem, honestidade e outros predicados igualmente indispensáveis.

Por isso, se houver alguma graduação no seu grupo e você não passar para um cargo mais elevado não fique com raivinha do pessoal de patente mais elevada. Aproveite este momento para olhar para dentro de você e vigiar suas atitudes. Estou lutando limpo? Estou aceitando os golpes? Estou lutando em igualdade de condições com pessoas com menos habilidade do que eu? Eu cumpro com o que prometi? Será que eu bato com muita força? Será que sou highlander? Será que fico cantando golpes? Será que não tenho me esforçado o bastante?


Vale a pena olhar para si mesmo e se conhecer melhor. Aproveite para aprender com seus erros. E por favor, não desconte nos outros quando você não consegue crescer. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Você não é obrigado.

Torneio são eventos sociais na acepção do termo. Muito mais que um momento de disputas e competição é o momento de confraternizar, de conhecer, de aprimorar, de se autodescobrir. Durante o I Torneio de Verão dos Cavaleiros da Virtude eu tive o prazer de conhecer muitas pessoas bacanas. Mas especialmente eu tive também o prazer de rever alguns colegas de treino que não davam as caras fazia um bom tempo.  Entre as desculpas usuais “é a crise”, “estou na faculdade”, “estou sem grana” uma delas chamou muito a minha atenção: “Ah cara, eu estava me sentindo sufocado. Esse negócio de vir aos treinos todo sábado trava a agenda. Às vezes eu queria sair com a namorada, passar tempo com a família, ir ao cinema e não podia porque tinha essa obrigação com os treinos”.

Bom, deixa eu dizer para vocês, 1d6 leitores, o mesmo que eu disse para o nobre colega: você não é obrigado. Swordplay é um hobby. Um passatempo. Alguma coisa que você faz porque gosta e porque tem tempo livre e porque está a fim de ir. São muitos “E” e muitos “SE” para preencher antes de você fazer o aquecimento e trocar golpes com um coleguinha. Você não é obrigado a vir em todos os treinos.  Você não é obrigado mesmo. Sério. Acredite em mim.

Quando eu comecei no Swrodplay avisei logo de cara que se algum jogo de RPG ou evento literário, ou cinema, ou qualquer outra coisa caísse no sábado eu não ia pensar duas vezes em deixar as espadas guardadas no armário da sala. As pessoas tendem a exagerar nos seus hobbies e na importância que eles assumem em suas vidas. Mas é como a minha mãe costuma dizer, com muita sabedoria: “primeiro a obrigação, depois a devoção”. Pra mim Swordplay é apenas um passatempo. Divertido, mas não passa disso.

Por isso eu convido a todos os amigos que estão afastados dos treinos por se sentirem obrigados a vir, que não se sintam assim: venham quando quiserem. Não se sintam envergonhados de passar tempo fora e depois voltar. Todo mundo se “enferruja” de vez em quando. Não é nada para se sentir mal.


No mais, um último conselho: se você tem algum hobby que está afetando negativamente a sua vida, se afaste dele. Saber lutar bem com a espada e o escudo é bacana, mas não vale o preço de ficar reprovado ou brigar com as pessoas que amamos. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Resultados do primeiro torneio de Verão dos Cavaleiros da Virtude

E o torneio terminou... e foi um sucesso.

Olá amigos,

Faz algumas semanas que eu venho noticiando e convidando a todos para o primeiro torneio de verão dos Cavaleiros da Virtude. O torneio é um dos quatro torneios que a Aliança de Beufort pretende lançar ao longo de 2016 e foi o “evento teste”. Ele foi totalmente organizado com os recursos dos Cavaleiros, que investiram bastante tempo e esforço nele. E o resultado? Não poderia ter sido melhor. Tivemos uma tarde muito agradável, com mais de 36 lutadores em busca da poderosa espada do verão, a Sumarbrander, em homenagem ao lançamento do livro Magnus Chase e a espada do Verão, de Rick Riordan. Alias o prêmio para o primeiro lugar foi uma réplica para swordplay desta mesma espada.

O torneio começou com o típico atraso tupiniquim, tanto por parte de alguns contentores que chegaram atrasados como por conta da organização. Mas depois que as chaves de duelo ficaram prontas foi só curtição e alegria. Uma das inovações que usamos no torneio foi de ter dois juízes por luta e duas câmeras filmando simultaneamente. Isso ajudou pacas a tirar dúvidas sobre aquele famoso “pegou/não pegou”. Afinal, swordplay não é futebol: podemos e devemos fazer bom uso da tecnologia para garantir a vitória do mais habilidoso.

E falando em habilidade... cara o nível do torneio estava altíssimo. Dava para ver isso pelos combates absurdamente rápidos. Alguns duraram menos de três segundos e o mais longo durou cerca de dois minutos.  Para efeitos de comparação de estrutura usamos o mesmo esquema do campeonato de artes marciais de Dragon Ball. Chave simples, eliminatória, com uma pequena diferença: um “free for all” de adagas designou oito contentores para uma repescagem.

No final do Torneio, Lucão da ordem dos assassinos foi o grande campeão, levando a espada para casa como um troféu. O segundo lugar ficou com Frank Cavalcante dos cavaleiros de Ibelin.
Além dos 36 lutadores teve um sem número se pessoas que deram as caras apenas para curtir o momento e torcer para o seu lutador favorito. A estrutura até que não estava nada mal para um primeiro torneio: tinha uma barraca de comidinhas com pudim, mousse, bolo, cachorro quente, refri, e outras guloseimas por preços muito convidativos. Entre uma luta e outra os contentores se revessavam enchendo a pança. Eu mesmo aproveitei pacas quando, no fim do torneio, os mousses de limão tiveram seus preços reduzidos à metade. Comi até quase ficar azedo.

Mas a melhor parte de todo o torneio foi a camaradagem envolvendo os diversos grupos. Não importava de que clã ou grupo você era. Tudo que as pessoas queriam era confraternizar, se divertir, curtir uma tarde de sábado com o seu hobby e outros praticantes. E foi isso que aconteceu.  


Bem, se você não deu as caras neste torneio saiba que perdeu uma boa dose de diversão. E se você veio, tenho certeza que vai querer estar conosco no segundo torneio deste ano. Aguardem novidades!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Refazer é mais complicado que sair do zero.

Desde que comecei com esse lance de swordplay eu tenho aprendido muita coisa sobre a mecânica da forja de espadas. Com canais como o Magnus Legio ou o Belator ou mesmo com outros canais alternativos aprende-se os rudimentos da forja. É edificante ver que você pode construir armas do nada, usando apenas o material e a técnica certa.

Mas é a experiência do dia a dia que nos ensina a reaproveitar material. Aquela espada longa que quebrou vira uma proeminente adaga; a alabarda vira um machado tomahawk; o escudo grande vira um broquel. Fazer novos itens com peças sobressalentes é uma boa forma de alimentar a criatividade, poupar custos e manter o forjador afiado. O brasileiro é naturalmente um gambiarreiro natural.

Mas quando o assunto é refazer, ou seja, restaurar parece que a coisa muda de figura. Como é complicado restaurar aquela espada que se quebrou bem no meio. Como é difícil recuperar aquela guarda feita com todo cuidado por um ferreiro que nem esta mais por aqui. É bem mais fácil (e muitas vezes mais seguro) rapinar aquele material e fazer outra. 

Recentemente eu troquei a lateral de uma das minhas primeiras forjas. Uma espada tipo viking, de uma mão. Meses de combates tenham deixado a estrutura mais dura do que deveria e eu precisava trocar o acolchoamento para manter a espada macia e segura. Mas como deu trabalho fazer todos aqueles cortes em volta da lâmina principal. Foram dois dias de muito trabalho. E o resultado? Bom, não posso dizer que ficou como eu queria, mas a espada está de volta ao trabalho.   


Cada vez mais eu respeito quem é capaz de fazer uma boa restauração. 

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...