sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Espadas, espadas, espadas...


Qual a melhor espada para você? 


Quando você começa a treinar swordplay muitas coisas vem na sua cabeça. E provavelmente uma das perguntas mais comuns é justamente qual é a melhor espada para ser usada. Eu garanto a você que esta pergunta já gerou dezenas e centenas de milhares de flame wars na internet. Todo mundo que luta ou que treina algum tipo de esgrima tem a sua espada favorita. Isso seja lá por que motivo for. Tem gente que se agarra a motivos históricos, tem gente que se agarra a ideia de vídeos que viu em algum lugar da internet, tem gente que conclama que a espada de determinado anime ou seriado é melhor que a de outra... Enfim não é mesmo sobre isso que eu quero discutir. 

Se você olhar com atenção o título deste texto vai perceber que eu coloquei uma particularidade na pergunta. Eu perguntei "para você". Mas quando eu fiz isso eu não estava tratando apenas de uma questão de opinião. A pergunta que eu faço atravessa o subjetivismo com uma certa clareza e pergunta de maneira distinta qual é a espada mais indicada para você. Sim, você que está lendo isso.  

A melhor maneira de responder esta pergunta é através do empirismo. Ou seja você, caro leitor, é quem deve experimentar todas as espadas que você puder e assim escolher o estilo de luta que mais lhe agrada. O meu conselho, neste caso, é que você vá com o espírito aberto e "desarmado". Se você já for para experimentar as espadas pensando que esta ou aquela já é, automaticamente melhor, e que você está apenas confirmando isso, você está fazendo errado. É um péssimo começo. Vá experimentar sem medo de se descobrir fã desta espada ou daquele estilo em detrimento de outro. Não existe nada de errado em mudar de ideia. "Só não muda de ideia quem não tem ideia".  

Eu mesmo comecei swordplay achando que a espada japonesa era o que havia de mais avançado quando assunto era esgrima. Pode parar de rir, você aí que está fazendo tranças no cabelo, usando uma bata azul com o que parece ser um corvo estampado no meio do peito. Eu vim direto do kenjutsu para o swordplay. Nada mais natural que eu achasse mesmo que a espada Samurai fosse melhor que todas as outras. Com o passar do tempo me identifiquei mais com a esgrima alemã e depois disso passei a usar o escudo. Hoje eu sei que não existem espadas melhores ou piores do que outras, especialmente quando vamos jogar boffer swordplay. Existe apenas uma questão muito pessoal de gosto. Mas a espada que mais se adequa a mim, as minhas necessidades, é a espada longa de uma mão e meia, usada em conjunto com escudo. 

Mas eu só cheguei a esta conclusão quando eu passei a ser honesto comigo mesmo e quando eu passei a querer realmente encontrar a espada que melhor se adequasse ao meu estilo de luta. Se eu continuasse preso aos antigos estereótipos que eu tinha provavelmente eu seria um infeliz espadachim usando uma katana e uma wakizashi. 

Então o meu conselho para você e vai em frente e experimente o máximo de espadas que você puder. Descubra aquela que melhor serve aos seus propósitos e objetivos dentro do jogo. E não tenha medo de mudar de arma ou categoria apenas porque você já tem um certo nível na sua arma ou categoria antiga. O importante neste caso é que você se divirta.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Orgulho

O leitor Daniel Aureliano sugeriu como tema "quando o orgulho atrapalha do desenvolvimento da pratica". Segue abaixo Daniel. Obrigado pela dica.
 
De acordo com pesquisa da universidade de Oxford na década de oitenta, o português figurava entre os 10 idiomas mais difíceis de aprender em todo o mundo. Nova pesquisa realizada no começo dos anos 2000 deixou o português de fora. Não figurava mais nem no top 10. Eu achei um grande equivoco. O português é uma das línguas mais difíceis de aprender. Mas não é por sua gramática – que é complicada, sem dúvida, mas nada fora do comum – mas por suas pequenas exceções e particularidades. Pegue a palavra “manga”, por exemplo. Ela pode se referir a manga da camisa, pode se referir à fruta, pode se referir ao verbo mangar (rir de alguém, fazer troça, zoar) e ainda pode ser associado ao quadrinho japonês (mangá). Como é que uma íngua dessas não é complicada, meu deus?

Mas é no swordplay que a língua portuguesa lança alguns de seus mais interessantes dilemas semânticos. Uma palavra que usamos o tempo todo, mas que pode ser ao mesmo tempo a fortaleza ou a ruina de um jogador ou grupo. Falo da palavra “orgulho”.

Existem duas formas dialéticas de se compreender o Orgulho. Uma delas diz respeito ao “sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra”; a outra versa exatamente sobre  “sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba”. Assim, o termo pode ser empregado tanto como sinônimo de soberba e arrogância, quanto para indicar dignidade ou brio de alguém ou de alguma coisa.

Filosoficamente não se pode classificar o orgulho como uma virtude, uma vez que ele não é uma ação voluntária e sim um sentimento. A grande questão é que, como sentimento, muitas pessoas não aprenderam a controlar seus sentimentos e usá-los a seu favor.

Em um primeiro vislumbre não existe nada de errado em se orgulhar de alguma coisa. Você fez uma espada bonita e que todo mundo elogia; o seu grupo é conhecido por luar bem e ser honesto e honrado no campo de batalha; seus colegas são famosos por falarem a verdade. Não, não existe nada de errado em se orgulhar de coisas assim. O problema é quando orgulho vem em excesso. O orgulho em excesso pode se transformar em vaidade, ostentação, e soberba. Isso tudo pode levar o indivíduo (ou o grupo, em alguns casos) ao chamado egoísmo, sendo visto como uma emoção negativa. Uma nova evolução pode realmente acontecer: a passagem do Orgulho para a Arrogância, se ela não o for constantemente patrulhada com nossa Sabedoria.

Neste caso em que se estabelece uma relação entre orgulho e arrogância, ela se torna um tipo de satisfação incondicional. Quando os próprios valores do grupo ou do indivíduo são superestimados levam as pessoas a acreditarem ser melhores ou mais importantes do que os outros. E esse é um sentimento desagregador, que causa cisão entre os membros de um grupo.

Nunca é demais lembrar-se de que nenhum de nós é melhor que todos nós juntos. O fato de eu ter uma espada ou um escudo melhor do que você, não me faz melhor. O fato de eu lutar bem não significa nada além disso, e só deveria ser motivo de satisfação até um limite onde eu posso empolgar os outros ou ensiná-los a serem tão bons como eu.


O trabalho de combater o orgulho no esporte deve vir de todos os lados. Devemos ser vigilantes não apenas com o comportamento do outro, mas com o nosso mesmo a fim de evitarmos que ele deixe de ser um sentimento positivo de auto realização e se torne algo destrutivo. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Honra!

O leitor e cartomante Giovanni Borghi de Vasconcellos pediu (ou previu) que eu escrevesse (ou escreveria) um texto sobre a relação honra-honestidade x trapaça-ma fé. Eis o resultado abaixo.
  
Eu me recordo de muitas lições importantes que eu aprendi enquanto treinava kenjutsu no Instituto Niten, em Brasília, sob a atenta supervisão do Senpai Ricardo Lopes. E uma dessas lições ajudou a moldar o meu caráter de forma indelével.

Era uma tarde de outono e estávamos treinando no clube militar do SMU de Brasília. Era uma quadra poli esportiva muito bonita, mas razoavelmente mal cuidada. No final daquela tarde houve alguns shiais (lutas simples) entre os membros mais graduados. Um espetáculo de técnica, estratégia e habilidade. Um desses shiais, já feito em completa penumbra, revelou a luta entre dois senpais muito graduados. Foi lindo e no final um deles – acredito eu que o menos graduado – sagrou-se vencedor. Quando foi anunciada a sua vitória ele mal podia acreditar e permitiu-se uma tímida comemoração. Nada mais que um simples puxão de punho em direção ao peito (o famoso yes!).

Eis que o Senpai Ricardo imediatamente alterou o resultado da luta, dando a vitória para o outro lutador. A explicação foi lacônica: “na vitória ou na derrota as virtudes do bushidô devem prevalecer sobre nossos sentimentos”.

E o que foi que o lutador fez de tão errado? Ao comemorar a vitória ele esqueceu-se de três virtudes do caminho do guerreiro: o Rei (Respeito), o Makoto (Honestidade) e o Meiyo (Honra). Sim, tudo isso com um simples yes!

Foi neste dia que eu aprendi esta valiosa lição que agora compartilho com vocês. Seguir o caminho do guerreiro é dar ênfase à lealdade, fidelidade, coragem, justiça, educação, humildade, compaixão, honra e acima de tudo, viver e morrer com dignidade. Ou seja, ser honrado significa ser o juiz de si mesmo. As escolhas que você faz e como você trabalha para obtê-las são um reflexo de quem você realmente é. Você pode se esconder dos outros e até mentir para eles, mas você não pode se esconder de si mesmo.

E no boffer swordplay poucas coisas são tão valiosas quanto o tripé das virtudes Honra-Honestidade- Humildade (que são, não por acaso, o lema não escrito da Aliança de Beufort). Sabe por quê? Porque, diferentemente de outros esportes de contato, no boffer swordplay, eu preciso confiar na palavra do outro. Enquanto que em outros esportes a catimba, a trapaça, e a mentira são valorizados (gol de mão é mais gostoso...), no swordplay a honestidade, a verdade e a honra é que são valorados. Melhor perder honestamente do que vencer trapaceando.

E justamente essa é ao mesmo tempo a maior fortaleza e maior fraqueza do swordplay: como eu preciso acreditar na palavra do outro, eu só vou saber que ele está mentindo em situações muito óbvias. Mesmo. Dessas que não se pode mesmo esconder. Uma pessoa que queira trapacear ou agir de má fé tem diante de si um terreno amplo e fértil. Afinal de contas, quantas vezes já não no deparamos com pessoas que não aceitam golpes que recebem (os famosos higlanders) ou que são direcionadores de golpes (os não tão famosos drivers)? Só para esclarecer um highlander jamais é atingido, mas um driver é um cara que quando é atingido perto do ombro diz que você o atingiu no pescoço ou em outra área proibida.

E como resolver essa questão? Não é uma coisa simples. Como um bom “advogado do diabo” eu sempre procuro ver todos os lados de uma questão. Pode ser que a pessoa não tenha sentido o golpe mesmo, ou pode ser que ela ainda não tenha entendido que viver e morrer de forma honrosa seja mais importante do que vencer no swordplay. Pode ser que ela ache mesmo que ninguém está vendo, ou que ela ache que assim como ela usa o “jeitinho” brasileiro para se safar de outras situações, pode fazer o mesmo com o swordplay.

De qualquer forma é uma situação espinhosa. Eu sempre comparo isso a dizer para alguém que o seu desodorante venceu ou que ele está com mau hálito... Nunca é uma tarefa fácil.

O que eu posso garantir que funciona à longo prazo é a educação contínua de seus colegas de treino e de você mesmo. É relembrar, de tempos em tempos, que essas práticas não são permitidas, desejadas ou mesmo incentivadas. Que é “feio e errado” trapacear no jogo. Não respeitar as regras é um ato essencialmente egoísta: em busca de uma falsa satisfação de que se é o melhor, você estraga a diversão de todo mundo à sua volta. Sério... Não dá para ter respeito por gente que age dessa maneira.
Em casos rotineiros uma boa conversa e alguma supervisão personalizada costumam resolver. Em casos mais graves uma bronca, e quando a pessoa não aprende mesmo, a suspensão dos treinos e até expulsão. Ou se aprende por bem, ou se aprende por mal.

“E como é que se faz quando o problema está acontecendo num evento? No EPS desse ano eu vi um grupo que não morria nem que dessem um tiro de 38 na cara deles.” Disse a líder de clã com uma bata fashion cor de vinho com borda dourada. Daí eu não sei. Eu tentaria conversar com o líder do clã em questão e se não desse resultado eu falaria com o pessoal do evento. Se mesmo assim não funcionasse eu tentaria evitar esse pessoal em campo de batalha. Neste caso o ostracismo parece ser um remédio amargo mas eficaz.

“Mas e se eu quiser bater de volta no cara, com mais força, para curar o higlanderismo dele na base da porrada?” pergunta o rapaz barbudo, meio clone de Ragnar, com óculos escuros e bata vermelha e amarela. Você pode, claro. Mas eu não aconselho. Aliás eu enfatizo que você não deve fazer disso. Não se cura o mal com o mal.

Então, era isso. Até a próxima. 


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Swordplay nos jogos Interclasse CEM 02 - 2017

Eu sou uma pessoa acostumada a escrever e a falar em público. Para você que já é meu leitor não deve ser nenhuma surpresa saber que eu sou professor da rede pública de ensino.  Eu tenho uma certa fama na escola e entre meus amigos por sempre ter o que dizer. Por nunca ficar sem palavras ou argumentos sobre qualquer assunto.

Mas o que eu vivi nos últimos três dias, dentro do meu ambiente de trabalho favorito (a escola), reunindo um dos meus hobbies favoritos (o swordplay) me deixou sem palavras. Esta não é a primeira versão deste texto, mas é com certeza a versão que mais me agradou até agora.

Vou recorrer a um velho truque dos escritores, que é fazer uma recapitulação dos fatos, para ver se o texto flui. Então, vamos voltar até o ano passado quando eu introduzi a modalidade de swordplay nos jogos interclasse na minha escola. Foi um sucesso moderado, mas como tudo que acontece pela primeira vez foi bagunçado e meio descontrolado. Com os erros de 2016 eu tentei preparar cuidadosamente os jogos de 2017. Mas nada do que eu fiz me preparou para a sucessão de eventos que eu narro a seguir.
Isso aqui não deu nem para o cheiro


Combinei com os alunos e com a direção da escola que faríamos uma “oficina” de swordplay, onde eu ensinaria os alunos a forjarem as armas que eles usariam nos jogos daquele ano. Dessa forma cada aluno deveria trazer um cano PVC de ¾, duas tampinhas de garrafa pet e um espaguete de piscina para que, juntos, fizéssemos as espadas que eles usariam no torneio do dia seguinte. Na véspera da oficina fui até a loja Kalunga para comprar os materiais da oficina.
Todo mundo aprendendo os rudimentos da espada

Com o auxílio da professora de artes (querida Telma) começamos a oficina de construção na sala do laboratório de redação. Iniciamos os trabalhos com dois rolos e meio de fita Silver Tape (num total aproximado de 125m), três quartos de fita Silver Tape preta (35m), dois rolos de fita isolante, três quartos de lata de cola de contato, 10 isolantes térmicos de sete oitavos, estiletes novos... E não conseguimos terminar fazer e de cobrir todas as espadas.

No dia seguinte comprar o restante do material extra para cobrir as espadas. Tivemos que mudar o cronograma dos jogos. No planejamento original a quarta feira estava marcada para fazer as espadas e para dar treinamento básico para os alunos. Não deu. Usamos parte da quinta feira para terminar as espadas, dar treinamento básico e fazer duas das três modalidades propostas para os jogos.
Ainda na quinta fiz um rápido concurso para ver quem forjou a melhor espada. Três alunos foram escolhidos os melhores forjadores: Lailla Emilly (2ºJ), Fellipe Araujo Lima (3ºO) e Anna Eliza (3ºK).
Não tem como deixar de agradecer a todos os alunos que fizeram destes primeiros dias de gincana um exercício maravilhoso de trabalho e criatividade. Vocês, que nunca tinham forjado uma única espada na vida, me ensinaram muito mais sobre forja e criatividade do que eu jamais pude aprender com outras pessoas.
Os forjadores e suas armas prontas
Na quinta feira fizemos as duas primeiras modalidades. O famoso “X1” e o já tradicional “Jogos Vorazes” na escola. Foi um fim de tarde muito divertido e muitas vezes esqueci que estava coordenando uma competição. Os alunos jogavam com coragem, raça e honestidade, de tal forma que fariam inveja a muitos veteranos catimbeiros que existem dando sopa por aí.
X1 foi intenso



Os tributos se preparando para os jogos vorazes

No X1 destacaram-se os alunos de Djonatan Washington (2ºK), com o primeiro lugar; Luann Oliva (2ºQ) com o segundo lugar, e Kevin "Madonna" (3º M) que levou um honroso terceiro lugar.

Já na modalidade Jogos Vorazes tivemos uma espécie de repeteco com outros que já haviam ganhado antes: desta vez o Fellipe Araújo Lima ficou em primeiro, seguido pela Lailla Emilly e com o Kevin de novo em terceiro lugar.  Os melhores colocados do ano passado foram ficando pelo caminho.

O ponto alto do “terceiro” dia de eventos para swordplay foi a disputa entre equipes de quatro pessoas para o pega-bandeira. Usamos uma variação das regras de pega-bandeira à moda de Eldhestar para deixar as coisas mais dinâmicas. 5 equipes foram inscritas:  Azul 1, Azul 2, Vermelho, Verde e Preto (ok, concordo que precisamos melhorar o nome das equipes). O resultado do pega bandeira do swordplay acaba de sair. A equipe Azul 2 terminou empatada em primeiro lugar com a equipe Verde conseguiu um total de 100 pontos. A equipe Preta empatou em segundo lugar com a equipe Azul 1 e a equipe Vermelha não conseguiu nenhuma vitória.


Esse foi sem dúvida o dia mais divertido porque os alunos aprenderam o real sentido do swordplay: companheirismo, amizade, respeito, honra e honestidade. Muitas vezes eu não precisava advertir o jogador quando ele fazia alguma coisa errada. Ele mesmo se desculpava com o colega e assumia a punição combinada. Os próprios jogadores se policiavam, com muito respeito e honestidade. Uma coisa linda de se ver e que eu vou sentir falta quando for jogar com pessoas mais “experientes”. Eu fiquei verdadeiramente impressionado com o caráter dos meninos e meninas que deram seu suor e fôlego nos jogos de hoje.

E sabe que outro saldo positivo eu tive? Somo s a única modalidade (fora o xadrez) que não teve incidentes relativos á briga dos alunos uns com os outros. Não teve briga, incitação e nem mesmo xingamentos. Bem difernte da queimada feminina e do futsal masculino que exigiram intervenção da direção da escola. 

No final do dia tivemos uma rápida confraternização. Amanha teremos o encerramento dos jogos e vou para a festa com a sensação de dever cumprido. Para o ano que vem teremos reformulações. Pegar o que deu certo e manter e o que deu errado consertar e evoluir. Mas vou dar uma dica: no fim do primeiro dia o diretor da escola perguntou se os alunos iam jogar com uniformes medievais (batas, tabardos e cia!).  Respondi que era um projeto para o ano que vem. Vamos ver no que dá.


Estou mesmo muito feliz. 

domingo, 16 de julho de 2017

Meu grupo virou pó... e agora?

“Ah cara, eu não sei mais o que fazer. Meu grupo de swordplay virou pó. Por que isso acontece? O que fazer quando isso acontece? Na semana passada reunimos menos de dez pessoas para treinar (...) no nosso auge chegamos a ter 40 pessoas...”

Esse fragmento faz parte de uma conversa que eu tive com um colega no chat do facebook. Ele está chateado – e com razão – afinal o grupo dele está se desfazendo a olhos vistos. E pelo que eu conversei com ele nada parece fazer efeito para que isso se reverta.

Você se sente familiar com essa situação? Já passou por isso? E o que se pode fazer numa situação como essa? Procurar um novo grupo? Buscar por paliativos (tipo videogame/ academia/ esportes de contato)? Arrumar uma namorada? Maratonar todas as temporadas de TBBT?

Ponderei bastante sobre essas questões – e até assisti dois episódios de TBBT – e a única reposta coerente que consegui encontrar foi: “sei lá”.

Uma coisa que eu percebi ao longo da minha vida, e de todos os hobbies que eu já tive, é que grupos [de qualquer coisa] costumam possuir uma espécie de “prazo de validade”. Eu estimo alguma coisa entre dois e cinco anos. E foi. Alguém se muda, casa, briga, começa a faculdade, termina o colégio, começa a namorar, começa a trabalhar, tem filhos, ou qualquer outra mudança drástica que vem com o passar dos anos. Algumas vezes não precisa nenhuma mudança drástica. A pessoa continua a mesma: não casou, não tem filhos, não trabalha, não faz porra nenhuma... Basta que ela esteja de saco cheio para treinar. Já é suficiente para parar de jogar e dar uma rasteira na motivação do resto dos jogadores.

O pior é que, na verdade, muitas vezes nem dá para saber o motivo que leva uma pessoa a deixar de frequentar os treinos. No meu grupo mesmo tinha um casal que simplesmente resolveram não treinar mais, sem dar nenhum feedback a respeito.

“Ah Betão, mas quem quer de verdade dá um jeito de continuar treinando. Eu tô casada, filha pequena no colo e mudei para a puta que pariu de longe e continuo frequentando os treinos sem problemas” afirma aquela menina simpática com bata branca e vermelha, segurando uma adorável e imparável bebezinha no colo.

Sim, eu sei e concordo com você. Quem quer vai e faz. O ponto é que swordplay não é o hobbie mais atrativo do mundo. Aliás, quanto mais velho você fica, mais complicado é manter um grupo regular. As pessoas mudam, envelhecem e mudam de interesse. Nada mais natural. 
  
E finalmente o que fazer? Tem muita coisa que você pode fazer a respeito, mas antes de qualquer coisa veja se vale a pena manter suas energias no seu grupo atual. Vai ver ele já deu o que tinha que dar. Ficar insistindo é meio que incentivar um cavalo morto a continuar puxando uma carroça.

Quem sabe seja a hora de se reinventar. Você pode procurar outros grupos e se filiar a eles. Quem sabe mudar o local de treinos para ver se atrai novos jogadores? Quem sabe?


Se quiser se aprofundar sobre o assunto dá um pulo neste outro artigo que escrevi: 
http://swordplaydobetao.blogspot.com.br/2016/03/a-faculdade-e-outras-doideiras-da-vida.html  

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Esclarecimentos, definições e objetivos.

Faz pouco tempo eu fui brindado com um vídeo de uma “prática de swordplay” que aconteceu durante a feira medieval, na Quinta da Boa Vista – Rio de Janeiro – RJ, em junho de 2017. O vídeo foi postado nas redes sociais (facebook) pelo grupo que o protagonizou, a Casa Vieira Turaine, na comunidades“liga xablau de swordplay – free post” e causou uma séria discussão com os membros das listas. Quando este texto tinha começado a ser escrito, no dia 30/06/2017, o vídeo em questão já tinha mais de 70 comentários. Eu vou fazer upload de uma cópia deste vídeo no final deste artigo para que se tenha noção exata do que estamos falando.

Mas antes de começar o artigo propriamente dito eu tenho que fugir das possíveis digressões que as falácias do tipo “escocês de verdade” podem produzir. E para isso me proponho a responder a pergunta a seguir, de forma bem direta: o que é swordplay?

Swordplay é qualquer ação humana, seja ela de treino funcional, treino físico, treino marcial, competição, brincadeira, encenação ou diversão que envolva espadas ou simulacros de espadas. Dessa forma, se você treina kendo/kenjutsu é swordplay; se você treina softcombate é swordplay; se você treina HEMA é swordplay; se você faz coreografia de lutas para o teatro ou cinema é swordplay; se você imita as coreografias de guerra nas estrelas é swordplay; se você treina boffer swordplay com seus amigos é swordplay; se você vai jogar o reizado, nas ruas de Juazeiro do Norte, batendo espadas é swordplay... Enfim, tem espada no meio... bom você já entendeu.

Então o que se vê no vídeo é swordplay. Você pode não gostar, pode não aprovar, pode até mesmo querer experimentar, mas não pode dizer que aquilo ali exposto não é swordplay. Segundo as pessoas que o protagonizaram, ele reflete a prática do softcombate, imitando as regras do Battle of the Nations, mas sem armaduras. Ou seja, bater na cabeça dos outros com um simulacro de espada até que um dos oponentes esteja no chão. E no evento em questão as três ambulâncias que estavam disponíveis foram usadas para socorrer pessoas que se feriam na prática, que no facebook ganhou o título de “swordplay de respeito”.  

Uai Betão, mas se é swordplay por que todo o fuzz envolvendo o vídeo? Porque ele não é seguro. Ele não é são. Ele não é simpático.  Assim como qualquer modalidade esportiva que se preza, o swordplay deve seguir uma diretriz de “SSS”. Sadio/são, Seguro e Simpático.

Sadio/São - Referência aqui à sanidade da pratica esportiva, ou seja, o que acontece na relação não pode deve afetar negativamente outros aspectos da vida da pessoa, como família, trabalho e amigos. As atividades relacionadas ao swordplay são caracterizadas pela sua profundidade e intensidade. Os sentimentos ocorrem em fluxo, e com trocas constantes de honra, habilidade, lealdade, honestidade, desenvolvimento pessoal e confiança na mistura. Como em qualquer arte marcial os sentimentos devem ser treinados e educados, junto com o corpo, a mente e o espírito.

Seguro - Esta é a área que trata especificamente dos riscos físicos envolvidos no processo. O universo do swordplay é formado em sua essência por atividades físicas de contato, através das espadas, que podem ser verdadeiras ou simulacros. A segurança tem a ver diretamente com a capacitação e o cuidado no uso destes recursos. Existem dezenas de estudos e trabalhos publicados afirmando dos perigos da prática esportiva sem o devido cuidado com as normas e regras de segurança.

Simpático – essa parte tem muito mais a ver com a sua relação com outro. A maneira como você percebe o outro e como você reage ao outro. Muito mais do que o simples trato pessoal, a simpatia envolvendo o swordplay trabalha com a ideia ética do “cuidado com próximo”. Em muitos casos eu não preciso de um juiz: a simples palavra do outro me basta.

Não sei como funciona no Softcombate, mas no Boffer Swordplay a honestidade e a humildade com nossos oponentes falam mais alto do que um par de músculos. Isso é respeito de verdade.

Uma coisa que eu aprendi com o passar dos anos em que o indivíduo é inteligente, mas o grupo de pessoas é burro. Basta uma postagem sensacionalista de um pai preocupado sobre os malefícios desse terrível swordplay, onde o rapaz saiu com nariz machucado, ou com o supercílio aberto, para vermos uma verdadeira caça às bruxas relacionada ao nosso querido esporte. E digo isso com conhecimento de causa. Além de praticar swordplay eu também jogo RPG faz muitos anos. E na minha cabeça ainda está muito vivida a memória de quando o RPG foi associado com crimes de assassinato no Brasil, onde se você perdesse o jogo tinha que pagar com a vida. Tão absurdo quanto possa parecer essas palavras, foi assim que durante muito tempo a mídia mostrou as pessoas que jogam RPG. Ainda hoje, vira e mexe, a mídia sensacionalista desenterra o assunto querendo colocar a culpa de alguma coisa no RPG. Já fizeram com Assassin’s Creed, uma franquia multimilionária da Ubisoft. Por que não poderiam fazer a mesma coisa conosco? Será que queremos a mesma coisa com swordplay?

Veja bem: se eu me meto a jogar futebol com meus colegas, entendendo que do pescoço para baixo é tudo canela e que você pode bater à vontade, ninguém no Brasil inteiro vai querer proibir o campeonato brasileiro de futebol.

Agora se eu vou para uma feira medieval e começo a espancar os outros com uma espada de espuma até que o cara saia de lá direto para uma ambulância, as pessoas vão querer proibir essa prática por ela ser extremamente violenta. E não vão querer proibir apenas o Softcombate Swordplay da Casa Vieira Turaine. Vão colocar todos no mesmo saco e proibir.  E não pensem que não podem fazer isso. Por causa dos famosos “Caso de Ouro Preto” e do  “Caso Guarapari” envolvendo RPG, nos anos 2000, existe uma lei proibindo o jogo de RPG na cidade do Espírito Santo:

Art. 1º – Fica proibida a exposição e comercialização, em bancas de jornais e revista e demais estabelecimentos congêneres, de CDs, DVDs, Livros e demais publicações referentes a “Jogos de Interpretação de Personagens”, conhecidos como RPG – Role-playing game. (lei nº 2605, de setembro de 2005). No site da Câmara Municipal, consta que a lei ainda está em vigor.

É óbvio que se trata de uma lei inconstitucional, pois estabelece censura prévia, violando liberdade de expressão expressamente garantida pela Constituição. Até aqui na minha vizinha Minas Gerais, onde um procurador federal propôs a proibição de livros e dvds destinados a jogos de RPG, já se chegou à conclusão de que não se pode proibir a circulação dos livros, sendo permitida apenas a classificação indicativa do material. Mas não é isso que vem ao caso. A pergunta que eu faço é: você quer que seja feita uma lei proibindo o Swordplay, por conta de como meia dúzia de irresponsáveis apresenta a prática por aí?

Eu não conheço nenhum pai ou mãe que depois de ver um vídeo como esse vai deixar o filho dele chegar a menos de 100 metros de uma arena de swordplay.

“Ah Betão mas é todo mundo maior de idade!” Sim eu já sei disso. Mas se você não quer que o esporte morra quando você ficar paraplégico, depois de levar uma canada na coluna, não é mesmo?

É melhor que comecemos a olhar direitinho o que é que estão fazendo com o nome do esporte que nos une a todos. E essas não apenas preocupações minhas. Nas palavras de Daniel Aureliano, que esteve presente no evento “Mas o pior de tudo foi a imagem que ficou depois, pais preocupados de deixar o filho participar da arena de swordplay achando que era a mesma pratica... Pois viram a violência desnecessária e pessoas saindo sangrando... Aos olhos leigos tudo e a mesma coisa e isto macha de sangue e preconceito nossa atividade”. Seguindo com as palavras de Felipe Almeida (praticante de Softscombate Swordplay e Reencenação Histórica): “Além de não ser softcombate, pode manchar a modalidade e afetar todos que praticam o soft com segurança e responsabilidade”.

Percebam que eu não estou proibindo a casa Turaine de Vieira ou seja lá quem for de jogar swordplay como achar melhor. Quem dera eu tivesse esse poder. Mas não vou me furtar de criticar uma postura irresponsável como a que foi demonstrada no vídeo, uma vez que ela não afeta apenas quem foi "passear de ambulância", mas também afeta outros grupos – esses sim formados por pessoas de comportamento mais sadio e feliz e que não precisam de extrema violência gratuita e aberta para se divertirem. Mesmo sendo alvo de minha preocupação, por serem seres humanos, o que cada grupo faz em seu particular não me compete proibir ou abençoar. Mas quando o reflexo do que você faz pode afetar negativamente a minha diversão, eu sou obrigado a me intrometer.

“Mas Betão, ninguém foi obrigado a participar da atividade. Todos foram porque quiseram”. Ok, ninguém foi obrigado a participar. Isso não foi questionado. Mas o efeito do que foi praticado pode – e deve – ser questionado. Ninguém foi obrigado a ver aquele espetáculo, mas todos saem de lá com alguma ideia sobre o que viram. E para alguns, aquilo ali é que vai ser a ideia que se vai ter quando perguntarem o que é swordplay. Pode ser que você que está lendo isso esteja cagando para o que os outros pensem, mas eu me preocupo, porque eu trabalho com público. Porque eu já vi esse tipo de merda virar uma coisa muito maior. Nos jogos interclasse deste ano teremos swordplay na minha escola. Da mesma forma que foi feito no ano passado. Mas duvido que eu conseguisse colocar a modalidade se o meu diretor buscasse por swordpay no google e caísse neste vídeo.

Por fim quero encerrar este artigo com uma frase endereçada a mim pelo dono do perfil “Vieira Turaine”: “Meu ponto de vista é. tu fala que e perigoso e que é para a gente parar. Eu digo que não vamos. logo se tu quiser que isso pare tu tem que tomar alguma atitude outra que não seja escrever na net”.

“Valberto Filho”: “Querido, eu não vou sair no braço com você, se é isso que você quer saber. Mesmo que eu fizesse isso só mostraria, naquele momento, quem bate mais forte. Não resolveria nada. Nada. Se você quer continuar se estapeando como você faz eu não posso fazer nada além de criticar. Porque se eu fizer qualquer outra coisa vou estar interferindo no seu direito constitucional de fazer o que deseja, desde que dentro da lei. E criminoso é uma coisa que eu não sou. Por isso, sonhe que você está me agredindo. O sonho é livre”.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Mentores, guerreiros e respeito.

Em 1984 desembarca    va no Brasil o desenho He-man e os defensores do universo (He-man and the masters of the universe) que contava a história do príncipe Adam (He-Man) e seus amigos defendendo o planeta Eternia e o Castelo de Grayskull das forças malignas comandadas pelo vilão Esqueleto.

No Brasil o desenho teve algumas particularidades interessantes. A dublagem brasileira, feita nos estúdios da Herbert Richers, acrescentou três musicas que não faziam parte da trilha sonora original do desenho. No episodio "Semente do Mal" foi acrescentada "Timesteps" de Walter Carlos que na verdade faz parte da trilha sonora do filme Laranja Mecânica. Em outros episódios foram também usados as musicas "Fantasía de Piratas” e “Fu-Man-Chu" do grupo espanhol de musica eletrônica Azul y Negro.

Mas foi na tradução dos nomes que o desenho se superou. Um dos personagens secundários mais importantes para a trama é Duncan, codinome Man-at-Arms, o pai adotivo de Teela. Ele é responsável por todas as invenções, armas e máquinas do desenho. Ele foi traduzido no Brasil como “mentor”. Eu, inclusive, achava que o nome do personagem era mentor.

Sei que devemos evitar ao máximo traduzir certos termos do inglês. Especialmente nomes, mas no caso de Men-at-Arms a tradução foi perfeita. Porque o personagem faz muito mais o papel de mentor, professor e conselheiro do príncipe Adam/He-man do que de um guerreiro – convenhamos, como o guerreiro Duncan era meio fraquinho.

E é justamente sobre isso que eu quero falar. Sobre mentores. Mentores são guias, orientadores de jovens ou de estudantes. São muitas vezes autores intelectuais, responsáveis pela idealização ou pelo planejamento de alguma coisa, para cuja execução influencia o comportamento de outros. Em outras palavras o mentor é como um professor que ao invés de dar todas as respostas acompanha o pupilo na sua busca por elas.

Eu tenho vários mentores. Pessoas que eu admiro e que servem de guias para a minha vida. Entre elas eu posso e devo citar o professor Mário Sérgio Cortella. Se você não teve o prazer de conhecê-lo eu sugiro que pare a leitura agora e dê um pulo no youtube. Procure por termos como “não nascemos prontos” e assista alguns vídeos curtos. Depois volte aqui.

Assistiu? Beleza. Agora quero trazer uma vivência deste grande autor. Ele diz: “Elogie em público e corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender, e ensina sem humilhar”. Tento fazer isso sempre que possível. E acredito que este é um atributo de qualquer bom líder. É mais ou menos como aquela velha frase terrorista de nossos pais: “deixa que em casa a gente conversa”.

Esse é um conselho tão bom que ele serve para todos, em qualquer situação hierárquica. Seja ela horizontal como vertical. Desde o líder que quer repreender a pessoa que fez algo de errado até o comandado que quer questionar as posturas de seu líder. E, dependendo da hierarquia local do seu grupo, essa é a única forma de diálogo que costuma funcionar.

E qual é o problema? Justamente porque vivemos numa democracia achamos que tudo tem de ser democrático e questiona-se, muitas vezes sem razão, o que está acontecendo, de forma pública e sem educação. Quantas vezes eu não vi líderes agirem de forma autoritária? Claro que isso é errado. Mas quantas vezes eu também vi pessoas de fora da liderança fazerem questionamentos fora de momento? Inúmeras.

Pessoas – sejam líderes ou comandados – tem que entender que não são perfeitas. Que são falíveis. E como tal vão errar. Não é bem sobre evitar o erro e sim como lidar quando isso acontece. Ao invés de explodir na frente de todo mundo acusando um jogador de ser highlander e dar nele uma bronca, chamar o cara de lado e conversar. Ao invés de sair discutindo com o líder ou juiz se aquele golpe pegou mesmo ou foi válido chamar o cara de lado e conversar com ele numa boa, sem dar escândalos e sem se alterar. Ser educado e firme ao mesmo tempo, recheando a sua fala de argumentos lógicos e sensatos.


Voltando ao argumento inicial deste texto o mundo precisa cada vez menos de men-at-arms e cada vez mais de mentores. Seja um mentor de si mesmo, de seu grupo, de seu mundo. Lidere pelo exemplo, respeite os outros e mantenha-se firme. E se tudo mais der errado você pode sempre tentar resolver as coisas com um duelo. 

domingo, 18 de junho de 2017

Vamos ao encontro do mais forte

Se você é um cara bom de referência, com certeza reconheceu o lema do desenho Street Fighter, que passava no SBT no final da década de 90 e começo dos anos 2000. Era o mote do personagem Ryu, que sempre estava em busca de desafios cada vez maiores. É uma forma quase nietzscheana (referente ao filósofo Nietzsche) de que “aquilo que não me mata, me torna mais forte”.

Essa deveria ser, a meu modo de ver, a postura de qualquer pessoa que começou a treinar há pouco tempo swordplay. Aliás, vou reformular essa sentença: essa deveria ser a postura de qualquer pessoa que treina swordplay. Buscar sempre alguém mais habilidoso para lutar, buscar novos desafios, ir sempre de “encontro ao mais forte”.

Nos meus primeiros dias de treino nos campos de Eldhestar (antigamente conhecido como Cavaleiros da Virtude) eu estava disposto a aprender tudo que eu pudesse sobre como lutar. E tinha um guerreiro em especial, na época, que era tido como o melhor de todos. Não à toa era o Rei na época. Uma vez eu decidi que só pararia de perseguir esse cara no campo de batalha depois que eu ficasse tão bom ou melhor do que ele. E foi o que eu fiz. Eu me lembro de que sempre que fazíamos uma linha e ele ficava do outro lado da linha, eu fazia questão de ficar de frente para ele e buscar por ele no campo de batalha. Não dava sempre, mas eu não deixava de buscar. Eu vou dizer que demorou uns 4 treinos e mais de 30 duelos para que eu obtivesse a minha primeira vitória consciente – eu não estava contando vitórias com sorte.

Os equipamentos dele eram melhores que os meus. Ele tinha mais técnica. Mas sempre que ele me derrotava eu voltava cada vez mais determinado a vencer.

Melo, o lanceiro que ninguém
quer enfrentar...
“Peraí Betão... tu estás dizendo que buscava direto o cara mais forte do grupo... por que? É vontade de ficar sentado na grama vendo os outros lutarem? Tu não tens ego? Não sente vergonha de ser derrotado todas as vezes que enfrenta esse cara? No meu grupo tem um cara com lança que é quase invencível. Sempre que eu o avisto no campo de batalha eu saio de perto. Vou buscar outros caras que eu sei que eu posso vencer”. Comentou aquele rapaz de cabelos loiros, bem curtinhos e de bata preta e branca.  

É cara, é mais ou menos isso. Sabe por que? Porque a evolução no swordplay (e na vida em geral) se dá quando encaramos coisas difíceis. Fazer soma todo mundo sabe; agora fazer cálculo é outra história. Bater com a espada é moleza; agora dominar um ou mais estilos é outra história. E essa é uma super postura para o grupo também. Se todo mundo busca pelo melhor, logo todo mundo vai se tornando melhor.


Bom, era isso. Nos vemos por aí. 

domingo, 11 de junho de 2017

Caça-raposa

Um jogo de campo que envolve estratégias, traição e uma boa dose de trabalho em equipe. Esse é o caça-raposa, um emocionante jogo para seus treinos de swordplay.

Um dos jogos mais populares desenvolvidos pela Aliança de Beufort – DF é sem dúvida o caça-raposa. Para se jogar exige-se duas coisas: um campo de bom tamanho, com muitas árvores e obstáculos, e um bom número de participantes. Trinta é o ideal mas pode ser feito com mais participantes.

O primeiro time a ser escolhido é o das raposas. Ele deve ter um número de membros igual a um terço (aproximando) do total de pessoas envolvidas. Se temos 30 pessoas jogando, 10 delas serão raposas. Cada membro das raposas ganha uma fita colorida para representar que ele é uma raposa. Os que sobram são automaticamente caçadores.

Uma vez escolhidos os times, os caçadores viram de costas e as raposas ganham 5 minutos de vantagem para correr e se esconder entre as árvores. Então começa a caçada. Quando uma raposa é abatida o caçador que a abateu ganha a sua fita. Existem, portanto, duas formas de ganhar o jogo: um caçador reúne todas as fitas das raposas ou o time dos caçadores é completamente eliminado.  

Existem alguns detalhes que devem ser atentados. Os caçadores são todos concorrentes entre sim. Apenas um caçador pode ser o vencedor da disputa. Então os caçadores podem lutar entre si. Espera-se que lutem pelo prêmio final – o conjunto das fitas das raposas – mas não é contra as regras que se matem a qualquer momento do jogo.

Já as raposas não tem esse senso de competição. Elas vencem apenas se todos os caçadores vierem a ser derrotados. As raposas não podem se matar.

Ao final este jogo nos ensina muito sobre competitividade, traição e trabalho de equipe. As raposas vencem um grupo maior, usando a força do trabalho de equipe. Já aos caçadores aprendem a esperar o momento certo para lutarem entre si e conquistarem o prêmio. Aprendem a trabalhar em equipe, confiando e desconfiando dos outros.


Raposas comemorando a merecida vitória...

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...