quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Liderança sem vaidade

“Grandes líderes não usam as pessoas para que possam vencer. Eles lideram pessoas para que todos possam vencer juntos.” - John Maxwell.

Depois do EPS-2016 eu fiz muitas amizades e o meu chat do facebook tem me deixado bastante ocupado. É uma troca maravilhosa de informações, de conhecimento, de saberes. É maravilhoso poder falar com pessoas com o mesmo interesse meu, ignorando as barreiras geográficas.

Dia desses, estava conversando com um amigo que tinha acabado de formar um clã. Tinha aproximadamente cinco pessoas nele. Daí ele me pediu umas dicas de como fazer o clã crescer e eu disse que tinha escrito algo a respeito. Ele replicou que já tinha lido a respeito, mas que não ia procurar os ouros dois grupos da sua região, porque os líderes desses grupos eram muito vaidosos e metidos.

Tenho que admitir que esta é uma das coisas que mais me chamou atenção desde que eu comecei a praticar swordplay: a vaidade de alguns líderes.  A arrogância e prepotência de alguns swordplayers chega a me dar náuseas. E como venho percebendo através dos chats e bate-papos Esse sentimento é compartilhado pela grande parte das pessoas que estão ou já estiveram sob a liderança desses medíocres, com título de Lideres.

No mundo profissional algumas pessoas são líderes apenas por causa de seus cargos. Ou seja, a liderança dessas pessoas é empurrada goela abaixo. São chefes e não líderes. Posso garantir que isso causa muito sofrimento e desmotivação aos liderados. Trabalhei numa escola em que o coordenador via defeitos em tudo à sua volta, tornando o nosso trabalho virtualmente impossível de ser realizado a contento. No swordplay não é difícil que esse tipo de coisa aconteça. Conheço grupos em que o chefe usa de todas as armas escusas (intimidação, perseguição, punições arbitrárias, calúnia) para manter-se no topo.

Certa vez, num evento local aqui em Brasília tive a nítida sensação de estar diante de um pavão. Ele era tão pavão que suas “penas” chegavam a atrapalhar. Neste mesmo evento, o pavão me disse que a culpa pelos problemas que o seu clã vinha enfrentando era de seus membros. Eram “metidos, indisciplinados e arrogantes”. Perguntei então quem era o responsável pelos treinamentos e regras do clã. Ele com a maior cara de pau ele disse "eu". Ora, então este pavão treina mal e a culpa é dos outros. É muito fácil perceber esse tipo de chefe. Se as coisas saem bem - “EU FIZ”. Quando acontece alguma coisa errada - “ELES fizeram”. Caros guerreiros, liderança não é nada disso.


Para uma liderança de sucesso é preciso levar em consideração “as pessoas”. O capital pessoal é o maior patrimônio de um clã. Não sãos as espadas de fibra ou escudos de PI que fazem as coisas acontecerem. São as pessoas que o líder treinou e ajudou a chegar onde chegaram. Liderar envolve servir e não ser servido. Liderar é fazer as pessoas que estão à sua volta crescerem. Liderar é treinar e fazer novos líderes. Vitórias? Reconhecimento? Crescimento do grupo? Será uma consequência disso tudo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

EPS - 2016 - Como foi

Se tiver uma coisa que o filme Scott Pilgrim é que quanto mais expectativa você gera sobre um determinado assunto, mais chances você tem de ter essas expectativas frustradas. Por isso, como uma forma de me proteger desse tipo de frustração – e como forma de aproveitar ao máximo as coisas – eu procuro criar pouca ou nenhuma expectativa a respeito das coisas. Foi assim com os últimos filmes e seriados que eu assisti. Foi assim também com o EPS – Encontro Paulista de Swodplay, que aconteceu neste domingo, 30 de julho de 2016.

Antes de começar bem esse texto quero deixar claro outra coisa: eu fui à São Paulo para rever amigos que não via tem dez anos ou mais. Ir ao EPS era a desculpa perfeita para custear a passagem e a estadia no hotel. Por isso, minha agenda na sexta e no sábado foi super lotada – então desculpe a todo mundo que eu disse não sobre ir treinar na véspera do evento. Eu tinha, mesmo, outras coisas para fazer.

Tendo posto essas duas informações a priori fica mais fácil dizer o que eu achei do evento e si. Foi absolutamente fantástico. Eu saí do meu hotel e peguei um uber em frente ao shopping Ibirapuera e parti para o Parque Villa Lobos. Lá chegando eu estava me sentindo meio deslocado, carregando o meu escudo e o meu saco de espadas. Mas essa sensação durou até que eu vi dois membros do Draikaner chegando ao parque no mesmo momento que eu. Segui os dois até o ponto de encontro, onde encontrei com o Rodrigo Castillo – que eu tinha conhecido na sexta à noite na livraria moonshadows. De lá foi só alegria.

A primeira pessoa da organização a me cumprimentar foi a Toshie Yumito. Ela me recebeu com um caloroso abraço e depois me indicou o “caminho das pedras”. Dessa hora em diante eu só fui conhecendo pessoas legais como a Carla Fajardo (professora, como eu), o João Pedro Fajardo (Draikaner), e tanta gente que a minha cabeça: Eduardo Souza, Rasec, Victor Frazão, Ruan Bodnar (acho que era ele...), Glauco Ferrinho, Akuma, Luis Felipe, Rafael (capitão Jack), Guiro, Guilherme Hernandez (Falcões Super Sentai), Beatriz Helena (na linha, na linha!), Roberto Kyo (sou um grande fã desse cara), entre tantos outros...

Para você ter uma ideia do tamanho da coisa foram quase setecentas pessoas, com vinte e sete clãs representados e mais uns oitenta mercenários que estava sem clã. Cara, eu não sei quanto a você, mas reunir tanta gente num lugar só é uma loucura. Que outro lugar eu teria chance de conhecer grupos como o Fyrdraka (SP), o pessoal mais que simpático dos Reinos do Sul (Curitiba! foices gigantes – Dire Schytes!), Falkisgate (SP com Piracicaba, São Paulo, Mauá, Cândido Mota/Assis, Suzano, Sumaré, Americana; PR com Londrina, e em breve DF com Planaltina), Império do Swordplay, Clã Warlords (roxo e preto), Shadow Fênix (Mogi-SP), Cavaleiros de Tempus (D&D na veia!), Darastrix, Ordo Fili Umbras (que lutou do meu lado, que bacana!), Dragões do Império (RJ), Cavaleiros da Morte (escudos padronizados – UAU!), Magnus Legio,  Shadowfax... sem falar dos mercenários e de outros grupos que infelizmente não tive como cumprimentar adequadamente.

Outro ponto positivo foi o espírito reinante no lugar. Não havia traços de competição, de querer ser o melhor. Tinha um espírito de confraternização muito legal. “Opa, vamos um x1?” era o equivalente ao “bom dia, prazer em conhecer você!”. Deve ter rolado algumas tretas, com certeza, mas nenhuma delas foi realmente notável. A organização fez o melhor trabalho que eu já vi num evento desse porte. Parabéns mesmo.

Óbvio que nem tudo são flores. O parque é muito bonito, mas tem pouca infraestrutura para receber tanta gente (a fila dos banheiros estava de matar) e tinha pouca opção de lanche para quem não trouxe comida de casa.


O grande problema que o evento me trouxe foi para 2017. Eu sei que eu vou estar lá, tabardo e tudo mais. Mas vai ser complicado segurar a expectativa. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Swordplay nos jogos interclasse - como foi.

Tudo começou numa lodorrenta quarta-feira pela manhã quando tenho a coordenação geral, com todos os professores do turno, para tratar de assuntos da escola. Neste dia, além dos avisos de atestados médicos e mudanças de turma, os professores de educação física perguntaram se alguém tinha sugestões para os jogos interclasse 2016 no CEM02 do Gama. A modalidade de Damas foi retirada e no seu lugar entrou o cabo de guerra. Ficou acertado que os jogadores de xadrez teriam de passar por uma oficina preparatória a fim de poderem de habilitar para os jogos.

No final da reunião sugeri ao professor Cleriston Sales, da pasta de educação física, a modalidade de swordplay. Ele achou uma ótima ideia, mas ficou com um pé atrás: quem coordenaria essa atividade? Quando me prontifiquei para assumir esta atividade tanto a coordenação da escola como a direção me deram sinal verde para fazer do jeito que eu queria.

Comecei a falar com os alunos, turma por turma (dou aula para 14 turmas diferentes), sobre a modalidade e as regras. Mostrei uns vídeos e até convidei os interessados para vir treinar com o grupo que eu treino atualmente (os Cavaleiros da Virtude – Santa Maria – DF). Mas não era efetivo. Então levei o meu material de swordplay para  a escola e fiz demonstrações durante uma semana nos intervalos, sempre no gramado da frente da minha sala.

A resposta dos alunos foi tão boa que eu solicitei um espaço em turno contrário para treinar quaisquer atletas interessados. A escola cedeu de bom grado o espaço e todas as quintas-feiras, de 9:00 às 12:00 eu reunia os alunos próximo à sala da coordenação para um treino rápido.  
O tempo foi passando e logo chegou o fim das inscrições dos jogos. O professor Ton (Cleriston) me mostrou a lista de alunos inscritos para a modalidade de swordplay. Setenta e cinco. Sério. Eu quase pirei. Era muita gente interessada em bater espadinha.



Os jogos de swordplay foram divididos em três modalidades: pega-bandeira, jogos vorazes e xis-um. Na segunda-feira, pontualmente as 14:30 começou a modalidade de pega-bandeira. Foi uma tarde bem longa, de poeira, golpes e corrida na frente do cine-teatro da escola. Por fim a turma do 3º ano I sagrou-se vencedora e em segundo lugar  2º ano P.
Campeões!

Vice-Campeões!

No segundo dia, terça feira, começamos com Jogos Vorazes, às 14:00. Teve de tudo: gente escondida atrás das árvores, gente se fingindo de morto e até um cara que passou boa parte da partida escondido e só saiu no final. Essa estratégia pouco honesta – mas vá lá, são jogos vorazes, vale tudo para vencer – rendeu ao aluno Antônio Carlos, do 2º ano, a vitória.
Os "tributos" antes dos jogos

Primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente. 


Ainda na terça-feira fizemos a competição de xis-um. Mais de 26 alunos se prontificaram a participar. Foi uma disputa alucinante, em cima do palco, montado na frente da lanchonete da escola. A disputa foi acirradíssima, com direito a muitos gritos da plateia, mas no final o aluno Alan, do 2º ano que sagrou-se vencedor.
Os quatro melhores do Xis-Um

Foram dois dias de muitos gritos, risadas e diversão. Foi muito legal. E o melhor: nenhuma briga ou desentendimento com os alunos, que levaram golpes numa boa. No final muitos deles que não se conheciam, tornaram-se amigos.  E foi uma disputa divertida. Ano que vem tem mais.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Swordplay se aprende na escola.

Olá amigos, ou parafraseando o lorde Ferrinho “saudações nobres guerreiros”. Como a maioria de vocês deve saber (ou não!) eu sou professor de História e Filosofia e dou aulas para o Ensino Médio na Rede Pública do Distrito Federal. Dou aulas no Centro de Ensino Médio nº02 do gama, a segunda maior escola do Distrito Federal e uma das mais antigas também.

Os nossos jogos interclasse 2016 estão chegando. É um momento de desestressar um pouco com o fim do primeiro semestre letivo, em várias atividades esportivas. Temos desde os tradicionais futebol e basquete, passando por modalidades que já foram olímpicas, como o cabo de guerra e algumas até mais “intelectuais”. A novidade este ano fica por conta do swordplay, que entra como modalidade em três eventos distintos.

É amigo, é isso mesmo que você leu. Vai ter swordplay na escola. Organizado por este que vos fala. Serão três modalidades distintas divididas em dois dias de competição: jogos vorazes, xis-um e pega-bandeirinha.

Jogos vorazes imita o filme: cada turma indica dois atletas. Todos os atletas são reunidos uma grande roda, num campo aberto cheio de árvores e obstáculos naturais. No centro da roda existe um número de armas menor do que o número de atletas. Ao ser dado o sinal os atletas devem correr até o centro, pegar uma arma e matar o oponente. Imagino que ao contrário do filme, a competição aqui não vá durar mais que dois minutos.

Xis-um é o famoso um contra o outro. Será organizado um sistema de chaves simples, eliminatórias e sem repescagem. Dois entram e apenas um dos dois sai. Vai assim até termos um grande campeão. Nesta modalidade cada sala pode inscrever quantos atletas quiser, até um limite de dez pessoas.

Já o pega-bandeirinha é um clássico da nossa infância, revisitado. Cada time conta com seis atletas. O objetivo é pegar a bandeira do outro lado, sem eixar que peguem a sua bandeira. Caso um atleta seja eliminado no campo, ele deve se dirigir até a zona de respawn (ao lado do espaço da bandeira), tocar lá e voltar ao campo de batalha. Nesta modalidade específica, apenas o “rei” pode pegar a bandeira e se for morto o rei deve esperar um tempo de pelo menos 10 segundos antes de voltar ao jogo.

Para garantir que no dia os atletas vão saber o que fazer eu tenho organizado treinos duas vezes por semana: um na quinta-feira, de 9:00 as 11:30 e aos sábados de 14:30 as 18:00. Os treinos de quinta são nas dependências da escola e os treinos aos sábados são no campo de treino dos cavaleiros da virtude.


No começo eu pensei em permitir lanças e arcos, mas mudei de ideia por questões logísticas. Teremos apenas espadas, machados, adagas, maças, machados e escudos.  O grande objetivo desta proposta é a diversão e, claro, trazer para o meio escolar o nosso hobbie. Mais para frente pretendo fazer uma oficina de armas. Desejem-me sorte!

Abaixo o link para o primeiro treino misto com a modalidade pega-bandeirinha. 



sexta-feira, 8 de julho de 2016

Superação

Uma coisa que eu aprendi com esportes – e não apenas com o swordplay – é que no campo e na quadra é que superamos a nós mesmos. E não falo apenas da simples superação física de correr um pouco mais, de se esforçar um tiquinho além ou de fazer aquilo que até algumas semanas atrás você considerava impensável.

O esporte permite que você consiga vencer o maior inimigo que você tem: você mesmo. Vi num dojô de karatê uma vez a seguinte frase: “quem vence o oponente é forte, mas quem vence a si mesmo é poderoso”. E o que é vencer a si mesmo? É se superar com o espírito. É quando o seu corpo diz: “ok, já deu pra mim” mas o seu espírito continua inflamando suas células, bombeando energia e gritando a plenos pulmões: “bring it on!”

Tenho uma amiga que me contou que quando começou a treinar swordplay ela era muito ruim. Ruim quanto? MUITO. Péssima. Se ela fosse lutar contra um boneco de aparar golpes – como aqueles que têm em academias de MMA – provavelmente ela perderia.

E o que ela fez depois de quatro treinos sem matar ninguém? Decidiu que se tornaria boa naquilo. Passou a treinar com afinco e nunca desistir de uma luta, mesmo que o outro oponente fosse o melhor guerreiro da guilda. Ela passou a olhar o mundo com os olhos inquisidores, prontos para captar qualquer novo movimento ou desvendar qualquer técnica. Ela passou a ser mais do que ela já era. Ela passou da postura “ok, estou derrotada” para a postura “ok, o que eu posso aprender com isso?”

Hoje ela luta bem. Já lutou com a coxa estirada, com o dedo estourado por conta de um golpe dado com o cano de uma espada e até já voltou para casa com um olho roxo devido a uma lançada que levou bem na cara. Mas ela não desistiu e treino após treino ela continua evoluindo.


E sabe qual que é a melhor parte disso tudo? Se você consegue levar essa postura para o seu esporte favorito, seja ele swordplay, futebol ou seja lá o que for, você é capaz de levar essa ideologia para o resto da sua vida. O que você está esperando para começar a vencer? 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Vamos dançar...

Deixe que nossos corpos corram feito loucos, 
Em meio a um grito uníssono de charge nós vamos,
E que a espuma das espadas que levamos, 
Exploda no EVA siliconado de nossos escudos.

Evitemos o golpe nas jóias da família,
A mentira e a ressurreição indevida,
E que o excesso de força,
Seja apenas de nossos abraços.

E no fundo, no fundo,
O resultado não tem peso na balança,
Somo todos amigos, de espada, escudo e lança.

E no final do dia o que vai sobrar,
São os amigos que acabamos de fazer
E as amizades que viemos a conquistar.

domingo, 26 de junho de 2016

Estado de fúria

A antiguidade conheceu os mais variados tipos de guerreiros. Mas poucos deles podem rivalizar a força, a coragem e especialmente a fúria dos antigos guerreiros vikings conhecidos como Berserkers. O termo significa “sem camisa” ou “pele de urso” justamente porque estes guerreiros entravam num estado de fúria frenética que lhes concedia coragem e habilidades quase sobrenaturais no campo de batalha. Não se sabe exatamente o que levava esses guerreiros a este estado de fúria incontrolável, mas é farta a documentação histórica que atesta a veracidade, tanto da sua existência quando das suas proezas no campo de batalha.

A fúria e a raiva não são estranhas aos campos de batalha. Guerreiros furiosos, entupidos com o efeito da adrenalina correndo por seus corpos eram verdadeiras ameaças vivas aos seus inimigos – e às vezes até mesmo a seus aliados.

Mas no swordplay um berserker não é desejável. Swordplay é uma atividade desportiva que visa a diversão. Não é uma guerra de verdade e nem mesmo uma simulação ou recriação de uma batalha. Você pode treinar assim ou assado, mas se não houver diversão e segurança, alguma coisa está realmente errada. E não dá para ter segurança com alguém “puto de raiva” solto no campo de batalha.

É regra no grupo onde eu jogo que se você atingir qualquer parte proibida do corpo (cabeça, pescoço, nuca, seios, genitais) ou bater com muita força você é quem efetivamente é derrotado. No nosso último treino eu levei dois golpes na cabeça. Todos dois bem fortes. O primeiro deles pegou da testa para cima, em direção ao lobo frontal do lado direito da cabeça. Doeu pacas na hora e a pessoa que deu o golpe limitou-se a colocar sua arma de lado e se encaminhar para a zona de respawn. Algumas rodadas mais tarde o mesmo cara me atingiu de novo com arco semi-profissional, praticamente à queima roupa (eu estava a menos de três metros dele, com certeza), me atingindo bem no olho direito. Na hora pensei que tivesse quebrado meus óculos, ou pior, que tivesse cortado o meu olho. Mas tudo o que fez foi me deixar cego por uns instantes e meio zonzo por alguns minutos. De novo o atacante não pediu desculpas.

Mesmo sendo uma pessoa controlada eu fiquei muito puto. Mas não o bastante para partir para cima do cara. Eu sei que foi um acidente, mas machucou e me deixou muito enraivecido. A raiva durou praticamente o resto do treino. E com a dose extra de adrenalina correndo nas veias eu lutei muito melhor, cegando a despachar sozinho cinco atacantes do outro time que haviam me cercado.  Mas eu não gostei. Não foi uma vitória doce. Foi amarga. Eu estava furioso e não medi minhas palavras e devo ter dito coisas que normalmente eu não diria. Não é dessa forma que eu sou e nem dessa forma que eu quero lutar.


Então, se há alguma coisa a ser aprendida nisso tudo é que você deve tentar relevar o máximo  os acidentes quanto o comportamento dos colegas. E se não for possível e você perceber que não vai se controlar ou que vai fazer alguma coisa errada, simplesmente deixe o campo de batalha. É melhor para você e para todo mundo. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

O golpe perfeito

Quando eu fazia Kenjutsu no Instituto Niten, unidade DF, uma coisa que sempre insistiram – e da qual serei eternamente grato – é que você tem que dar o seu melhor. Sempre. Todas as vezes. Não importa se é treinar um golpe simples como um men ou dô (que você repete centenas de vezes num treino) ou se é num shiai (combate onde todas as técnicas que você conhece estão valendo) com um senpai mais graduado ou mesmo com o sensei. Qualquer coisa abaixo do seu melhor não vai ser o bastante.

Essa é uma lição que todo mundo deveria levar para a vida. Não ser meia boca, não ser meia bomba, não tentar com aquela cara de cachorro derrotado. Se vai fazer, faz bem feito de uma vez, empregando tudo o que você sabe e conhece. Não deixe para dar o seu melhor depois.
Essa é uma postura que eu sempre levo não apenas no swordplay, mas também na vida. Quem treina comigo sabe que eu parto cima, sem ficar muito de embromação. Eu parto sempre pata para o golpe cheio, o golpe que vai matar você de uma tacada só, ou na pior das hipóteses numa boa combinação de golpes rápidos e certeiros.

“Mas é claro” – vai comentar alguém – “Olha só o seu tamanho. Se eu fosse grande como você eu também ia para cima”. Primeiro não é uma questão de ir para cima. É uma questão de se esforçar. E para isso o tamanho não importa muito. No meu grupo existem pelo menos seis pessoas menores do que eu – e todos lutam bem melhor do que eu. Não é mesmo uma questão de tamanho. É a questão de o quanto você está disposto a se esforçar para ver as coisas acontecendo. Mesmo que você seja derrotado você sabe que se esforçou ao máximo e que não entrou no campo de batalha meio morto, com medo do coleguinha muitas vezes melhor que você.


Por isso sempre que possível dê o seu melhor: ataque para matar, defenda-se para viver e faça tudo que estiver a seu alcance. Esforce-se. Dê o “corte perfeito”. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Eventos de Swordplay – dicas de sobrevivência.

Com a chegada do EPS (Encontro Paulista de Swordplay) e de muitos outros eventos Brasil à fora resolvi fazer este pequeno guia com algumas dicas de o que levar e o que fazer no dia para que dê tudo certo. Bom proveito!

1 – Prepare-se com antecedência.
Não tem nada pior que chegar no evento e perceber que deixou alguma coisa importante em casa. Como é que você foi esquecer do/da (coloque aqui o nome do item importantíssimo que você deixou em cima da sua cama)? Para evitar que isso aconteça escreva uma lista de tudo o que você precisa levar e no dia anterior ao evento junte tudo num canto só.

2 – Avise onde está indo.
Avise a seus pais/responsáveis onde você está indo, com quem, a que horas você pretende voltar, esse tipo de coisa. Nunca é demais ter um pouco de bom senso nessas horas. Mas se você não tem mais que responder a seus pais procure avisar a amigos mais íntimos e até mesmo vizinhos para onde você vai. Hoje em dia segurança nunca é demais.

3 – Não se esqueça do protetor solar...
Se o evento for ao ar livre, como num parque ou praça, não se esqueça de proteger-se adequadamente das indesejáveis queimaduras do sol. Protetor solar não é frescura. É uma necessidade para qualquer pessoa inteligente.

4 – Hail Hydra... digo, Hidrate-se!
Não conte com bebedouros públicos, com vendedores ambulantes ou com a bondade de colegas de treino quando você se desloca para um evento. Leve sua própria cota de água e mantenha-se hidratado o tempo todo. A desidratação é uma coisa bem séria e somada com excesso de raios do sol e calor pode levar até mesmo a desmaios e até convulsões. Prepare-se!

5 – Hora do lanche
Opte por lanches leves, ricos em vitaminas e carboidratos e que possam ser carregados sem a necessidade de refrigeração. Um bom sanduiche de presunto e queijo, barras de cereal, bolo, torta salgada, salgados de padaria são bons exemplos. Evite lutar de barriga vazia.

6 – Heal me, please!
Não há nada de errado em levar alguns itens de primeiros socorros: álcool para limpar feridas, bandaid, merthiolate, gelol, esparadrapo, gaze e outros itens que resolvem 90% das tretas mais sérias que você pode embarrar num evento desse tipo. É como diz aquela velha musiquinha: caiu, bateu, escorregou? Tem que ser... gelol!

7 – Fix me, please!
Já que você está levando material para se cuidar que tal levar material para cuidar do seu equipamento também? Um pouco de silvertape, tesoura, estilete e coisas assim costumam ser uma mão na roda para reparar a espada que se abriu ou aquele escudo que soltou.

8 – Armas... muitas armas.
Existem coisas que a silvertape que você levou não vai dar conta de consertar. Uma espada de cano partido por exemplo. E o que você faz? Saca a sua arma reserva! Leve pelo menos uma arma de confiança, reserva, que você possa usar em caso de necessidade.

9 – Uma muda de roupa limpa e seca
Nunca dê bola para a previsão do tempo. Eles erram na maioria das vezes. Mas se tem uma coisa que é certeza é levar uma muda de roupa sequinha, junto com uma toalha seca e limpinha, guardado num envelope à prova de água. E quando eu falo em “envelope à prova de água” quero dizer um saco plástico bem fechado. Se o evento terminou você não precisa voltar para casa com aquela roupa molhada de suor ou pior ainda, encharcado com a chuva que  previsão do tempo disse que não tinha chance de acontecer.

10 – “Óculos, relógio, carteira”.
Desde que eu comecei a ir sozinho para a escola que eu recito este mantra antes de sair de casa. Se bem que hoje em dia eu troco relógio por celular, mas no fim dá no mesmo. Não leve muito dinheiro em espécie a não ser que você tenha realmente intenção de gastar no evento. Se não for o caso leve pouco dinheiro. O mesmo vale para cartões de crédito/débito que só devem ser usados em caso de emergência. E certifique-se que o seu celular está carregado. Nada piro que na hora que mais precisar dele descobrir que ele está zerado.

11 – E o mais importante...

Entusiasmo e vontade de se divertir. Sério. Não deixe essas coisas em casa quando sair para o seu evento. É um momento legal, de reencontrar/conhecer amigos, condicionar o físico, se divertir e brincar de forma saudável com pessoas que têm o mesmo hobby que você. Nada de chegar no treino com a cara amarrada e pronto para descontar nos outros todas as patadas que o seu chefe, a sua esposa, a sua sogra ou seja lá quem for deu em você durante a semana. Os outros jogadores não merecem isso de você! Deixe seus problemas fora do treino e divirta-se com seus amigos. Você merece e eles também.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Chove chuva, chove sem parar...

Choveu... e agora?


Uma das coisas mais legais da prática do swordplay é o fato dele ser praticado – na maioria das vezes – outdoor. É a chance que os participantes têm de entrar em contato com a natureza, sentindo o sol, a brisa, a grama, as árvores. Num mundo como o nosso onde áreas verdes são cada vez mais escassas, saber que existe um momento de “entrar em contato com a natureza”, ainda mais fazendo alguma coisa que você gosta, é muito bacana. Mas daí, chove.
Essa é uma situação quase certa para quem treina no verão: o grupo será surpreendido com uma boa chuva em alguns dias de treino. Com exceção das tempestades com raios, treinar na chuva não traz, contudo, nenhum prejuízo ao atleta. Só é preciso tomar alguns cuidados extras para que ele não se machuque ou adoeça.
Chover é um verbo defectivo. Ele apresenta irregularidade quando conjugado. E quando chove durante um treino temos uma situação inusitada – e potencialmente perigosa.
O ideal é que se tenha um segundo local de treino, coberto, para ser usado em eventuais eventos climáticos. Uma quadra coberta, um salão comunitário, um depósito vazio, um armazém desocupado são boas opções. Você pode até mesmo deixar o aviso no site do grupo ou postar o aviso pelos grupos sociais que o pessoal mais acessa: em caso de chuva vamos estar na quadra coberta do colégio.
Mas como ideal nunca é o mais comum é bem provável que não se tenha esse segundo local de treino. Nesses casos o ideal é cancelar ou deixar o treino de sobreaviso. Se for uma chuvinha fina, a famosa garoa, pode ser que você consiga treinar. Basta ter cuidado com o chão que vai estar mais escorregadio que de costume e que cedo ou tarde, a sua roupa vai estar encharcada. Devo admitir que lutar com uma chuvinha ao fundo é bem refrescante. Muda completamente a dinâmica e dá uma ideia de “desafio extra”, mas devem ser tomados cuidados extras para que ninguém se machuque.
Em relação ao vestuário, a recomendação é que o swordplayer evite meias de algodão se for treinar na chuva, pois encharcam e podem aumentar o atrito, causando bolhas. Não há como não molhar os tênis, porém alguns modelos possuem um bom sistema de escoamento, evitando que fiquem muito pesados. Já as jaquetas à prova d’água devem ser usadas apenas se oferecerem uma boa ventilação, caso contrário podem esquentar muito o corpo, aumentando a transpiração. E por falar em suor, um erro de quem treina na chuva é achar que pode diminuir a hidratação. O indicado é beber água normalmente, ingerindo de 100 a 200 ml de água a cada 30 minutos.

E se caso a chuva engrossar, ou for propício para relâmpagos e trovões? Neste caso eu peço a você que não treine. O Brasil é campeão mundial na ocorrência de raios. De acordo com a revista Superinteressante (número 84 , agosto de 1994) são mais de 100 milhões de raios por ano! E qualquer um deles é o bastante para dar um fim prematuro a sua vida ou a de seus colegas. Se a chuva começar a aumentar ou os relâmpagos começarem a cruzar o céu paralise o treino imediatamente e vá buscar abrigo seguro. Se você se encontrar preso em uma tempestade de raios, a chave para minimizar o perigo é se abrigar em uma estrutura de proteção. Enquanto a maioria das pessoas procura abrigo quando os raios parecem estar próximos, elas comumente esperam muito tempo para procurar esse abrigo. Se você pode detectar um raio, ele pode estar perto o suficiente para te atingir. Não espere ele cair bem ao seu lado (ou em cima de você) para ficar em segurança.
Evite pequenas estruturas, como banheiros públicos independentes. Coberturas abertas também não são adequados. Estas estruturas vão atrair raios e não fornecem nenhuma proteção, tornando-os mais perigosos para se estar ao redor.
Ficar de pé sob uma árvore é uma péssima ideia. Raios atingem objetos altos, e se a árvore na qual você estiver próximo for atingida, seu corpo pode ser atingido com a mesma força ou sofrer ferimentos tão fortes quanto os sofridos pela árvore.
Seguindo essas orientações, o swordplayer conseguirá completar seu treino tranquilamente, e sem riscos. E para um resfriado, uma boa dica é ter por perto uma toalha e uma muda de roupas secas para trocar logo após o treino.


Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...