terça-feira, 20 de setembro de 2016

Assédio no swordplay




E tudo começou com um e-mail
Olá tio Betão (rsrsrs)
Como vai? Eu me chamo XXXXXXXXX, tenho XX anos e atualmente treino swordplay com o grupo XXXXXXXXX aqui de XXXXXXXXX. Eu sempre leio seu blog e gosto muito da forma que você escreve. (...) Por conta da faculdade ando meio afastada dos treinos, mas sempre que posso dou uma escapadinha para treinar. (...) O motivo do meu contato é que eu queria pedir que você escrevesse um texto falando sobre o assédio que as meninas sofrem dentro do swordplay. Eu mesma sofri muito assédio quando eu comecei, mas parece que as coisas deram uma estabilizada. (...) As coisas só começaram a mudar quando eu me impus e disse que não ia mais aceitar que ficassem passando a mão em mim. Gostaria que você não citasse o meu nome ou o nome do meu grupo, até para evitar desavenças. Um dos líderes do grupo é machista pra caramba e uma vez ele disse que gente como eu (mulher e feminista) não fazia falta no grupo “dele”. (...) Obrigada.
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Assédio. Poucas palavras mexem com as pessoas como essa palavrinha é capaz de mexer. Desde que recebi esse e-mail eu me senti profundamente incomodado. Eu não sou ingênuo para achar que num esporte tipicamente masculino como é o swordplay não haveria machismo ou assédio, mas eu não achava que seria tanto.

Tão logo eu tomei ciência da situação comecei a contatar amigas e conhecidas dentro do jogo. Comecei pelas pessoas que treinam comigo e depois fui expandindo o círculo de pesquisa até chegar a jogadoras de outros estados e até mesmo uma pessoa que morava no Brasil e agora joga nos Estados Unidos. O objetivo deste artigo é, portanto, dar voz a essas meninas que sofreram nas mãos de alguns “swordplayers”. Este é um texto para conscientizar e alertar as pessoas sobre esse problema. Quero deixar claro que nada aqui é “mimimi” ou “frescura”. São todos relatos de dor, sofrimento e humilhação que foram sentidos por outros seres humanos. Não podem (e não irão) ser tratados levianamente.

Por questão de segurança vou chamar todas as meninas deste texto de “Kriger”, que significa “guerreira” em língua escandinava.

Um universo de possibilidades
A primeira coisa que eu descobri quando comecei a pesquisar empiricamente sobre o tem é que não existem duas histórias iguais. Cada menina vê/sente/sofre o assédio de forma diferente, única e intransferível. Cataloguei casos que iam desde relacionamentos doentios que começaram no campo de jogo passando por expressões interessantes como “os meninos alegres” e até meninas que nunca viram/sentiram/sofreram nenhum tipo de abuso. Mas cada relato deve ser reconhecido e tratado em sua particularidade. Se temos grupos onde o assédio não existe temos que pensar o que podemos fazer para que essa boa política se dissemine.

Os relatos a seguir são todos da mesma cidade.

“Abuso? Não, nunca vi e nem senti. Até porque o pessoal do meu grupo é muito focado. Não tem tempo para esse tipo de coisa. Mas se houvesse tenho certeza que o “Mumu” daria um jeito nele”. (Kriger 2)

“Nunca aconteceu comigo”. (Kriger 3)

“Olha, quando eu comecei eu tenho de admitir que eu lutava muito mal. Mas era mal mesmo. Eu era o alvo fácil de todo mundo no campo. (...) Alguns meninos vinham dar abraços com “segundas intenções” depois do treino, ou comentavam que eu deveria ser fácil porque eu “pegava de boas na espada”. As pessoas chegavam a dizer eu estava ali só para conseguir um tipo especial de atenção. Daí eu comecei a agir com “brutalidade”. Eu já era um pouco antissocial mesmo então ninguém estranhou muito. Hoje eu sou bem respeitada no meu grupo”. (Kriger 5)

Você não pode porque é menina
Percebi, ao longo dos relatos, que uma das formas mais comuns de perseguição é a de desmerecer a menina justamente por ela ter características do sexo feminino. Se um menino se deixa levar pelas emoções ele é “esquentadinho”, mas se é uma menina ela é “emocionalmente instável”. Um menino que arruma uma namorada no grupo está sendo “pegador”; se for uma menina, ela não passa de uma “maria-espadinha”. Se o cara é derrotado por uma menina ele diz que “pegou leve” com ela. Esse tipo de coisa é bem mais comum do que se pensa. É o que comumente chamamos de misoginia.

“Eu tinha começado a jogar fazia poucas semanas. Tinha ido com o meu namorado/ficante da época e me apaixonei pelo esporte. (...) Eu fiquei sabendo que haveria um EPS já no começo do mês que vem. Quando eu disse que queria participar do evento foi uma loucura. Disseram que eu não podia porque eu era muito fraca e tinha pouco tempo de treino. Nas palavras deles eu ia ‘manchar a reputação do time’ porque eu era ‘inferior’ aos outros ‘jogadores selecionados’ para participar. Aceitei meio a contragosto até descobrir que um ouro colega de treino, bem mais fraco do que eu tinha sido selecionado para ir ao evento. Quer dizer, eles não se preocupavam se um cara poderia manchar a reputação deles, mas se fosse uma mina era certeza disso acontecer. Fiquei tão chateada com isso que fui ao EPS com um tabardo preto que eu mesma cortei e costurei na véspera. Fui como mercenária. Isso tem três anos. Tem gente do grupo que não fala direito comigo até hoje”. (Kriger 10)

“No meu grupo tínhamos um sistema de graduação bem eficiente. Pelo menos era isso que eu pensava. O teste para sargento acontecia quatro vezes por ano. Eu fui reprovada em todas as quatro vezes. Na última vez eu fui até o sargento que estava conduzindo os testes e perguntei o que eu poderia fazer para melhorar e assim passar no teste. Ele estava distraído e por isso eu acho que ele respondeu com sinceridade: Você tem que nascer de novo, porra! Mas vê se dessa vez nasce como homem, porque enquanto eu for sargento e cuidar da graduação, você não passa. Fiquei arrasada e só não desisti de frequentar o treino por causa de alguns amigos maravilhosos que fiz por lá. Mas nunca mais tente fazer o teste de graduação de novo”.  (Kriger 7) 

“Um dos motivos de eu não ter ido para São Paulo com o pessoal foi justamente o assédio. Um colega veio conversar comigo via chat. A princípio ele queria tratar apenas de assuntos da viagem, sobre swordplay em geral, mas depois ele se mostrou diferente. Ele começou a falar dos meus seios, que por serem muito bonitos e chamativos, ele estava com muita vontade de pegar. No começo achei que se tratava de uma brincadeira sem graça. Eu avisei para ele parar de ser zueiro, mas ele continuou, insistentemente, dizendo que eu já estava avisada. Falou que ele ia pegar mesmo e que não adiantava eu ficar de “cu doce” pro lado dele”. (Kriger 4)

Ataques de onde menos se espera
Outra das coisas que ficou patente é a relação de cumplicidade e conivência que alguns swordplayers têm com os abusadores. Muitos dos abusos aqui relatados aconteceram sob a luz do dia, no campo de treino, com pessoas em volta. Existe um corporativismo muito grande dentro dos grupos de maioria masculina. Muitos deles acham que não tem nada de mais no que é feito e que tudo não passa de “cu doce” ou “mimimi” por parte das meninas. Um paradoxo dessa cultura machista é justamente o desejo que muitos grupos têm de terem mais mulheres jogando. Esse paradoxo leva a criação de uma figura interessante, batizada por uma das entrevistadas de “menino alegre”.

“Então, como eu só vou ao swordplay com o meu namorado, os meninos não chegam nem perto (risadas). Como o grupo que estou atualmente, que é o único que eu conheço, todos me respeitam. E Muito. Eu percebi que eles são bem carentes de meninas. Quando eles veem uma mulher que jogue, eles ficam bem animados. Eu acho engraçado isso, já que eu estudo psicologia. Os meninos querem as meninas jogando, mas eles as querem apenas como objetos de decoração. Por isso que eu acho que tem meninos que forçam a barra, sabe? Eles ficam rodeando as meninas cheios de boa vontade e disposição, mas tiram uma casquinha na primeira oportunidade. Eles não sabem, mas a gente percebe. Eles são os meninos alegres”. (Kriger 11)

“O meu antigo rei parecia um cara muito bacana... mas só parecia. Uma vez quando estávamos sozinhos, ele sussurrou no um ouvido: ‘se eu me separar da minha esposa, vou dar em cima de você e vou te mostrar o que é ser um homem de verdade’. Eu fiquei passada. (...) você acredita que em outra ocasião ele quis se meter na vida amorosa de dois colegas de treino? Eu achei o ó.” (Kriger 12)

“Num evento desligado do swordplay, um clã especifico foi mostrar e vender equipamentos num evento do Ibirapuera. E eu fui dar uma olhada, com a minha lança própria e tudo. Conversa vai, conversa vem, já me soltam essa ‘ah, mas a lança tá bem ruim né? Eu sei que é meio difícil pra menina fazer arma bonita, cê não quer que eu conserte ela pra você?’ Como se tivesse algum nexo, sabe? A minha lança foi feita pelo nosso armeiro, que é muito talentoso, com a minha ajuda. Fizemos juntos por que o EPS tava chegando e ele queria me incentivar a continuar treinando. E ela é completamente funcional, eu fiquei ofendida pra caramba. (...) Aí logo depois eu fui treinar com alguns lanceiros do mesmo clã. Tiramos uns x1 e conforme eu ia ganhando, cada vez mais incrédulos eles iam ficando. O cara chegou ‘até que pra uma menina você sabe usar lança, parece homem’. SEM BRINCADEIRA. E pelos esportes que eu fiz, eu já fui tão chamada de homem que eu não aguentei e revidei ‘Não pareço homem, eu só sou mulher que é melhor que muitos caras’. E ele ficou com aquela cara de ‘Ah, tanto faz’.” (Kriger 14)

“Uma vez fui num evento com vários grupos aqui em Brasília. Eu lutei com um cara e ele elogiou muito o meu jeito de lutar. Tiramos vários x1. Teve uma hora que começamos a andar em volta do evento. Esse garoto passou o braço pelo meu ombro e começou a conversar todo íntimo, me elogiando. Ele tava caminhando pra uma outra parte do bosque e eu na conversa não tava percebendo. Ai quando eu percebi ele tava praticamente na minha cara. O XXXXXXX que teve que me tirar de lá. Depois que ele me viu de novo ele falou ‘O cara era seu namorado? Pede desculpas pra ele pra mim’. Como se ele não devesse nada pra mim.” (Kriger 16)

“O principal problema comigo não foi o assédio dos ‘garotos felizes’ (gostei desse termo, vou usar!) foi mesmo ter minha moral e o respeito dos membros do grupo jogada na lama. Eu não sou uma mulher que gosta de ser tratada como donzela, muito menos ter minhas ideias menosprezadas, minha personalidade barraqueira começou a se destacar por brigar pelos meus pontos de vista, chegando até ser ignorada por um dos líderes e que até hoje não faz questão que eu frequente os treinos.” (Kriger 15)

“Minha formação de Swordplay começou no XXXXXXXX, em XXXXXXXX. Fiquei anos treinando com a galera, o que foi muito legal. Daí surgiu uma oportunidade de trabalho e me mudei para os EUA. Descobri um grupo que se reunia semanalmente perto de casa. Um grupo filiado ao Dagorhir. Quando eu fui lá fazer a minha inscrição perguntaram o que eu queria fazer: se era para ser dama de companhia, costureira, ajudante de ferreiro... eu disse que queria lutar e focaram espantados. Eles são muito machistas e fazem questão de ‘bater com força’ nas meninas. Mas não deixo por menos. J uma vez um dos caras quase trinca minhas costelas. Eu só sosseguei quando derrotei ele num torneio, ano passado.” (Kriger 20)

Tem muito mais disso aqui.
Eu tenho muito mais relatos. Mas resolvi deixa-los de fora porque o texto já está grande demais e acho que todo mundo já entendeu. Precisamos trabalhar por uma solução. Assim, essa solução passa necessariamente pela busca de uma melhor gestão do esporte e de suas relações dentro dos diversos grupos, que deve ser feita coletivamente. Isso exige que os problemas sejam enfrentados de forma sincera e organizada, por todos aqueles que estão submetidos a esta estrutura. A denúncia e punição dos assediadores é bastante importante, pois cessa a violência exercida pelo membro em questão, além de demonstrar cada vez mais à toda todos os swordplayers que as mulheres não estão submissas a essas violências e que o assédio não sairá impune.

Enfim, dado o fato do assédio ser sistêmico, constituindo-se como um problema de toda a classe dos jogadores de swordplay, o combate a ele tem de ser, também, coletivo. Todos sofrem com o assédio, seja como vítima, como testemunha, seja pelo medo de poder vir a ser o/a próximo/a assediado/a. Por isso é crucial a solidariedade e ação coletiva para acabar com esta prática, fortalecendo os jogadores contra esses assediadores.


Resumindo... Enfim, a luta é muito grande e há muito o que fazer, porém se a categoria de jogadores de swordplay estiver unida e lutar junto é possível acabar com esse mal, que cresce no nosso meio. Se você está sendo assediado, procure os líderes do seu grupo, ou alguém que você confie. A união é um importante instrumento na luta contra os casos de violência no esporte. 

domingo, 11 de setembro de 2016

Acidentes acontecem... ou não?

De acordo com o dicionário informal, acidentes são “qualquer acontecimento inesperado, desagradável ou infeliz que envolva dano, perda, sofrimento ou morte”. Segundo esta definição ao pé da letra, quando você está andando na rua e dá aquele tropeço numa pedra solta e deixa seu celular ir ao chão, trincando a tela, o que houve foi um infeliz acontecimento; quando você, sem querer, chuta a bola com muita força e ela estoura a janela daquela vizinha mal encarada também é um acidente; quando você troca o nome da sua ficante pelo nome da “ex”, também é um acidente (este aqui capaz de provocar até mortes).     

Mas eu tenho um amigo que é especialista em segurança do trabalho e ele diz que mais de 90% dos acidentes não evitáveis justamente porque eles são fruto da ação humana: negligência, imprudência e imperícia. Um pai de família resolve viajar com sua família, mesmo sabendo que o carro não passou por uma boa revisão. Daí os freios falham numa curva e todos morrem ribanceira abaixo. Óbvio que o pai não tinha intenção de matar sua família, mas foi isso que aconteceu porque ele negligenciou o cuidado com o seu veículo. Quando você está distraído e dá ré no carro sem olhar e atropela um pedestre é imprudência. Quando um médico libera um paciente com o diagnóstico de gases e depois o paciente descobre que estava com calculo renal, o médico falhou. Ele estudou durante aos e deveria saber a diferença sintomática e diagnóstica de cálculo renal e de gases.

E o que isso tem a ver com o swrodplay? Simples. Temos um esporte de contato em nossas mãos. Basta que se somem um conjunto de pequenas negligências, imprudências e imperícias para que os famosos “acidentes” aconteçam.

Tome por exemplo o que aconteceu num dos treinos de setembro de 2016 no reino dos cavaleiros da virtude. Durante o combate na linha, a lança do hoplita subiu atingindo o rosto da lanceira, abrindo o supercílio dela. Um terrível acidente, não?

Não. Quando o hoplita deixou a lança subir na direção do rosto da lanceira tivemos imperícia. A falta de manutenção da arma, causada pela negligência dos armeiros do reino, permitiu que o cano saltasse fora da cobertura de espuma e machucasse a lanceira. Mesmo antes, quando o hoplita aceitou lutar com uma lança que já estava insegura, ele assumiu o risco de machucar os colegas de treino. Sei que parece um pouco duro o que eu disse até porque toso os envolvidos são amigos queridos e tudo o que eu não queria era ver qualquer um deles feridos. Claro que ninguém faz isso com o propósito de machucar alguém. “Ah vou deixar o core da minha espada solta dentro da espuma para quando atingir o coleguinha machucar bastante, bawawawawaw!”. Mas precisamos redobrar nossas atenções e vigilância para que esse tipo de coisa fique relegado ao mínimo possível.


Então, é nosso deve deixar de sermos negligentes, imperitos e imprudentes. Era isso. Até mais ver.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Na forja da gatosa

Olá amigos,

Como vocês devem saber eu sou um cliente da forja “Gatosas de Prata” aqui em Brasília. Apesar de achar o nome meio estapafúrdio e de achar o lema deles impropagandeável (“quer ficar gato?”) é inegável a qualidade de seus produtos.

Encomendei com eles uma espada em outubro de 2015. Os resultados da encomenda podem ser lidos aqui: http://swordplaydobetao.blogspot.com.br/2015/10/quer-bem-feito-busque-um-profissional.html. Eis que, quase um ano depois, eu precisei de reparos na ponta da espada. Mandei uma mensagem para o Victor e ele foi categórico: “Passa aqui que a gente arruma sua espada. Sem custo algum.” Isso é que é garantia estendida.

Quando você pensa em um ferreiro de espadas logo surge na sua cabeça a imagem icônica de um sujeito forte, musculoso, suado e mal encarado. Algo como  Eorlund Gray-Mane (Skyrin) ou quem sabe, mais modernamente o Tony Swatton do canal man at arms do youtube.com. A última coisa que você espera encontrar é um magrelo de óculo de grau, com trancinha de padawan em treinamento de Star Wars, atendendo no quarto dele, direto da asa sul (bairro em Brasília).

Victor é um desses caras que vale à pena ter na sua agenda de profissionais. Com “P” maiúsculo. Ele está sempre buscando novas formas de fazer as espadas, novas formas de fazer a guarda, o pomo, a ponta. A maneira como ele monta as espadas é simples e ao mesmo tempo muito inteligente, criando um formato mais próximo das espadas de verdade. Anos-luz a frente de qualquer outro ferreiro aqui em Brasília e região. Aliás, ele não deixa nada a desejar, nem mesmo das famosas espadas americanas. O trabalho do cara é sensacional.

No tempo que fiquei por lá ele me mostrou alguns projetos novos e falou das novas técnicas de construção. Ele me disse também que não usava mais o modelo de construção de espadas que ele usou na minha espada longa. “Ah Betão, esse modelo de construção é obsoleto. O que usamos hoje deixa a lâmina mais reta, mais macia e com menos efeito chicote. E mesmo esse que usamos hoje vai mudar em breve. Já estamos testando espadas no novo modelo de forja”.

A espada do meu colega de treinos, Manassés, estava lá, em fase de finalização. É uma espada “de cosplay”, segundo as palavras do Victor. “Eu nem se ainda porque é que eu ainda pego essas coisas de cosplay/anime”, comentou ele. “Deveria cobrar mais caro por esse tipo de coisa. Olha o trabalho que dá!” disse ele, rindo muito.



É... eu sei que este post está soando como aquelas propagandas da Polishop, mas não é o caso... mesmo. Quando o trabalho é bem feito temos mais é divulgar, não só para mostrar a gratidão ao ferreiro como dar a ele mais trabalho. É isso. Nos vemos em breve, gente bacana.


domingo, 28 de agosto de 2016

Seja um swordplayer melhor em dez passos simples

Eu já li dezenas de textos na internet sobre como ser um bom líder. Muitos destes textos que li sobre liderança são voltados para o meio corporativo e comercial, mas são plenamente adaptáveis para a prática de swordplay. Esse é um assunto que me interessa. Mas sabe uma coisa que não tem muito? Textos sobre o outro lado. Sobre como ser um bom swordplayer.

Se você parar pra pensar, cada grupo tem um líder e número variável de colega de treino. A proporção de textos deveria ser o oposto, deveria ter muito mais dicas pros colega de treino. Por que será que as pessoas focam no líder?

Eu acho que isso acontece porque existe em alguns a mentalidade de que tudo é responsabilidade dos lideres, reis, lordes, ou seja lá como você os chame. Ele é quem tem que deixar o treino interessante, e os outros swordplayers só comparecem e participam absorvendo tudo. Esse é um pensamento ruim, que impede que todos em campo atinjam seu potencial.

Então acho que é hora da gente mudar isso. Hora de escrever mais sobre como ser um bom swordplayer. Então aqui vai minha contribuição: 10 dicas de como ser um sworpdplayer melhor.

1 – Faça coisas
Sua prioridade máxima como swordplayer é fazer coisas. Seu papel não é ficar passivo esperando o rei entregar diversão de bandeja pra você. Contribua.
Dê o seu melhor em campo. Faça perguntas. Nada de fazer corpo mole. Converse (na hora certa) com os outros. Tome a iniciativa.

2- A existência do seu grupo depende das coisas que você diz e faz no jogo.
A maneira como você se comporta no campo de batalha é mais importante do que a história do seu personagem (supondo, é claro, que exista um personagem ou um jogo de LARP). Se você age de forma desleixada e desleal é essa a mensagem que você vai passar para os seus colegas. Se você for um cara graduado e não levar o treino à sério é essa a mensagem que você vai passar a seus colegas: que você pode dar o mínimo de esforço e ainda assim chegar longe.

3- Não tente parar as coisas
Você está liderando a linha de frente quando um de seus colegas percebe movimentação no flanco esquerdo e pede permissão para sair e fechar aquele flanco. Daí o que você faz? Diz que não, que ele tem que manter a linha junto com você. Daí, daqui a pouco todo mundo morre. E o que aconteceu na prática? Nada. Talvez não mudasse nada se ele saísse da linha e fosse lá fechar o flanco. Talvez mudasse nada. E nunca saberemos. Se alguém tem uma ideia – mesmo que seja idiota – deixe que a pessoa a siga. É só assim que ele vai aprender.

4- Pare de culpar o resto do mundo – a culpa é sua.
Tenho um colega que é bem impulsivo. Se ele vê uma oportunidade de fazer alguma coisa, ele vai lá e faz, mesmo sem pensar muito a respeito. Aliás, pensar a respeito não faz muito a praia dele. Ele já passou muitos minutos sentado na grama, esperando a hora de entrar de volta no jogo apenas porque achou que poderia dar conta de furar a linha inimiga sozinho. Quando eu o confrontei sobre a sua imprudência, eis que ele me respondeu: filho, olha bem pra mim! Sou de áries com ascendente em marte, então já viu né?
Besteira.  Pare de por a culpa das suas atitudes nos outros, na sua arma, no seu signo. A culpa é sua. Não é a espada que é pesada e não é o coleguinha que deixou você sozinho na retaguarda, a culpa é sua. Assuma.

5- Não prejudique os outros colega de treino
Não espalhe mentiras e boatos. Não seja um leva e traz. Se alguém disser que alguém está falando de você pelas costas tente por tudo em pratos limpos. Dê nome aos bois. Não solte indiretas. Se alguém traz uma nova modalidade para o grupo não seja o estraga prazeres que vai dizer que aquilo é chato antes mesmo daquela modalidade começar. Aceite quando for atingido e saia do campo quando isso ocorrer. Seja honesto com você e com os outros.  

6- Conheça as regras do jogo. Não seja um chato em relação a isso.
Se você conhece o sistema de regras que está sendo usado é muito mais fácil para você e para o resto do mundo. Você conhece as limitações das suas ações. Você sabe julgar mais ou menos as suas chances de ter sucesso com uma ação. Você sabe analisar uma situação e agir de acordo, porque você entende as regras que regem o jogo.
Aprenda as regras do jogo, pelo amor de deus. O que acontece quando acertam sua a perna? Nada? Você fica parado? Não pode mais correr? Tem que “fingir” que está mancando? E quando você está carregando a bandeira no jogo de pega-bandeirinha e te acertam uma lançada no meio das costelas? Você sabe como agir? Sabe que regras seguir nestes casos? Ou precisa que alguém sempre te lembre?

7- Dê sua atenção total ao jogo. Se não puder fazer isso, não jogue.
Sabe qual é o melhor momento pra sacar seu celular e caçar pokemons, como se fosse um retardado? É quando você está na escola, durante o intervalo, e não quando está no campo de batalha com seus amigos. Se você está tão entediado com o que você está fazendo que você sente a necessidade de jogar outro jogo ou acessar o Facebook, peça desculpas e vá embora. Você está acabando com o moral do resto grupo. Eu prefiro um grupo pequeno e focado do que um grupo grande e disperso, com muita gente sentado debaixo da árvore mais próxima falando sobre “o último bafão da Anita”.   
Talvez o treino esteja entediante. Eu entendo, isso acontece. Mas aí eu volto pra dica 1 deste post. Faça alguma coisa. Não é responsabilidade do rei sozinho tornar o dia divertido. Aja e dê a ele material para divertir todo mundo. Quem sabe você possa usar uma arma diferente ou tentar um estilo de luta completamente novo.

8- Se você deixar alguém desconfortável, peça desculpas e não faça de novo
Essa é uma dica sobre a relação interpessoal entre os colega de treino, mas ainda assim é importante. Quando estamos nos divertindo com amigos, a gente acaba se empolgando. Uma conversa inocente pode se transformar num papo animado sobre alguma coisa que você não gostaria que sua mãe ouvisse você falar a respeito... Sei lá. Coisas escrotas acontecem. Mas quando nos reunimos com os amigos toda semana, existe a chance de algum dia a brincadeira ir para um tema que ofende alguém. Ou deixa alguém desconfortável. Talvez você tenha feito uma piada de mãe com alguém que perdeu a mãe recentemente. Ou falou sobre algo que é tabu para um outro colega de treino. Seja o que for, a outra pessoa pode ser sentir desconfortável. Seus amigos não estão se reunindo com você pra se sentir mal. Vocês estão juntos pra se divertirem. Se algo assim acontecer, não tente fingir que nada aconteceu. E não zoe a pessoa que ficou ofendida.
Se você achar que ofendeu alguém, pergunte a ela discretamente se ficou ofendida. Não precisa chamar a atenção do grupo todo pra isso. Se ela ficou, peça desculpas (sinceras!) e depois pare de falar daquela coisa.
Seja legal. Seja extra-legal. Ninguém vai pensar menos de você por causa disso.

9- Seja quem você quer ser
Eu costumo contar uma história a meus alunos sobre um colega de escola que virou neurocirurgião. Nas festas as pessoas costumam comentar, depois de saber da profissão do meu amigo, que também gostariam de ser neurocirurgiões. Daí ele comenta: “E por que não são? Sempre é tempo de fazer a faculdade de medicina. O que os impede?”. Claro, você não precisa ser bruto como ele, mas pergunta é válida: se você quer lutar melhor com espadas, o que impede você de conseguir isso: chame uns amigos e faça um treino extra em casa.

10- Aceite as falhas
Tem gente que odeia falhar. Eu sei que às vezes a expectativa pelo sucesso pode ser alta. Daí você vê a chance perfeita de fazer algo espetacular bem ali na sua frente, você se meche e... Merda acontece.
Durante a última rodada do EPS 2016 o pessoal ensaiou um charge, para desespero dos organizadores. Quando eu vi minha linha se desfazendo para correr gritando contra a outra linha eu não pensei duas vezes e corri também. Só que ninguém deu charge em ninguém. Paramos uns na frente dos outros e começamos a lutar. Eu matei dois caras ante de um lanceiro fazer a limpa com o meu lado da linha. Cara, eu fiquei muito feliz com o lanceiro. Ele me pegou de surpresa. Foi bacana para eu prender a olhar de lado de vez em quando. Mas eu também fiquei muito puto porque tinha morrido “cedo demais” na última rodada.

Não veja a falha como um fracasso pessoal. Veja a falha como uma chance de aumentar o seu aprendizado e diversão. Ah sim, depois da luta  lanceiro veio ver se eu estava bem. Muito maneiro da parte dele.

Enfim, Swordplay é um jogo. Ele não é a hora de bater “de com força” nos outros. Não é sua chance de explorar seus amigos. Não é o momento de bater papo sobre o final do campeonato brasileiro de LOL. Não é o momento de ficar quieto à sombra. É um jogo.

Você e seus amigos decidiram jogar juntos. Reservaram tempo para isso. Estão todos criando uma história juntos, para vocês mesmos. A a diversão que ela traz pro grupo vem em primeiro lugar.

Este é um jogo. Então jogue. Mas respeite os outros colegas de treinos. Respeite a história. Aceite que muitas vezes o jogo não vai acontecer do seu jeito, e que não ser do jeito pode ser muito interessante. Faça o que é melhor para o jogo, para todo o grupo. Seja ativo! Seja positivo! Seja interessante! Mude as coisas!

Se você não voltar pra casa depois da partida com boas lembranças da partida, todo o grupo falhou, não só os organizadores. Então colabore.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

E mais um torneio passou...

Primeiramente fora ***** (entenda como quiser!)


Neste último domingo, 21 de agosto de 2016, houve o primeiro torneio de inverno dos Cavaleiros de Nova Ibelin. Ele é o terceiro torneio do ano e faz parte da liga dos quatro torneios anuais que a Aliança de Beufort pretende lançar ao longo de 2016. Dessa vez o torneio tomou palco no Parque da Cidade, em Brasília, no estacionamento 11, por trás do Carreira Kart.

Mais uma vez tivemos um torneio de alto nível, com muitas modalidades, repescagens e até reviravoltas mais que interessantes. O público que não quis participar do torneio tinha um espaço aberto para fazer pequenas guerras de 10x10 e rolou até mesmo um “pega-bandeira” com quem tinha sido eliminado do troneio.

Uma das coisas mais legais que eu pude ver foi a forma como os diversos grupos, mesmo os de fora da Aliança, se misturavam. Não parecia haver distinção entre os grifos de prata, cavaleiros da virtude, membros do Alamut, ou mesmo dos nossos anfitriões.   Os juízes, muito atentos e sincronizados, deram conta de resolver todos os casos de choque com as regras de dúvidas de disputas.

Como prêmio, além das tradicionais espadas de PI fornecidas pelo competentíssimo pessoal do “Gatosas de Prata”, Cavaleiros de Nova Ibelin presentearam os vencedores cm colares artesanais representando a coragem e bravura de seus donos. Não vou negar que senti uma certa inveja dos vencedores, uma vez que cada uma daquelas peças era única. Quem sabe no ano que vem eu não me anime o bastante para trazer uma delas no meu pescoço.

Uma coisa interessante é que dessa vez todos os primeiros lugares ficaram com o clã dos filhos de Alamut (antiga Ordem dos Assassinos – DF, que sofreu uma bem-vinda repaginada). Qualquer dia eu vou lá no treino deles documentar o que fez eles os grandes vencedores do torneio de inverno!

Além do torneio tivemos a sagração de dois cavaleiros da Aliança. Cerimônia muito bonita, diga-se de passagem.


Bem, se você não deu as caras neste torneio saiba que perdeu uma boa dose de diversão. E se você veio, tenho certeza que vai querer estar conosco no terceiro torneio deste ano. Aguardem novidades!

Fotos: 

Os caras levaram todos os prêmios!

Confraternizando

Todo mundo sorrindo - Olha, o Chester caiu!

Dessa vez todo mundo sério!

A zueira estava lá!

Ganhamos de novo, né? 

Marconi recebe o prêmio da Brenda. 

O grande campeão

Torneio de Dual

Torneio de Espada e Escudo

Já que a gente morreu mesmo...






sábado, 13 de agosto de 2016

“Diz que me disse” dói mais que golpe dado em países baixos.

Olá gentes.

Eu tenho por habito dar espadas e outras peças de presente. Às vezes eu até mesmo fabrico uma peça especialmente para a pessoa que eu quero presentear. E por que eu faço isso? Bom, é uma forma de incentivo para que a pessoa continue treinando firme e forte, respeitando o código de conduta dos cavaleiros. É um fato: eu não dou minhas peças a quem não as merece. E quem eu sou para dizer quem merece ou não ganhar uma espada nova ou uma arma exótica, como um machado bárbaro de duas cabeças ou uma maça estrela? Eu sou o cara que forjou a peça. É toda autoridade que preciso.

Hoje um menino pediu que lhe desse uma dessas espadas. Respondi de forma mais ou menos rabugenta: Não. “Mas, por que?” insistiu o pedinte, ao qual respondi com imensa sinceridade: “Porque você não é digno”. E dei o assunto por encerrado. O tal jogador precisou sair mais cedo do treino e mais tarde, no mesmo dia, voltou acompanhado do seu pai.

“Você que é o Betão?”, perguntou o pai. “Sim”, respondi. “Queria que você explicasse para mim o que você falou do meu filho. Ele disse que você disse que ele não era digno de ganhar uma de suas espadas de presente e que para ser digno ele teria que nascer de novo”.

“Mas como é que é?” perguntei espantado e indignado. “Eu jamais diria algo assim a um colega de treino. Trato todos com respeito. Disse e reafirmo que o seu filho não é digno porque ele não age como um cavaleiro: ele é desatento, brinca nos momentos inapropriados e zomba quando derrota colegas de treino. Eu mesmo já o corrigi em várias oportunidades, esperando que ele melhorasse, não é verdade?” Eis que o menino assentiu com a cabeça.

“Você ouviu essas palavras da minha boca?” perguntei olhando fundo nos olhos do garoto, ao que ele respondeu que não. Nas palavras dele, alguém tinha dito aquilo a ele. Alguém tinha dito a ele que eu tinha dito que ele “só seria digno de ser um cavaleiro se nascesse de novo”. Daí eu perguntei: “E cadê esse cara que te disse isso?”, ao que o menino respondeu: “Não sei quem foi, mas não está mais aqui”.


O pai do menino pediu-me desculpas pelo mal entendido. Apertamos as mãos e cada um seguiu seu caminho: os dois de volta para casa e eu para o treino. E que lição valiosa eu aprendi disso tudo? Que fofoca, leva e trás e conversinhas paralelas só servem para enfraquecer o grupo. Quanto mal entendido apenas porque um menino deu ouvidos a uma fofoca? 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Código de um Cavaleiro

Estava eu na livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, véspera do EPS 2016, esperando alguns amigos que eu não via há dez anos ou mais quando esbarrei com este livro. Sua aparência de livro velho me conquistou imediatamente, mas foi a sua premissa que o fez voltar para o hotel comigo naquela noite. “Um cavaleiro, temendo não retornar da batalha, escreve uma carta para os filhos na tentativa de deixar um registro do que aprendeu durante a vida. Seu objetivo não é simples: dar a seus filhos uma bússola para uma jornada que terão que fazer sozinhos, um pequeno guia sobre o que dá sentido e beleza à vida”.

Partindo de uma história minimamente verossímil, o autor Ethan Hawke (que já foi indicado ao Oscar quatro vezes) tece uma história muito bacana. Através da carta do cavaleiro a seus filhos embarcamos numa série de reflexões sobre solidão, humildade, perdão, honestidade, coragem, graça, orgulho e paciência. Baseado nos ensinamentos das antigas filosofias oriental e ocidental e nos grandes escritos espirituais e políticos da história humana e até em alguns clichês, Hawke nos leva pelo livro com uma escrita leve e de fácil compreensão.

E por que eu estou falando sobre esse livro num blog que versa sobre swordplay? Porque este livro tem muito mais a ver com a prática do jogo como nós conhecemos do que muitos livros sobre esgrima medieval disponíveis na internet.

A grande vantagem que eu vejo no swordplay sobre outras atividades desportivas é justamente a confiança e a honestidade que cada jogador tem que possuir. Se eu estou lutando com alguém e ele diz que eu acertei sua cabeça eu não questiono: peço desculpas pelo golpe mal dado e me retiro do combate. Mas e se ele estiver mentindo Betão? Bom neste caso eu ainda saio ganhando. Por que? Quanto tempo eu vou ficar de fora? Uma rodada? É pouco tempo. Mas ele que sai vencendo como mentiroso terá de carregar esse peso por toda a sua vida. A minha derrota será vencedora e sua vitória será fracassada.

O livro nos ajuda a sermos swordplayers melhores. Ele nos ensina a sermos cavaleiros aprimorados. Em último caso, tenta nos ensinar a sermos seres humanos melhores.  


O livro custa em torno dos R$30,00. Eu pretendo distribuir trechos a meus colegas de clã. Afinal de contas eu os quero cada vez melhores. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Liderança sem vaidade

“Grandes líderes não usam as pessoas para que possam vencer. Eles lideram pessoas para que todos possam vencer juntos.” - John Maxwell.

Depois do EPS-2016 eu fiz muitas amizades e o meu chat do facebook tem me deixado bastante ocupado. É uma troca maravilhosa de informações, de conhecimento, de saberes. É maravilhoso poder falar com pessoas com o mesmo interesse meu, ignorando as barreiras geográficas.

Dia desses, estava conversando com um amigo que tinha acabado de formar um clã. Tinha aproximadamente cinco pessoas nele. Daí ele me pediu umas dicas de como fazer o clã crescer e eu disse que tinha escrito algo a respeito. Ele replicou que já tinha lido a respeito, mas que não ia procurar os ouros dois grupos da sua região, porque os líderes desses grupos eram muito vaidosos e metidos.

Tenho que admitir que esta é uma das coisas que mais me chamou atenção desde que eu comecei a praticar swordplay: a vaidade de alguns líderes.  A arrogância e prepotência de alguns swordplayers chega a me dar náuseas. E como venho percebendo através dos chats e bate-papos Esse sentimento é compartilhado pela grande parte das pessoas que estão ou já estiveram sob a liderança desses medíocres, com título de Lideres.

No mundo profissional algumas pessoas são líderes apenas por causa de seus cargos. Ou seja, a liderança dessas pessoas é empurrada goela abaixo. São chefes e não líderes. Posso garantir que isso causa muito sofrimento e desmotivação aos liderados. Trabalhei numa escola em que o coordenador via defeitos em tudo à sua volta, tornando o nosso trabalho virtualmente impossível de ser realizado a contento. No swordplay não é difícil que esse tipo de coisa aconteça. Conheço grupos em que o chefe usa de todas as armas escusas (intimidação, perseguição, punições arbitrárias, calúnia) para manter-se no topo.

Certa vez, num evento local aqui em Brasília tive a nítida sensação de estar diante de um pavão. Ele era tão pavão que suas “penas” chegavam a atrapalhar. Neste mesmo evento, o pavão me disse que a culpa pelos problemas que o seu clã vinha enfrentando era de seus membros. Eram “metidos, indisciplinados e arrogantes”. Perguntei então quem era o responsável pelos treinamentos e regras do clã. Ele com a maior cara de pau ele disse "eu". Ora, então este pavão treina mal e a culpa é dos outros. É muito fácil perceber esse tipo de chefe. Se as coisas saem bem - “EU FIZ”. Quando acontece alguma coisa errada - “ELES fizeram”. Caros guerreiros, liderança não é nada disso.


Para uma liderança de sucesso é preciso levar em consideração “as pessoas”. O capital pessoal é o maior patrimônio de um clã. Não sãos as espadas de fibra ou escudos de PI que fazem as coisas acontecerem. São as pessoas que o líder treinou e ajudou a chegar onde chegaram. Liderar envolve servir e não ser servido. Liderar é fazer as pessoas que estão à sua volta crescerem. Liderar é treinar e fazer novos líderes. Vitórias? Reconhecimento? Crescimento do grupo? Será uma consequência disso tudo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

EPS - 2016 - Como foi

Se tiver uma coisa que o filme Scott Pilgrim é que quanto mais expectativa você gera sobre um determinado assunto, mais chances você tem de ter essas expectativas frustradas. Por isso, como uma forma de me proteger desse tipo de frustração – e como forma de aproveitar ao máximo as coisas – eu procuro criar pouca ou nenhuma expectativa a respeito das coisas. Foi assim com os últimos filmes e seriados que eu assisti. Foi assim também com o EPS – Encontro Paulista de Swodplay, que aconteceu neste domingo, 30 de julho de 2016.

Antes de começar bem esse texto quero deixar claro outra coisa: eu fui à São Paulo para rever amigos que não via tem dez anos ou mais. Ir ao EPS era a desculpa perfeita para custear a passagem e a estadia no hotel. Por isso, minha agenda na sexta e no sábado foi super lotada – então desculpe a todo mundo que eu disse não sobre ir treinar na véspera do evento. Eu tinha, mesmo, outras coisas para fazer.

Tendo posto essas duas informações a priori fica mais fácil dizer o que eu achei do evento e si. Foi absolutamente fantástico. Eu saí do meu hotel e peguei um uber em frente ao shopping Ibirapuera e parti para o Parque Villa Lobos. Lá chegando eu estava me sentindo meio deslocado, carregando o meu escudo e o meu saco de espadas. Mas essa sensação durou até que eu vi dois membros do Draikaner chegando ao parque no mesmo momento que eu. Segui os dois até o ponto de encontro, onde encontrei com o Rodrigo Castillo – que eu tinha conhecido na sexta à noite na livraria moonshadows. De lá foi só alegria.

A primeira pessoa da organização a me cumprimentar foi a Toshie Yumito. Ela me recebeu com um caloroso abraço e depois me indicou o “caminho das pedras”. Dessa hora em diante eu só fui conhecendo pessoas legais como a Carla Fajardo (professora, como eu), o João Pedro Fajardo (Draikaner), e tanta gente que a minha cabeça: Eduardo Souza, Rasec, Victor Frazão, Ruan Bodnar (acho que era ele...), Glauco Ferrinho, Akuma, Luis Felipe, Rafael (capitão Jack), Guiro, Guilherme Hernandez (Falcões Super Sentai), Beatriz Helena (na linha, na linha!), Roberto Kyo (sou um grande fã desse cara), entre tantos outros...

Para você ter uma ideia do tamanho da coisa foram quase setecentas pessoas, com vinte e sete clãs representados e mais uns oitenta mercenários que estava sem clã. Cara, eu não sei quanto a você, mas reunir tanta gente num lugar só é uma loucura. Que outro lugar eu teria chance de conhecer grupos como o Fyrdraka (SP), o pessoal mais que simpático dos Reinos do Sul (Curitiba! foices gigantes – Dire Schytes!), Falkisgate (SP com Piracicaba, São Paulo, Mauá, Cândido Mota/Assis, Suzano, Sumaré, Americana; PR com Londrina, e em breve DF com Planaltina), Império do Swordplay, Clã Warlords (roxo e preto), Shadow Fênix (Mogi-SP), Cavaleiros de Tempus (D&D na veia!), Darastrix, Ordo Fili Umbras (que lutou do meu lado, que bacana!), Dragões do Império (RJ), Cavaleiros da Morte (escudos padronizados – UAU!), Magnus Legio,  Shadowfax... sem falar dos mercenários e de outros grupos que infelizmente não tive como cumprimentar adequadamente.

Outro ponto positivo foi o espírito reinante no lugar. Não havia traços de competição, de querer ser o melhor. Tinha um espírito de confraternização muito legal. “Opa, vamos um x1?” era o equivalente ao “bom dia, prazer em conhecer você!”. Deve ter rolado algumas tretas, com certeza, mas nenhuma delas foi realmente notável. A organização fez o melhor trabalho que eu já vi num evento desse porte. Parabéns mesmo.

Óbvio que nem tudo são flores. O parque é muito bonito, mas tem pouca infraestrutura para receber tanta gente (a fila dos banheiros estava de matar) e tinha pouca opção de lanche para quem não trouxe comida de casa.


O grande problema que o evento me trouxe foi para 2017. Eu sei que eu vou estar lá, tabardo e tudo mais. Mas vai ser complicado segurar a expectativa. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Swordplay nos jogos interclasse - como foi.

Tudo começou numa lodorrenta quarta-feira pela manhã quando tenho a coordenação geral, com todos os professores do turno, para tratar de assuntos da escola. Neste dia, além dos avisos de atestados médicos e mudanças de turma, os professores de educação física perguntaram se alguém tinha sugestões para os jogos interclasse 2016 no CEM02 do Gama. A modalidade de Damas foi retirada e no seu lugar entrou o cabo de guerra. Ficou acertado que os jogadores de xadrez teriam de passar por uma oficina preparatória a fim de poderem de habilitar para os jogos.

No final da reunião sugeri ao professor Cleriston Sales, da pasta de educação física, a modalidade de swordplay. Ele achou uma ótima ideia, mas ficou com um pé atrás: quem coordenaria essa atividade? Quando me prontifiquei para assumir esta atividade tanto a coordenação da escola como a direção me deram sinal verde para fazer do jeito que eu queria.

Comecei a falar com os alunos, turma por turma (dou aula para 14 turmas diferentes), sobre a modalidade e as regras. Mostrei uns vídeos e até convidei os interessados para vir treinar com o grupo que eu treino atualmente (os Cavaleiros da Virtude – Santa Maria – DF). Mas não era efetivo. Então levei o meu material de swordplay para  a escola e fiz demonstrações durante uma semana nos intervalos, sempre no gramado da frente da minha sala.

A resposta dos alunos foi tão boa que eu solicitei um espaço em turno contrário para treinar quaisquer atletas interessados. A escola cedeu de bom grado o espaço e todas as quintas-feiras, de 9:00 às 12:00 eu reunia os alunos próximo à sala da coordenação para um treino rápido.  
O tempo foi passando e logo chegou o fim das inscrições dos jogos. O professor Ton (Cleriston) me mostrou a lista de alunos inscritos para a modalidade de swordplay. Setenta e cinco. Sério. Eu quase pirei. Era muita gente interessada em bater espadinha.



Os jogos de swordplay foram divididos em três modalidades: pega-bandeira, jogos vorazes e xis-um. Na segunda-feira, pontualmente as 14:30 começou a modalidade de pega-bandeira. Foi uma tarde bem longa, de poeira, golpes e corrida na frente do cine-teatro da escola. Por fim a turma do 3º ano I sagrou-se vencedora e em segundo lugar  2º ano P.
Campeões!

Vice-Campeões!

No segundo dia, terça feira, começamos com Jogos Vorazes, às 14:00. Teve de tudo: gente escondida atrás das árvores, gente se fingindo de morto e até um cara que passou boa parte da partida escondido e só saiu no final. Essa estratégia pouco honesta – mas vá lá, são jogos vorazes, vale tudo para vencer – rendeu ao aluno Antônio Carlos, do 2º ano, a vitória.
Os "tributos" antes dos jogos

Primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente. 


Ainda na terça-feira fizemos a competição de xis-um. Mais de 26 alunos se prontificaram a participar. Foi uma disputa alucinante, em cima do palco, montado na frente da lanchonete da escola. A disputa foi acirradíssima, com direito a muitos gritos da plateia, mas no final o aluno Alan, do 2º ano que sagrou-se vencedor.
Os quatro melhores do Xis-Um

Foram dois dias de muitos gritos, risadas e diversão. Foi muito legal. E o melhor: nenhuma briga ou desentendimento com os alunos, que levaram golpes numa boa. No final muitos deles que não se conheciam, tornaram-se amigos.  E foi uma disputa divertida. Ano que vem tem mais.


Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...