terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Magia no Swordplay

Antes de começar aqui quero dizer algumas coisas. Você não é obrigado a gostar da ideia de adicionar de magia e swordplay no mesmo evento/treino. É uma coisa absolutamente opcional. Usa quem quer; quem não quer, não usa. Então, se você faz parte do grupo de pessoas que não curte a ideia de juntar essas duas coisas, simplesmente ignore esta postagem. Por favor, eu estou implorando para o seu bom senso: não preciso de ninguém aqui bancando o fanzóide com mentalidade de dez anos de idade tentando me dizer o que é ou o que deixa de ser swordplay ou como eu devo jogar ou deixar de jogar essa bagaça. Estamos entendidos? Ok.

Se você ficou até aqui deve ter ao menos uma mente mais aberta ou curiosidade o bastante para ver como é que lidamos com o assunto, certo? Beleza, não vou deixar você esperando.  
Como você deve saber existem algumas “classes” dentro do swordplay e dependem, normalmente, da arma que você usa. Então temos a infantaria leve (espadas, maças, machados, dual, broquéis...), os escudeiros (combinação espada e escudo), os lanceiros (Lança? Dã...), os arqueiros (arco e flecha e bestas) e os “Odd Jobs” (armas exóticas como o chicote de cravos, a kusarigama...). Aqui colocamos uma nova classe combatente: o usuário de magia, ou simplesmente Arcano.

Sob muitos aspectos o Arcano se parece muito com o Arqueiro. Ele “dispara” suas magias nos outros, mas sem o auxílio de uma arma específica. As suas magias são representadas por fitas e bolinhas de meia coloridas. Assim como os arqueiros, os arcanos podem ficar “sem munição”.
Mas os arcanos não disparam flechas ou setas. Eles disparam magias, ou como eu gosto de pensar, eles disparam “saquinhos de efeitos especiais”. Pense no Arcano como um jogador coringa que pode alterar as mecânicas do campo de batalha, dentro de um sistema de regras bem determinado. Ele pode ressuscitar colegas, recuperar pontos de vida ou membros perdidos (no caso de partidas que exijam o modo carniceiro), aumentar o dano das armas normais, deixar alguém mais “difícil” de matar... coisas desse tipo.

A presença de um arcano em campo modifica e muito a dinâmica do swordplay comum, adicionando novas formas de estratégia, combate ou mesmo formações.

Para representar a magia os arcanos usam cores. São chamadas de as cores da magia. Sendo assim qualquer pessoa familiarizada com as regras pode identificar imediatamente o que o arcano fez ou o que está fazendo apenas a cor do material que ele está manipulando.

Vermelho – dano direto. Funciona como um boffer. Onde atinge causa dano como uma espada. É o ataque básico do arcano. Cada arcano pode ter no máximo seis bolinhas de meia, cobertos com tecido vermelho. As regras de boffer se aplicam integralmente: as bolinhas podem ser “rebatidas” com uma arma, bloqueadas com um escudo e se pegam nas famosas “zonas proibidas” causam prejuízo para quem lançou.

Azul – encantamento. Muda o funcionamento de armas e armaduras. Modifica a mecânica de um item. É representado por um lenço longo (pelo menos 30cm) de cor azul que deve ser amarrado na peça. Uma espada encantada deve ter esse lenço amarrado nela pelo Arcano (ninguém mais pode fazer isso e só pode feito em combate).

Amarelo – cura e ressurreição. Recupera pontos de vida ou mesmo traz de volta ao combate pessoas que já foram derrotados. É representado por uma pulseira de elástico da cor amarela. Uma pessoa só pode receber os efeitos da magia de cura uma única vez.

Exemplos de magia:

Raio de fogo – Bolinha de tecido arremessável, macia. Pode ser barrada por escudos e defletida por armas (pode ser rebatida). Causa dano de acordo com o lugar que atinge. Máximo de 6 por Arcano.

Cura – Fita elástica da cor amarela.  Quem for curado por ela tem que usar a fita até o fim do combate. Máximo de 4 fitas.

Arma mágica – Lenço comprido azul amarrado na arma. A arma fica encantada e mata com apenas um golpe certeiro, seja no braço ou na perna. O encantamento dura até o fim do combate. Máximo de 2 lenços.

Vida extra – Lenço comprido azul amarrado na cabeça. A pessoa ganha um ponto de vida extra, até o máximo de 3 pontos de vida.

OBS: O usuário de magia não pode:
Usar armadura;
Usar escudo;
A arma do usuário de magia tem que ter no máximo 70cm de comprimento total e não pode ser dual.


sábado, 23 de janeiro de 2016

Você copiou/roubou as minhas cores!

“só pra avisar, eu ainda tenho algumas batas pra repassar, aproveitando que copiaram minhas cores, passando em brasilia tento vender”. Foi com essa frase, copiada ipsi literis da uma postagem no facebook, que começou uma das tretas mais “vergonha alheia” que eu já v no swordplay. No começo pensei que se tratava apenas de uma brincadeira, mas depois percebi que pelo menos uma das pessoas envolvidas acha (ou acredita realmente) que foi ele que inventou o tabardo de duas cores. No caso específico as cores preta e amarela, ou seja, as cores que usamos em nosso pequeno reino. Sério... é isso mesmo, produção?

Vamos por alguns argumentos à mesa, shall we?

Tabardo (substantivo masculino, relativo à vestimenta). 1. Nos séculos XIII e XIV, espécie de capote com capuz abotoado e mangas. 2. No século XV, casaco folgado, com grande capuz e mangas, que os homens usavam sobre uma espécie de colete e as mulheres, sobre um corpete. John Stow escreveu em 1598, para o dicionário Oxford, "Agora, essas Tabardos são usados apenas pelo Heraults, e são chamados de ‘Coates de Armes’ em serviço." ("Now these Tabardes are onely worne by the Heraults, and bee called their coates of Armes in service").

As cores e os arranjos de cores como conhecemos hoje vêm também do século XV e identificavam as “casas” ou a ordem que cada portador da peça pertencia. Thomas Hawley, oficial de armas do Colégio de Armas de Londres, em 1557, durante o reinado de Henrique VII, ficou imortalizado em pintura usando um tabardo azul e vermelho com imagens em dourado.  Algumas das bandeiras mais antigas da Irlanda e da Bretanha (por volta de 1600-1700) usavam as combinações de vermelho e preto, e amarelo e preto. Os chefes de Tir Eogan usaram as amarelo e preto por muito tempo em suas bandeiras. Maryland (EUA) usa na sua bandeira a combinação amarelo e preto, além de uma cruz vermelha vazada num fundo branco.

Tendo explanado isso fica claro que ninguém pode se dizer “dono” ou criador de combinação de cores para um Tabardo, bandeira, emblema ou lenço de assoar nariz a não ser que seja capaz de provar que tem pelo menos 415 anos de idade e seja nascido onde hoje temos a Irlanda ou o norte da Inglaterra. Se não for esse o seu caso, por favor, deixe de passar vergonha alheia.

No mundo do swordplay, onde vivemos de beber de fontes históricas, se dizer dono ou criador de alguma coisa é o primeiro passo para você se tornar o rei de todos os bacabas e bundões do mundo – e olha que não são poucos: nem os bundões, nem os babacas e nem os que querem o posto de rei. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Torneio à vista!


Nosso primeiro torneio galera! O I Torneio de Verão dos Cavaleiros da Virtude. Nas próximas postagens eu vou colocar mais detalhes, como regras, premiação e modalidade!
Fiquem no aguardo!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Os cinco pilares do swordplay

Aviso: Ok, eu não quero e nem vou bancar o dono da verdade aqui. Essa postagem é puramente opinativa. É a minha opinião sobre o assunto e mais nada. Se você gostar, ok. Se não gostar, bem, existem outros lugares onde você pode ir.

Uma das coisas que eu mais gosto quando o assunto são artes marcais é a filosofia envolvida. Se você já praticou alguma arte marcial num dojo sério sabe do que é que eu estou falando. São muito mais que lições de vida, como as que vemos em filmes como Kung Fu Panda ou Samurai X. Em alguns casos envolvem maneiras diferentes de encarar a vida, buscando um estilo de vida mais, como dizer, “elevado”...

Vai ver é por isso que não me agradam de verdade as Artes Marciais Mistas (MMA) que temos inundando os meios de comunicação atualmente, justamente porque não existe uma filosofia envolvida. A “filosofia do MMA” (se é que podemos chamar assim) resume-se a ganhar do outro, não importa o que aconteça. Eu realmente não gosto disso. Vai contra tudo o que eu aprendi sobre esporte, onde o importante é competir e não vencer.

Então, com base no que eu sei sobre filosofia, cavalaria, bushidô e história do pensamento eu elenquei cinco pilares que eu mesmo considero indispensáveis para a boa prática do swordplay. São eles:

Honra
Respeito
Controle
Disciplina
Coragem

A Honra é um pilar de comportamento do ser humano que age baseado em valores bondosos, como a honestidade, dignidade, valentia e outras características que são consideradas socialmente virtuosas. É também o princípio que leva alguém a ter uma conduta digna e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade. Eu derivei este conceito de uma das virtudes do bushido, o Meiyo. O verdadeiro guerreiro só tem um juiz de sua honra, e este juiz é ele mesmo. As escolhas que você faz e como você trabalha para obtê-las são um reflexo de quem você realmente é. Você não pode se esconder de si mesmo. Dizemos muitas vezes o que os outros querem que digamos, vemos o que os outros querem que vejamos. Ouvimos o que os outros querem que ouçamos. O valor da nossa dignidade pessoal está implícito na palavra honra.

No swordplay esse pilar implica-se basicamente em duas oportunidades: a honestidade e o cuidado. Honestidade para admitir que recebeu aquele golpe e não tornar-se um highlander e cuidado para agir de modo a não machucar os outros. Afinal, treinamos boffer swordPLAY e não boffer swordFIGHT.

O Respeito é oriundo do latim “respectus” que é um sentimento positivo e significa ação ou efeito de respeitar, apreço, consideração, deferência. Na sua origem em latim, a palavra respeito significava “olhar outra vez”. Assim, algo que merece um segundo olhar é algo digno de respeito.  Por esse motivo, respeito também pode ser uma forma de veneração, de prestar culto ou fazer uma homenagem a alguém, como indica a expressão "apresentar os seus respeitos". Ter respeito por alguém também pode implicar um comportamento de submissão e temor.
Ele também tem inspiração noutra virtude do bushido, o Rei. O verdadeiro guerreiro não tem nenhuma razão para ser cruel. Não há necessidade de provar a sua força. Um verdadeiro guerreiro é cortês até mesmo para com os seus inimigos. Se não fosse assim, ele não seria melhor do que qualquer animal. Um lutador de verdade é respeitado não só por sua coragem, mas também pela forma como eles tratam os outros. O respeito impede que uma pessoa tenha atitudes reprováveis em relação à outra.

No swordplay o respeito se estende à todos: do rei ao mais novo recruta. Um bom guerreiro trata com respeito a todos, agindo com a parcimônia necessária em todos os casos.

Controle também vem do latim. São duas palavras: “contra” e “rotulus”, que indicam ato ou efeito de controlar-se. Neste caso também gosto de usar o termo autocontrole. Nas artes marciais este pilar indica a nossa capacidade de dominar um determinado aspecto da técnica, ou a técnica em si. Ter controle, entretanto, vai muito mais do que dominar uma técnica ou estilo de luta. Ele está diretamente ligado a controlar também a nós mesmos. Evitar nos exceder ou que sejamos displicentes naquilo que fazemos. A medida do autocontrole também é a medida do autoconhecimento.

No swordplay ter controle é saber o que fazer e como fazer. É não usar força excessiva, é manter a calma quando atingido por algum golpe mais sofrido. É ser “cool”.

Disciplina do latim “discipulus”: “aquele que aprende”, e do verbo “discere”, que significa aprender. Para o filósofo pragmático americano Jim Rohn a disciplina é a ponte entre metas e realizações. Este talvez seja o pilar, o hábito, a virtude que buscamos com quem convivemos, tanto a nível profissional, como pessoal. Percebemos grande dificuldade das pessoas em seguir algum propósito, isto tem haver com disciplina ou falta dela. Sem disciplina, o indivíduo pode ser submetido a metas, objetivos, cobranças... pode até ser treinado e de nada adiantará. Do esporte vêm os casos mais escancarados onde a falta da disciplina implica diretamente no desempenho indesejável, tanto pessoal, como profissional.

A disciplina, assim como o controle, também tem uma face voltada diretamente ao ser humano. Assim, a autodisciplina pode ser considerada um tipo de treinamento específico, criando-se novos hábitos de pensamento, ação e linguagem para o auto-aperfeiçoamento e para ajudar a obter suas metas. A autodisciplina pode também ser alcançada através de pequenas tarefas específicas. Encare a autodisciplina como um esforço positivo e não como negativo (de deixar para lá).

No swordplay a disciplina está em se conhecer as regras e saber aplica-las; a dedicar-se ao que tem que ser feito sem deixar para “depois”. Em se conhecer e se aprimorar a cada treino.

Coragem vem do latim “coraticum” e é a capacidade  de agir apesar do medo, do temor e da intimidação. Deve-se notar que coragem não significa a ausência do medo, e sim a ação apesar deste. Muitas vezes é tida também como virtude, como é o caso do bushido, onde ela se encerra em Yuu: um samurai deve ter coragem. Viver é arriscado e perigoso e esconder-se como uma tartaruga que se esconde em sua concha não é a maneira mais adequada de viver. Devemos aprender a viver a vida ao máximo, intensamente. Substitua o medo pelo respeito e cautela. A coragem não é cega, ela é inteligente e forte. O guerreiro bravo motiva-se a ir mais além. Enfrenta os desafios com confiança e não se preocupa com o pior. O medo pode ser constante, mas o impulso o leva adiante. Coragem é a confiança que o homem tem em momentos de temor ou situações difíceis, é o que o faz viver lutando e enfrentando os problemas e as barreiras que colocam medo, é a força positiva para combater momentos tenebrosos da vida.

No swordplay implica em “ir para cima”, “cair dentro”, não importa quem é o outro cara. Sim, você vai ser respeitoso ao lutar com o melhor dos lanceiros, mas isso não vai impedir você de dar os eu melhor.

No fim das contas, você tem que coragem para enfrentar o seu oponente em batalha; tem que ter disciplina e controle para enfrenta-lo de forma digna; e agir com respeito e honra, seja qual for o resultado da luta.


É isso. Obrigado para quem leu tudo isso. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Quem é o dono da técnica?

Técnica. Do grego “téchne”, significava arte, ou ofício. É o procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm, como objetivo, obter um determinado resultado, seja no campo da ciência, da tecnologia, das artes ou em outra atividade qualquer. Trocando em miúdos, técnica é tipo uma “receita de bolo” que você segue para conseguir alguma coisa, algum resultado. Óbvio que a definição do termo “técnica” vai bem além disso, mas para o que eu quero discutir aqui essa ideia central serve muito bem.

Todo mundo que pratica swordplay já tentou, pelo menos uma vez, fazer a sua própria espada. Não só no Brasil, como em todo mundo as pessoas desenvolvem “receitas” de como fazer suas armas favoritas, dando mais cor e forma ao desporto: machados de duas cabeças, réplicas de armas vistas em filmes e animes, armas orientais, onde o limite é apenas o que a pessoa é capaz de construir. Tutoriais existem aos montes pela internet e não me deixam mentir. Alguns deles tão antigos quanto a atividade desportiva em si. Variações dentro dos modelos, formas, objetivos e necessidades que se aplicam a cada grupo ou clã. É muito comum, inclusive, que se dê nome às técnicas mais famosas. É normal ouvir coisas como “esta espada foi feita pelo método bellator” ou “esse machado foi feito baseado no estilo da magnus legio”. E não existe nada de errado nisso.

Mas será que existe alguém que possa dizer-se “dono/dona” de uma determinada técnica? Será que num mundo com 7 bilhões de pessoas, você é único “floquinho de neve” que desenvolveu aquele modo de fazer adagas, ou aquele jeito de fortificar as bases de um machado? Desculpe filho/filha, mas a resposta é não.

Existem XXXX itens a serem observados. O primeiro deles é que existe nos seres humanos uma coisa chamada “evolução paralela”: pessoas submetidas a problemas semelhantes e com recursos semelhantes tendem a descobrir respostas parecidas para seus problemas. Você é capaz de dizer qual o país ou cultura do mundo desenvolveu a lança? Ou espada?  A clava? Você não pode porque são criações que existem em todas as culturas do mundo. Desde os Ianômanis do norte do Brasil, passando pelos Otomanos do século XV, até os gregos de VII aC.

A segunda coisa a ser observada é que muito do que é criado no swordplay vem da interação com os outros. É muito difícil fazer swordplay sozinho. Não dá para dizer onde começou a sua ideia e onde terminou a dica do outro. Quem pensou me usar macarrão de piscina pela primeira vez? Quem decidiu fazer guarda de EVA siliconado? Quem decidiu experimentar a fibra de vidro ou o famoso (e mítico) PI pela primeira vez? Ninguém sabe, mas provavelmente não foi qualquer um capaz de ler essas palavras.

Então o meu conselho é: vamos parar de ser cuzões e deixar de reivindicar para nós mesmos a “invenção da roda”. Se você criou algo bem legal mesmo para o desporto o legal é compartilhar com os outros. Manter a fórmula secreta só para você faz de você um babaca. E de babacas, convenhamos, o mundo está cheio.

É isso  gentes. Bom fim de ano para todos e longa vida ao swordplay.

Serviço:


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Quando o dever chama

Minha mãe tinha uma frase que durante muitos anos eu repeti sem entender muito bem. A frase é: “primeiro a obrigação, depois a devoção”. Significa que primeiro temos que fazer aquilo que é realmente importante para a nossa vida e depois partir para outras coisas menos importantes. Eu só tive mesmo consciência real dessa frase quando passei a morar sozinho e entender que por mais que eu goste de gastar dinheiro com certas coisas, algumas despesas precisam ser pagas primeiro, como a conta de água, por exemplo.

No fim de semana passado tivemos o segundo episódio da guerra entre os assassinos e os cavaleiros da virtude. Uma interação bacana entre dois dos melhores clãs de swordplay do DF. Um momento de disputa, embate e ao mesmo tempo de formar novas amizades e trocar ricas experiências. É como eu costumo dizer aos amigos Rômulo e Lucas de Lima: fui ara a guerra e acabei fazendo bons amigos. Foi um deslocamento hercúleo de forças dos dois lados: reunir gente que saiu de Santa Maria para o parque da cidade não foi fácil. Uma festa sem precedentes na história do swordplay do DF... e eu não fui.

“Porra Betão, como é que você não foi?” pode perguntar alguém. É simples: eu tinha outros compromissos agendados. “Mas o que pode ser mais importante que uma guerra?” pode inquirir outro. A resposta não pode ser mais simples do que essa: sair com a minha esposa. Enquanto meus amigos trocavam golpes com armas feitas de cano e espuma, cobertas por silver tape, eu estava passeando no shopping com a minha esposa.

Você deve estar pensando que eu me arrependi de ter saído com a patroa, não é? Ledo engano esse... eu adoro sair com a minha esposa. Como não gostar de sair com a pessoa mais importante da minha vida, minha companheira, amante e confidente? Temos uma relação bem bacana e sabemos que de vez em quando temos que separar um tempo só para nós dois. Sair para almoçar fora, fazer compras, ir no cinema sem hora para voltar... esse tipo de coisa que apenas um casal pode fazer como a gente faz. Eu troco o swordplay qualquer dia da semana por estar perto da minha amada. Swordplay é hobby, é algo que eu faço por prazer, nas horas vagas.

Aprendi a duras penas que na vida adulta tem coisas que a gente faz por obrigação e outras que a gente faz por prazer. E quando eu consigo unir os dois, é com isso que eu vou ficar.

Longa vida ao swordplay. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Equipamento de qualidade faz toda a diferença

Eu me lembro de que quando comecei a editar textos, trabalhava num Works 5.0 que rodava em DOS (não é MS-DOS, é apenas DOS) que veio de “brinde” quando comprei o meu primeiro PC com Windows 3.1. E eu odiava. Fazia o possível para usar o Write, mesmo que ele não tivesse corretor de texto e nem pudesse fazer alinhamento justificado de texto. Só depois consegui uma cópia do Word for Windows 2.0 (sim, dois ponto zero).

Na época eu prestava serviços de digitação para a Pró-reitoria de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Ceará e a diretora na época exigia que eu usasse o Works. Não adiantava nem dizer que ele era um editor ruim. Ela queria no Works. Numa de nossas discussões eu a apresentei ao Word 2.0 e disse que o trabalho fluiria melhor com a ferramenta certa.

“Ah, isso não existe. O texto tem que sair bom com o editor que for. Se eu te der uma caneta de ouro você faz um best seller?” Era bem equivocada essa posição. E sabe por que? Porque a ferramenta de trabalho faz sim diferença no produto final. Pegue um super cozinheiro e dê a ele ingredientes de terceira, ou pegue um super piloto e dê a ele um carro de motor mais fraco. Não precisa ser gênio para perscrutar o resultado.

O swordplay também não foge a essa regra. Quanto melhor o equipamento, melhores suas chances. Afinal se você pode ter acesso a uma espada bonita, leve, resistente e bem acabada por que você optaria um uma espada feia, pesada, frágil ou mal acabada?  E para conseguir equipamento de qualidade você tem duas opções: virar um ferreiro bom demais da conta ou comprar uma peça de algum cara consagrado.

Faz algum tempo eu cometei aqui com vocês que tinha encomendado uma espada longa com eles e dessa vez me arrisquei a pedir alguma coisa mais “complicada”. Uma espada bolongnese. Estou encantado com este estilo de esgrima e precisava de uma espada do estilo, também chamado de escola Dardi,  para usar nos meus treinos em casa.
Então, encomendei a espada mais uma vez ao Victor. Ele é um dos membros da Aliança Beufort, a mais bem sucedida associação para a prática do swordplay aqui no DF e cavaleiro dos grifos de prata - um dos grupos mais honrados.  E agora, pela minha própria experiência pessoal, posso coroá-lo como o melhor ferreiro de todo DF. Não amigo, não tem para mais ninguém.

Mas não precisa acreditar somente na minha palavra (seria sábio da sua parte, mas não posso esperar isso de todos) e por isso estou colocando uma ilustração.
Mais uma vez: se precisarem de um ferreiro, chamem o Victor. Melhor no DF não há.

SERVIÇO:
Página das Gatosas. https://www.facebook.com/gatosas

Victor Lima. https://www.facebook.com/victor.lima.547?fref=ts

domingo, 6 de dezembro de 2015

Os vídeos de treinamento da internet funcionam?

Desde que eu comecei com esse negócio de swordplay eu tenho me embrenhado pelo universo do treinamento online. Você sabe e até mesmo já deve ter visto por aí: pessoas ensinando você a usar, em pleno século XXI, armas do século XV.

Como sou naturalmente curioso, tenho visto muitos vídeos com posturas, posições, técnicas e escolas de combate com armas. As fontes são as mais variadas: desde renomados professores de história, com suas reencenações históricas precisas, passando pelos especialistas do HEMA (Historical European Martial Arts/ Artes Marciais Históricas Européias), com suas reinterpretações dos antigos manuais de luta medievais, atravessando os entusiastas de Percy Jackson, até pessoas que “desmontam” as coreografias dos filmes e animes para criar seus próprios estilos de luta. Se você é capaz de pensar em empunhar uma espada, pode ter certeza que em algum lugar da rede você vai encontrar um vídeo que ensine você a usar aquela arma.

Mas qual é a efetividade desses vídeos? Eles funcionam mesmo? Você pode aprender a lutar melhor com eles? Eu procurei alguns colegas para tentar responder essas questões. O primeiro deles é o professor Marcos, titular da pasta de Educação Física da SEDF, e faixa preta de Kung Fu no estilo Louva-a-deus. Expliquei rapidamente as regras do swordplay para ele e mostrei como se luta: onde podem pegar os golpes, onde não pode, o que pode fazer e o que não pode, enfim, o básico. Depois mostrei a ele dois vídeos de treinamento com a espada longa, no tradicional estilo alemão: um de posturas e outro de sparing.

A primeira coisa que ele esclareceu é que eu deveria ter em mente as diferenças entre brandir uma arma de cano coberta com espuma para uma arma de metal. As armas de metal serão sempre mais rápidas, leves e precisas, uma vez que não estão realmente preocupadas com a segurança do oponente. Elas são, quase sempre, balanceadas e feitas para o que se propõe: acertar o outro causando o maior dano possível.

A segunda coisa é que nenhuma das posturas de ataque que eu mostrei está preocupada em deixar de acertar a cabeça, os genitais ou o pescoço. Na verdade, acertar essas áreas é uma necessidade num combate “de verdade”. Boa parte dos ataques mira justamente nesta área. Um exemplo disso é o kendo/kenjutsu. Um praticante que migre dessa modalidade para o swordplay terá muitas dificuldades em usar o que já sabe de um combate real num combate “amistoso”, já que o primeiro golpe que se treina é o “men” (golpe na cabeça).

Um terceiro item que ele reforçou é que as posturas (katas, como ele se referiu) da esgrima alemã partem do princípio que se você bobear e deixar a guarda aberta vai morrer ou ficar seriamente ferido. É tudo muito cauteloso, mesmo àquelas manobras que parecem um ataque descontrolado. No swordplay essa limitação inexiste porque o pior que pode acontecer é você levar um ou dois golpes no peito e ficar de fora da partida por um round ou dois. Então as pessoas são menos cautelosas com armas de verdade, mas não com armas de espuma. Eu mostrei um vídeo de sparing dos cavaleiros da virtude e depois comparamos com um vídeo de sparing do estilo alemão. A constatação foi automática: todo cara de swordplay vai para cima de verdade.

O segundo especialista que eu contatei foi um amigo que treina HEMA e swordplay nos estados unidos, Sean Aspie. Ele mesmo tem ou tinha alguns vídeos de tutorial de como usar a espada. Nosso papo foi rápido, mas ele foi categórico em afirmar que pouca coisa que você vê nos treinos de HEMA ou de reencenação histórica podem ser usadas no swordplay. Você aproveita as posturas básicas, as posições de guarda, como segurar a arma, aprende a medir distância e dar alguns golpes, mas é só. É como tentar pegar o que você aprendeu jogando futebol de salão a vida inteira e transportar para o futebol de campo: algumas coisas vão funcionar, mas outras... (ok, ele usou outra analogia, mas creio que essa ficou bem melhor).


E o veredicto final? Os vídeos funcionam de certa forma. Se você pegar vídeos de swordplay mesmo vai ver uma coisa mais limpa, mais ajustada para aquilo que você pratica. Se não, vai ter de filtrar/ajustar/ignorar um monte de coisas. No final das contas é você que vai ter de julgar se aquele material serve ou não para você. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Arena circular

Olá gentes,

Hoje quero falar com vocês de uma atividade que tivemos meio que por acaso no treino passado. Foi muito legal e achei que foi bem divertida. O nome é arena circular.

A arena circular consiste em que todos os participantes façam um círculo bem largo. Então entram dois contentores e duelam. Cada um tem dois pontos de vida e se aplicam as regras pertinentes a cada grupo. O perdedor volta para o círculo e um novo desafiante entra. Assim vai revezando até que todos que tenham interesse entrem no circulo e testem suas habilidades.

A meu ver a grande vantagem que esta atividade fornece é que você pode lutar um a um com qualquer pessoa do seu grupo ou clã. Você pode fazer aquele x1 que você sempre quis com aquele colega, mas nunca teve tempo. Você pode evoluir suas habilidades contra alguém bem mais treinado que você e pode ser que se veja derrotado por alguém que nunca fez isso antes. Além de estreitar os laços de camaradagem é uma boa atividade para que os mais graduados do clã possam ver o desenvolvimento individual do grupo.

Até a próxima!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Quando o inimigo está do seu lado

Quando o caldo azeda.


O mal estar entre colegas do mesmo grupo é mais comum do que se imagina. Grupos musicais famosos como os Rolling Stones não entram em turnê se não forem com uma espécie de psicóloga/juíza de paz que vai fazer a mediação entre os membros. Tenho colegas que trabalham lado a lado, fazem anos, na mesma repartição pública e não trocam sequer um bom dia. E é claro, essa situação pode afetar – e muito – grupos de swordplay.

Bem, pode ter começado como um mal entendido, uma troca de impropérios num momento em que o sangue estava quente, um golpe mais forte que acabou deixando certo rancor, uma série de pequenos desentendimentos que foram se acumulando, ou qualquer outro motivo, mas fato é que você não suporta mais aquele seu colega de treino. Você não vai deixar de treinar e é muito provável que seu colega também não deixe. Como suportar e treinar junto com aquela pessoa que você não quer ver nem "pintado de ouro”?

A boa notícia é que se você está passando por esse problema e consegue ler este texto, provavelmente você já tem todas as ferramentas necessárias para resolver ou amenizar a situação.

A primeira coisa que você tem que entender é que não existe nenhuma lei cósmica que obrigue você a gostar de todo mundo. O reverso é verdadeiro: ninguém é obrigado a gostar de você. Mas como vivemos numa sociedade regida por um código de conduta moral, as coisas vão bem além dessa questão. Não preciso gostar de você, mas tenho que te respeitar. Ser respeitoso não é ser falso (ou falsiane, como dita agora a moda dos memes nas redes sociais). Ser respeitoso é agir de forma socialmente aceita para evitar conflitos desnecessários. É mais ou menos a mesma coisa de você dar bom dia para a tia que você não gosta ou para o professor que você não suporta: você não está sendo falso; está apenas cumprindo um ritual social, sendo ou demonstrando ser educado.   

Então a primeira dica é essa: cumpra estritamente os rituais sociais. Dê bom dia, boa tarde e boa noite, e se for o caso pode até apertar as mãos, mas não passa disso. Você não precisa nem sorrir, embora não seja de bom tom ficar com cara de quem foi reprovado no exame de fezes. Se não for uma obrigação, não precisa nem mesmo dar bom dia. Com o tempo vocês dois vão entrar em sincronia e meio que vão “se evitar mutuamente”.  

Se os santos de vocês não se batem, evite a pessoa no campo de batalha. Isso é mais fácil de conseguir em grupos grandes, mas é plenamente manobrável também em grupos menores. Se o seu dessabor está no mesmo time que você basta ignorar a presença dele/dela. Se ele está no time oposto, basta evitar essa pessoa no campo de batalha. Resista a tentação de ir até lá e enfiar a sua espada de espuma de flutuador no meio das costelas daquele infeliz escutador de Anita. É como diz um colega meu, o Júlio: “se o problema não te encontra então você não tem problema”.

E quando eu tenho de treinar justo com aquela pessoa? Bom, pode acontecer. Alguns grupos criam dinâmicas de treinamento que exigem que você dialogue ou trabalhe com aquela pessoa que você não gosta. Tenha em mente que isso vai ser temporário. Simplesmente faça o que foi pedido no exercício/treino e nada mais. Seja educado. E só. 

Óbvio que o ideal seria chamar a pessoa de lado e colocar tudo em pratos limpos. Mas sei bem que às vezes isso não é possível, nem desejável e nem necessário: aliás, só causaria mais transtornos e desavenças, azedando o caldo ainda mais.


Resumindo: seja respeitoso, evite a pessoa e mantenha uma distância segura. No fim, dará tudo certo. 

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...