segunda-feira, 19 de junho de 2017

Mentores, guerreiros e respeito.

Em 1984 desembarca    va no Brasil o desenho He-man e os defensores do universo (He-man and the masters of the universe) que contava a história do príncipe Adam (He-Man) e seus amigos defendendo o planeta Eternia e o Castelo de Grayskull das forças malignas comandadas pelo vilão Esqueleto.

No Brasil o desenho teve algumas particularidades interessantes. A dublagem brasileira, feita nos estúdios da Herbert Richers, acrescentou três musicas que não faziam parte da trilha sonora original do desenho. No episodio "Semente do Mal" foi acrescentada "Timesteps" de Walter Carlos que na verdade faz parte da trilha sonora do filme Laranja Mecânica. Em outros episódios foram também usados as musicas "Fantasía de Piratas” e “Fu-Man-Chu" do grupo espanhol de musica eletrônica Azul y Negro.

Mas foi na tradução dos nomes que o desenho se superou. Um dos personagens secundários mais importantes para a trama é Duncan, codinome Man-at-Arms, o pai adotivo de Teela. Ele é responsável por todas as invenções, armas e máquinas do desenho. Ele foi traduzido no Brasil como “mentor”. Eu, inclusive, achava que o nome do personagem era mentor.

Sei que devemos evitar ao máximo traduzir certos termos do inglês. Especialmente nomes, mas no caso de Men-at-Arms a tradução foi perfeita. Porque o personagem faz muito mais o papel de mentor, professor e conselheiro do príncipe Adam/He-man do que de um guerreiro – convenhamos, como o guerreiro Duncan era meio fraquinho.

E é justamente sobre isso que eu quero falar. Sobre mentores. Mentores são guias, orientadores de jovens ou de estudantes. São muitas vezes autores intelectuais, responsáveis pela idealização ou pelo planejamento de alguma coisa, para cuja execução influencia o comportamento de outros. Em outras palavras o mentor é como um professor que ao invés de dar todas as respostas acompanha o pupilo na sua busca por elas.

Eu tenho vários mentores. Pessoas que eu admiro e que servem de guias para a minha vida. Entre elas eu posso e devo citar o professor Mário Sérgio Cortella. Se você não teve o prazer de conhecê-lo eu sugiro que pare a leitura agora e dê um pulo no youtube. Procure por termos como “não nascemos prontos” e assista alguns vídeos curtos. Depois volte aqui.

Assistiu? Beleza. Agora quero trazer uma vivência deste grande autor. Ele diz: “Elogie em público e corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender, e ensina sem humilhar”. Tento fazer isso sempre que possível. E acredito que este é um atributo de qualquer bom líder. É mais ou menos como aquela velha frase terrorista de nossos pais: “deixa que em casa a gente conversa”.

Esse é um conselho tão bom que ele serve para todos, em qualquer situação hierárquica. Seja ela horizontal como vertical. Desde o líder que quer repreender a pessoa que fez algo de errado até o comandado que quer questionar as posturas de seu líder. E, dependendo da hierarquia local do seu grupo, essa é a única forma de diálogo que costuma funcionar.

E qual é o problema? Justamente porque vivemos numa democracia achamos que tudo tem de ser democrático e questiona-se, muitas vezes sem razão, o que está acontecendo, de forma pública e sem educação. Quantas vezes eu não vi líderes agirem de forma autoritária? Claro que isso é errado. Mas quantas vezes eu também vi pessoas de fora da liderança fazerem questionamentos fora de momento? Inúmeras.

Pessoas – sejam líderes ou comandados – tem que entender que não são perfeitas. Que são falíveis. E como tal vão errar. Não é bem sobre evitar o erro e sim como lidar quando isso acontece. Ao invés de explodir na frente de todo mundo acusando um jogador de ser highlander e dar nele uma bronca, chamar o cara de lado e conversar. Ao invés de sair discutindo com o líder ou juiz se aquele golpe pegou mesmo ou foi válido chamar o cara de lado e conversar com ele numa boa, sem dar escândalos e sem se alterar. Ser educado e firme ao mesmo tempo, recheando a sua fala de argumentos lógicos e sensatos.


Voltando ao argumento inicial deste texto o mundo precisa cada vez menos de men-at-arms e cada vez mais de mentores. Seja um mentor de si mesmo, de seu grupo, de seu mundo. Lidere pelo exemplo, respeite os outros e mantenha-se firme. E se tudo mais der errado você pode sempre tentar resolver as coisas com um duelo. 

domingo, 18 de junho de 2017

Vamos ao encontro do mais forte

Se você é um cara bom de referência, com certeza reconheceu o lema do desenho Street Fighter, que passava no SBT no final da década de 90 e começo dos anos 2000. Era o mote do personagem Ryu, que sempre estava em busca de desafios cada vez maiores. É uma forma quase nietzscheana (referente ao filósofo Nietzsche) de que “aquilo que não me mata, me torna mais forte”.

Essa deveria ser, a meu modo de ver, a postura de qualquer pessoa que começou a treinar há pouco tempo swordplay. Aliás, vou reformular essa sentença: essa deveria ser a postura de qualquer pessoa que treina swordplay. Buscar sempre alguém mais habilidoso para lutar, buscar novos desafios, ir sempre de “encontro ao mais forte”.

Nos meus primeiros dias de treino nos campos de Eldhestar (antigamente conhecido como Cavaleiros da Virtude) eu estava disposto a aprender tudo que eu pudesse sobre como lutar. E tinha um guerreiro em especial, na época, que era tido como o melhor de todos. Não à toa era o Rei na época. Uma vez eu decidi que só pararia de perseguir esse cara no campo de batalha depois que eu ficasse tão bom ou melhor do que ele. E foi o que eu fiz. Eu me lembro de que sempre que fazíamos uma linha e ele ficava do outro lado da linha, eu fazia questão de ficar de frente para ele e buscar por ele no campo de batalha. Não dava sempre, mas eu não deixava de buscar. Eu vou dizer que demorou uns 4 treinos e mais de 30 duelos para que eu obtivesse a minha primeira vitória consciente – eu não estava contando vitórias com sorte.

Os equipamentos dele eram melhores que os meus. Ele tinha mais técnica. Mas sempre que ele me derrotava eu voltava cada vez mais determinado a vencer.

Melo, o lanceiro que ninguém
quer enfrentar...
“Peraí Betão... tu estás dizendo que buscava direto o cara mais forte do grupo... por que? É vontade de ficar sentado na grama vendo os outros lutarem? Tu não tens ego? Não sente vergonha de ser derrotado todas as vezes que enfrenta esse cara? No meu grupo tem um cara com lança que é quase invencível. Sempre que eu o avisto no campo de batalha eu saio de perto. Vou buscar outros caras que eu sei que eu posso vencer”. Comentou aquele rapaz de cabelos loiros, bem curtinhos e de bata preta e branca.  

É cara, é mais ou menos isso. Sabe por que? Porque a evolução no swordplay (e na vida em geral) se dá quando encaramos coisas difíceis. Fazer soma todo mundo sabe; agora fazer cálculo é outra história. Bater com a espada é moleza; agora dominar um ou mais estilos é outra história. E essa é uma super postura para o grupo também. Se todo mundo busca pelo melhor, logo todo mundo vai se tornando melhor.


Bom, era isso. Nos vemos por aí. 

domingo, 11 de junho de 2017

Caça-raposa

Um jogo de campo que envolve estratégias, traição e uma boa dose de trabalho em equipe. Esse é o caça-raposa, um emocionante jogo para seus treinos de swordplay.

Um dos jogos mais populares desenvolvidos pela Aliança de Beufort – DF é sem dúvida o caça-raposa. Para se jogar exige-se duas coisas: um campo de bom tamanho, com muitas árvores e obstáculos, e um bom número de participantes. Trinta é o ideal mas pode ser feito com mais participantes.

O primeiro time a ser escolhido é o das raposas. Ele deve ter um número de membros igual a um terço (aproximando) do total de pessoas envolvidas. Se temos 30 pessoas jogando, 10 delas serão raposas. Cada membro das raposas ganha uma fita colorida para representar que ele é uma raposa. Os que sobram são automaticamente caçadores.

Uma vez escolhidos os times, os caçadores viram de costas e as raposas ganham 5 minutos de vantagem para correr e se esconder entre as árvores. Então começa a caçada. Quando uma raposa é abatida o caçador que a abateu ganha a sua fita. Existem, portanto, duas formas de ganhar o jogo: um caçador reúne todas as fitas das raposas ou o time dos caçadores é completamente eliminado.  

Existem alguns detalhes que devem ser atentados. Os caçadores são todos concorrentes entre sim. Apenas um caçador pode ser o vencedor da disputa. Então os caçadores podem lutar entre si. Espera-se que lutem pelo prêmio final – o conjunto das fitas das raposas – mas não é contra as regras que se matem a qualquer momento do jogo.

Já as raposas não tem esse senso de competição. Elas vencem apenas se todos os caçadores vierem a ser derrotados. As raposas não podem se matar.

Ao final este jogo nos ensina muito sobre competitividade, traição e trabalho de equipe. As raposas vencem um grupo maior, usando a força do trabalho de equipe. Já aos caçadores aprendem a esperar o momento certo para lutarem entre si e conquistarem o prêmio. Aprendem a trabalhar em equipe, confiando e desconfiando dos outros.


Raposas comemorando a merecida vitória...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Swordplay para o autocontrole e uma boa saúde.

 Mais do que lutas e técnicas, o swordplay, como todas as artes marciais, ensinam a ter disciplina, respeito e autocontrole. Tudo isso com um bônus mais que desejado nos dias de hoje:  fortalecer, definir e tonificar o corpo, estar associado ao aumento no equilíbrio e agilidade corporal trazendo com isso muitos benefícios à saúde de seus praticantes.

Recentes estudos de diversas universidades espalhadas pelas Américas, Europa e Ásia demonstraram que crianças que passaram a praticar artes marciais (incluindo swordplay e suas vertentes derivadas), apresentaram um maior autocontrole e disciplina, além de diminuir a agressividade. Segundo o escritor e jornalista Jéssie Panegassi, “As artes marciais funcionariam melhor do que uma terapia convencional, uma vez que a terapia convencional não diminui as emoções negativas”.

Ainda segundo os mesmos estudos, a prática de artes marciais não faz bem apenas para crianças e jovens. Seus benefícios se estendem a adultos e idosos. Estudos comprovaram que aqueles que praticam artes marciais têm maior qualidade de sono. Em alguns casos existe também a melhora na frequência cardíaca e aumento da resistência, além da prevenção de massa magra.

“O ideal é que se pratique atividade física” ressalta a Dra. Ana Lucena, da PUC-SP. “Melhor que isso só se a pessoa fizer uma atividade prazerosa. É como juntar a fome com a vontade de comer” ressalta a fisioterapeuta. E a Dra. Ana não está sozinha. Segundo Marcelo Silva, docente da disciplina de Artes Marciais, Lutas e Combates das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMUSP) “as mulheres também têm muito a ganhar com essa prática por atuar de forma preventiva nas artroses em geral, na artrite reumatoide e em várias outras patologias”.

Apesar desses resultados e das pesquisas, muitos ainda questionam se a pessoa não se tornará ainda mais agressiva com a prática das lutas. Muitos pais e algumas autoridades ainda vem com maus olhos a prática das artes marciais, como uma fábrica de fazer agressores.

“A época dos pity-boys já passou”, garante a atleta e professora de Jiu-jitsu Andrea DeRose. “Hoje as academias sérias selecionam bem seus alunos e atletas. Quem começa a arrumar confusão demais acaba ficando com má fama e fica sem ter onde treinar”.

E como o swordplay entra nisso tudo? Bom, como o swordplay nasceu de uma observação das antigas formas de esgrima histórica, ele também não deixa de ser uma arte marcial. Muitos grupos também primam pela ética e o respeito aos outros, aumentando não apenas a capacidade física, mas o autocontrole e a autoconfiança de seus praticantes.

Educação, respeito, equilíbrio, melhor uso da energia física e mental, amizade e felicidade mútua são algumas das filosofias, que são pregadas na aliança Beufort (grupo de swordplay na capital federal). Entre os adultos, o swordplay ajuda a combater o estresse, além de ensinar a respirar, trabalhar a força, velocidade e coordenação. Para as mulheres, que geralmente têm uma densidade óssea mais prejudicada, é útil para prevenir a osteoporose, por ser uma atividade física de força, que estimula os ossos e a musculatura. Crianças hiperativas se beneficiam pelo aprendizado do equilíbrio e da disciplina. E todas elas passam a entender que há tempo para tudo, desde a saudação em silêncio até o momento de combater sem reservas numa batalha campal. A autoconfiança e a concentração são estimuladas. A parte física tem como reflexo o equilibrado desenvolvimento musculoesquelético, maior coordenação, força e resistência. Idosos mantêm a musculatura desperta e ativa, a ponto de o praticante sentir prazer com a atividade. Caso ele já tenha praticado no passado, pode reaprender a usar o seu corpo, mesmo com um esforço maior.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ética nos treinos de Swordplay

#nãonomeutreino é uma adaptação de uma campanha parecida que rola já faz alguns anos das mesas de RPG do Brasil e de alguns países como Inglaterra e Finlândia. É uma mentalidade consciente que envolve líderes de clãs, reis, rainhas, organizadores, jogadores e jogadoras. É levantar-se contra atitudes discriminatórias, racistas e preconceituosas, afirmando em alto e bom som que tais atitudes não são e nem serão toleradas.

Não nos nossos treinos, não em nossos campos de honra.

Porque é no treino, na camaradagem com os colegas, no embate de espadas de espuma que vamos para fugir d chatice do mundo moderno, desestressar, expandir nossas mentes e corpos, sentir-nos seguros e nos divertir. E como jogadores e jogadoras conscientes que somos, criadores e mantenedores  destes espaços de interação, nós temos a obrigação de garantir que este será um espaço seguro, onde todos são bem vindos.

Com isso em mente atestamos que não temos espaço para atitudes de ódio, atitudes racistas ou sexistas de qualquer modo, feito ou forma.

#nãonomeutreino



Reteíte, marque, compartilhe, pin esta postagem e suas hashtags #nãonomeutreino, #aquisomoshonrados, #irmandadedeswordplay em seus posts para demonstrar seu apoio. E mais do que isso. Demonstre de verdade fazendo virar um realidade em seu treino, conscientizando seus amigos e colegas. 


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Entrevista DK - às vésperas do 1º Encontro Carioca de Swordplay

Mesmo às vésperas do mais esperado evento de swordplay do Rio de Janeiro eu consegui arrancar algumas palavras da Nathália Jorge, uma das pessoas envolvidas com o evento. Entre os acertos de um detalhe ou outro do vindouro evento ela concordou em ceder algumas palavras para a nossa entrevista. Aproveitem!



1 - Como surgiu a ideia de fazer um evento deste porte no Rio de Janeiro?

Percebemos que o RJ mesmo tendo bastante praticantes e diversos grupos de swordplay, ainda​ não tinha um evento que juntasse todos os grupos, tal como o que é feito em São Paulo.

2 - DK tem sido um dos grupos mais presentes em convenções e encontros Brasil a fora. O que vocês aprenderam desses eventos? Que experiências vocês agregaram na prática de vocês?

Nós aprendemos muitos valores da cultura do swordplay, respeito às pessoas, e autocontrole. Muitos dos nossos membros começaram a praticar para aprender a controlar melhor as emoções. O grupo Graal RJ passou muito disso para nós... Nos eventos de fora do estado aprendemos algumas modalidades e regras diferentes que até usamos em alguns treinos nossos!

3 - O que podemos esperar do evento de vocês? Que modalidades?

Vocês podem esperar muita diversão e atividades intensas. Vamos ter batalhas individuais, 5 x 5, 10 x 10 e a famosa batalha campal, além de algumas atividades surpresa...

4 - O espaço escolhido por vocês para a realização do evento é adequado? (banheiros, comida, bebida, segurança...)

O espaço escolhido tem tudo isso e quem quiser pode ir até no zoológico e museu, kkkkkk... A Quinta da Boa Vista é um lugar bem famoso, é um dos pontos turísticos do Rio de Janeiro e também temos um local de emergência que podemos usar em caso de chuva muito forte.

5 - O evento é organizado apenas pelo pessoal do DK?

A ideia de organizar esse evento sempre foi cogitada por todos os grupos do RJ, mas o clã dos DKs resolveu dar o empurrãozinho e reunir todos os grupos para planejar e iniciar o evento.

6 - Alguma mensagem para os amigos que estão em casa e não se decidiram ainda por prestigiar este evento?


Esperamos todos os praticantes do swordplay do Brasil. No grupo do evento ECS no Facebook colocamos alguns lugares com valores mais acessíveis para o pessoal de outros estados que queiram vir e quem sabe até ficar um tempinho a mais.

domingo, 14 de maio de 2017

De volta... aos poucos.

Dar conselhos é uma coisa relativamente fácil. Seguir conselhos, por outro lado, pode ser bem complicado. Nas últimas semanas eu quase não tenho postado nada, mas é por um bom motivo. Eu estava em recuperação médica.

Bom, estava é modo de dizer. Eu ainda estou, mas o pior já passou. No final de março eu fui internado às pressas por conta de uma terrível dor na região do baixo ventre. Uma bateria de exames realizados mais tarde e a descoberta: uma pedra de 5mm estava alojada no canal da uretra esquerda, impedindo que a urina proveniente dos rins chegasse até a bexiga. Segundo o meu médico, Dr. Berthrand, esse entupimento já estava dando refluxo de urina nos rins. A cirurgia foi feita de emergência no mesmo dia. A fim de manter o canal aberto foi instalado um cateter do tipo duplo J e me foi receitado 10 dias de repouso absoluto. Deveria voltar em sete dias para uma reavaliação. Nada de esforço.
Imagem Ilustrativa do que
é um cateter duplo J

Quando o termo é nada de esforço, é nada de esforço mesmo. Eu passava a maior parte do meu dia deitado na cama, tomando remédios ou submetido à dieta que a minha esposa preparou com todo carinho. Até para ir ao banheiro doía, mesmo com a ação dos analgésicos.

Ao final de sete dias descobri que aquele era o começo da jornada. O médico me informou que a tomografia havia localizado outra, de 1,5cm (3x maior que a primeira!) alojada no rim direito. Eu faria uma segunda cirurgia para retirar o cateter esquerdo e para fazer a intervenção no rim direito, com laser. Depois eu passaria por mais 14 dias de recuperação em casa – com esforço zero. E depois disso eu faria uma terceira cirurgia para tirar o cateter do rim direito.

A última cirurgia aconteceu na sexta-feira, 12 de maio. Eu estou em casa. Sem cateteres. Em franca, porém lenta recuperação.

Ok, e por que jogar esse boletim médico na página que fala sobre swordplay? Por coerência. Na postagem de 09 de fevereiro (Tá dodói? Fique em casa) eu fiz afirmações sobre o que você deve fazer em caso de alguma lesão. Cito a mim mesmo: “Por mais que seja tentador, não volte aos treinos antes da hora e não busque caminhos alternativos fora dos meios profissionais para se recuperar. Siga as orientações do seu médico à risca. Respeite os limites do seu corpo e aprenda a conviver com suas limitações. (...) Não se preocupe. Em pouco tempo você vai estar de volta, recuperado e pronto para outra”. O meu médico disse “esforço zero”. E esforço zero é (justamente) não ir aos treinos.

Como sou adepto da frase de Oscar Wilde “posso resistir a tudo, menos às tentações” eu me afastei de verdade do swordplay nesses dias. Porque eu sabia que se me metesse a besta de ir a um dos treinos, mesmo para ficar sentado, olhando o pessoal treinar, eu ai acabar metendo os pés pelas mãos e ia voltar para casa mijando alguma coisa da cor de vinho talhado.

Mas Betão, você fez postagens enquanto estava acamado – poderia inferir alguém. Sim, eu fiz. E entre uma recuperação e outra ainda consegui forças para ir trabalhar. Dar aulas sentado é um desafio á sanidade.

Postagens que já estavam planejadas e parcialmente executadas foram terminadas e postadas. Mas desde 24 de abril eu não escrevo nada sobre swordplay justamente porque não há nada a ser escrito. Eu sou um escritor muito limitado. Para escrever sobre algo eu preciso viver esse algo de alguma forma. E como eu não estava treinando, bem, o melhor foi não ficar “enchendo linguiça” quando tudo que eu deveria estar fazendo (e fiz) era ver reprises de Tokusatsu no streaming.

O lance é que estamos de volta. Temos alguns trabalhos engatilhados, outros sendo pesquisados, mas eu queria um pouco da ajudar dos meus leitores. Sobre o que você gostaria que eu escrevesse?


Obrigado pela visita. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

As vantagens de usar uma espada

Continuando com a série “as vantagens de usar uma”... Dessa vez eu trago a vocês a espada.

Se você não leu os meus outros artigos sobre as vantagens e desvantagens de usar armas, como o escudo e a lança, eu sugiro que você faça isso antes de começar a leitura desse aqui. Muito do que eu tenho a falar da espada eu já falei em outros artigos e não vale a pena ficar repetindo tudo neste artigo.

A espada é também a arma mais básica que você pode ter contato com o swordplay. Todo mundo – via de regra, claro – começa a treinar com a espada. É a arma que faz do swrodplay um esporte de contato. Dominar bem as bases da espada permite que você ascenda bem com todas as outras armas e técnicas. Fácil de ser fabricada, de boa manutenção e com muitos manuais e técnicas a sua disposição, a espada é arma de preferência.

Existem tantas espadas quanto formas e técnicas de serem usadas. Da rigidez plástica da espada japonesa, passando pela fluidez marcial da espada chinesa, o tradicionalismo da espada europeia, a modernidade dos facões africanos, e variando de pouco mais de 50cm de comprimento (um bom e confiável gládio romano) para até quase 2m de comprimento (a zweihänder alemã) as espadas povoam os sonhos dos aficionados pelo medivaliso e pelo combate em geral.

Mas é nas combinações que as espadas fazem melhor do que qualquer outra arma. Uma espada pode ser usada em conjunto com outra espada, ou com um escudo, com uma adaga, com uma maça, uma lança, uma besta, ou mesmo um mangual. O mais comum é que a segunda arma fosse menor que a espada principal, mas combinações com duas espadas médias – mesmo que não sejam historicamente plausíveis – são plenamente usáveis.

A espada é também a arma preferida da infantaria leve. É realmente uma visão assustadora ver dezenas de pessoas armadas com espadas vindo na sua direção. É capaz de causar medo no mais poderoso dos defensores e na mais forte linha de lanças.  Dois ou três membros da infantaria leve podem  cercar e flanquear o lanceiro ou um defensor que terá de escolher um deles para eliminar enquanto tenta se esquivar dos outros. Um bom defensor também pode ser um pesadelo para o espadachim.

Outra vantagem é que a espada é que ela bem rápida e versátil quando usada com duas mãos, ou mesmo com uma mão só (isso depende do tamanho da arma e de sua aerodinâmica, mas é uma regra geral).

A sua principal desvantagem é que a espada é essencialmente uma arma superestimada. Imagine uma faca gigante, com dois gumes cortantes, que você fica balançando em volta do próprio corpo, podendo ser atingido por outra arma enquanto faz isso. Ok, colocando dessa forma a espada não é assim uma arma tão sensacional, mas ela ainda é a peça dos sonhos e o “core-weapon” de mais de 90% de todos os praticantes de swordplay. A sua defesa é também um pouco menos eficaz do que outras peças.

Vantagens:
Arma básica – fácil de aprender a usar
Manutenção rápida e barata.
Versatilidade de combinação de armas e estilos

Desvantagens:
Ser um bom espadachim exige muita dedicação do seu usuário
Não tem uma defesa muito boa

Dificuldade em lidar armas de alcance mais longo. 

domingo, 16 de abril de 2017

As vantagens de usar uma... Lança

Continuando com a série “s vantagens de usar uma”... Dessa vez eu trago a vocês a lança.
Em uma única frase: na vida real, lanças batem muito mais forte que espadas. Elas também têm um significativo alcance e se usadas de forma correta são incrivelmente rápidas e ágeis. Elas podem ser usadas com relativa facilidade à curtíssimas distâncias – ao contrário da espada você pode “encurtar” o tamanho da sua lança segurando-a em outras partes do seu cabo. Não é á toa que as lanças são a espinha dorsal de qualquer exército da antiguidade. Você não pode matar, em corpo-a-corpo, aquilo que você não pode chegar perto para atingir.

Em campo aberto as lanças são a melhor opção. Ela tem dezenas de pontos de ataque com estocada ou mesmo corte e pode mudar de alvo com muita facilidade.
Mesmo em locais apertados, como pontes ou passagens estreitas, a lança é uma boa arma. Nestes cenários, onde você não tem a opção de levantar muito a sua arma ou golpear para os lados com tanta facilidade, os ataques de estocada são bem eficientes. De fato, em locais muito apertados ou estreitos a espada perde muito de sua efetividade porque boa parte de seus golpes exige espada para fazer um corte.

A única coisa que espadas fazem melhor do que lanças é ser bem usadas em combinações. Uma espada pode ser usada em conjunto com outra espada, ou com um escudo, com uma adaga, com uma maça, ou mesmo um mangual. Muitos vikings usavam a lança em conjunto com a espada amarrada a mão de trás, para que pudessem saca-la com facilidade em caso de necessidade. Uma lança pode fazer as mesmas combinações, exceto que ela não pode ser usada com outra lança.

Na verdade todos deveriam treinar com a lança como a sua segunda arma, depois de aprenderem a usar a espada simples ou de uma mão. Um guerreiro inteligente pode carregar – de acordo com as regras do seu grupo – um escudo, uma lança e uma espada média ou curta. Essa é uma combinação fantástica. Os gregos, os persas e os romanos a usavam com muita fluidez.

A lança, entretanto não é apenas alegria e vantagens. Um lanceiro tem dificuldades sérias pra enfrentar pequenos grupos quando sozinho. Dois ou três membros da infantaria leve podem  cercar e flanquear o lanceiro que terá de escolher um deles para eliminar enquanto tenta se esquivar dos outros. Um bom defensor também pode ser um pesadelo para o lanceiro. Ele tem de se mover muito para dar conta de vencer a defesa do escudo.  Outro ponto a ser considerado é que a lança pode ser agarrada com alguma facilidade. Isso, claro, de acordo com as regras do grupo que você faz parte. Eu mesmo já consegui pegar uma lança em combate – e se eu consigo, qualquer um consegue.

Outra desvantagem é que a lança é bem rápida e versátil quando usada com duas mãos, mas quando usada com uma mão apenas, ela é um pouco lenta e desajeitada. Ou seja, se você usar a combinação lança e escudo ou lança e outra arma, você provavelmente terá sua eficiência e velocidade com a arma reduzidos.

Vantagens:
Ataques sólidos e rápidos
Facilidade de trabalhar em formações
Versatilidade de combinação de armas e estilos

Desvantagens:
Exige muita movimentação do seu usuário
Pode ser agarrada e inutilizada com facilidade

Dificuldade em lidar com mais de um inimigo por vez

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ECS - 2017

Saudações nobres leitores!


Desculpem estar afastado, mas é por motivos de saúde. Pedras nos rins que mantem afastado das atividades de swordplay. Uma pena, justamente porque tem muita coisa bacana acontecendo no mundo do swordplay.

Hoje quero convidar a todos para um evento super bacana, que tem tudo para entrar para o calendário brasileiro de eventos tradicionais de sworpplay! Estou falando do ECS – Encontro Carioca de Swordplay.

Ele vai acontecer Domingo, dia 28 de maio, na Quinta da Boa Vista, Avenida Pedro II - São Cristóvão, CEP: 20910-061, Rio de Janeiro. A festança deve rolar solta das 8:00 - 18:00 horas.

O evento vai ser organizado por um dos grupos mais legais do swordplay que eu já tive o prazer de cruzar espadas de espuma, os DK do Rio de Janeiro. Eles abrilhantaram o evento de swordplay aqui de Brasília do ano passado com um estilo único de se divertir. Tive o prazer de conhecer os organizadores do evento (Sir. Richard Jorge, Lady Marcela Barbosa, Lorde Nelson Junior e Lorde Marlon Rossi) e posso dizer sem medo que é um dos eventos deste ano que tenho mais expectativas positivas. Sério, se não estivesse impedido de treinar eu iria até lá trocar espadas com eles.

E para melhorar as coisas já vai ter um “esquenta” do evento do dia 23 de abril, das 12:00 as 18:00 horas, na mesma Quinta da Boa Vista.  As regras do evento já podem ser baixadas no link abaixo: 


Tudo que você precisa para curtir o evento com segurança está na pagina dele no facebook.


Incluindo opções bacanas de hospedagem para quem vier de outros estados ou cidades.

Então, se você puder ir, deixe de preguiça e vá! Valerá à pena. 

Foi mesmo o fim dos Lordes de Ferro

Hoje, depois de muito tempo e muitos avisos, eu excluí definitivamente a conta do Instagram dos Lordes de Ferro. Foi o primeiro grupo de swo...